
Meu caro Acílio, julgavas que nos escapavas, mas enganaste-te.Aqui no irmão sol nada nos escapa.Sabemos tudo, por isso, apesar do atraso, chamo ao palco o Coro contratado ( a peso de ouro, diga-se, embora para menores leigos, desobrigados do voto….e por ser para ti!) para cantar os parabéns na versão cá da casa: O que os anos nos fazem, quando fazemos anos! De seguida publicamos o mail que também tivemos o privilégio de receber do Acílio, ainda o irmão sol não tinha nascido mas já “estremecia” no nosso ventre, como Maria no Magnificat! Que contes muitos e…(vê lá se começas a colaborar, tá?!).
Saia o Coro:

(E agora, o texto que Frei Acílio Dias Mendes enviou para a sua mailing list e que, aqui, recuperamos, de tão delicioso!)
Bom Dia,
Com Paz e Alegria!
As surpresas que o Pai das misericórdias nos tem reservado!
É verdade que a entrada na TERCEIRA IDADE
foi algo surpreendente e jamais esperado!
Depos de uma hora e quinze minutos de FADOS,
na Praça do Município do Funchal (a celebrar 500 anos)
pela voz quente, sonora e empolgante da Ana Moura,
ainda me estava reservada a estreia numa Casa de Fados, e aqui é que veio a surpresa; ao iniciar os primeiros minutos dos 65 anos, os quatro os cinco Fadistas (amadores!) cantam os PARABÉNS a um (seu) desconhecido! Mas a iniciativa era auspiciosa!
É verdade que desde esse sábado, comecei a rezar – com mais fervor – o «SALMO DOS MEUS ANOS» (65), segundo uma bela inspiração de um miúdo que, na altura andava pelos treze. São verdadeiramente proféticos estes versículos:
«Coroas o ano com os teus benefícios,
por onde passas brota abundância.
Vicejam as pastagens do deserto,
as colinas vestem-se de festa,
Os campos cobrem-se de rebanhos
e os vales enchem-se de trigais,
Tudo aclama e grita de alegria.»
(Salmo 65, 12-14)
O segredo foi finalmente desvendado!
Ontem tocou-me fazer o percurso Fátima – Porto.
De autocarro, que é mais tranquilo e económico.
Na Rede Expressos.
Timidamente pergunto se há desconto
para a Terceira Idade.
Os tais privilégios deste Mundo!
Oh! Surpresa das surpresas!
Jamais tinha imaginado semelhantes benesses
da nossa Sociedade.
Pasmem-se!
O preço total do percurso eram 15,50€.
Sim, senhor. Há um desconto.
São exactamente 80 cêntimos.
Sim. Oitenta cêntimos!
Apeteceu-me gritar ao mundo inteiro:
«Alegrai-vos comigo! Sou um felizardo!»
Compreendo que oitenta cêntimos
não tenham grande expressão
no orçamento de um Bill Gates
ou de um Américo Amorim
ou do Cristiano Ronaldo…
Mas, na bolsa de um pobre frade menor franciscano,
80 cêntimos têm um peso de inegável valor…
Conservo o bilhete comigo. Qual relíquia sagrada.
É o nº 405.01.43697. Lá consta o ferrete «3ª IDADE».
Para que não haja dúvidas
e não venha, mais tarde, a ser acusado
de corrupção activa ou passiva.
A viatura é a nº 50.
Também o lugar é o nº 50.
Pois. Lá atrás, no «galinheiro».
Ainda pensei perguntar o nome do motorista
e, à chegada ao Porto,
convidá-lo para umas ‘tripas à moda do Porto».
Oitenta cêntimos – bem administrados – até dão para estes pequenos luxos.
Pelo caminho fui assaltado com alguns maus pensamentos. De soslaio, olhava para alguns companheiros de viagem. Sobretudo para os mais novos.
Não poderiam eles queixar-se de mais um cota (ou tecla 3) que vai roubando alguns cêntimos ao erário público?!…
À minha frente viajavam duas jovens
animadíssimas na sua conversa.
Nas duas horas e cinco minutos de viagem,
talvez tenham feito um muito prolongado silêncio
de dois minutos. Ou talvez minuto e meio.
Foi à passam por Gaia.
Quem sabe se a pensar no Filipe Menezes e na Manuela Ferreira Leite…
Falaram de concertos e de música e de namorados e de outros meandros da vida…
Felizmente, não me apercebi que tenham aflorado o assunto dos velhote sanguessugas deste nobre Povo, nação valente e imortal dos teus egrégios Avós…
Ao passar pela minha cidade de Coimbra,
o pensamento fugiu-me para a tromba de água
que pôs em pânico alguns moradores e comerciantes.
Mas era tal o meu contentamento com os 80 cêntimos
que me foi difícil esboçar um sentimento de solidariedade para com as vítimas destas «trombas»…
Porque há outras trombas que provocam outras vítimas…
À noitinha, no aconchego do quarto,
soube-me bem aquele penálti da minha briosa Académica, arrancando três preciosos pontos ao Vitória de Setúbal.
Era o coroar de um Domingo cheio de sorte!
Está desvendado o segredo:
É «A FORÇA DA MUDANÇA».
E ainda há quem se queixe
desta Sociedade Livre, Democrática, Solidária…
Uns ingratos e maus.
Da minha parte, continuarei,
ao longo destes 356 dias,
a cantar o Salmo dos meus anos:
«A TI, Ó DEUS, É DEVIDO O LOUVOR EM SIÃO!»
Assim Deus me ajude
e o Governo não me desampare|
Ámen. Aleluia!
O abraço fraterno e amigo,
frei Acílio