Pim!
OOPS!!!AGORA MORAMOS AQUI:http://irmaosol.blogs.sapo.pt
Publicado Novembro 19, 2009 Uncategorized Leave a CommentEscrevemos e, Verificar encontradas como, um tudo altera wordpress!!
O que sairá do mesmo agora que estamos a escrever?
Como podem ver pelo nosso último post, o wordpress está transtornada! Não nos deixa corrigir e textos vêem que não dá!
Pois bem, estamos de malas aviadas a caminho de um outro servidor, sem estes problemas e. .. com muito mais velocidade para abrir imagem e textos!
Aguarda notícias!
Basílica da Estrela, pouco há.
Um céu feito de fios, candeeiros e outros mil sinais.
Um Sol rompendo as nuvens Iluminando-os nos ais, mas, Tu, Sempre presente, por muito que te de nós julguemos Fabrica de Campeões, ausente, encerrado nas Catedrais erguidas.
António Colaço
NR
Vês, João Teixeira, é bom saber que esta Cyber Vela, Trémula Apesar de, aqui está, sempre, à nossa espera. O nosso silêncio não perturba o seu silêncio, mas o seu silêncio convida-nos a serenar as Perturbações de que são feitos alguns dos nossos tantos silêncios. Obrigado, irmão Francisco, e só perdoa estas aparentes ausências. Mostra aos irmãos por onde temos andado, um tijolo tijolo Reconstruindo o Teu Telhado!
A WordPress anda com problemas de edição.Os textos saem alterados e a correcção torna-se impossível!Se leres este texto com erros, é isso!!
Aguardemos por decisões!
Também a ânimo já passou para aqui:
Será que o irmão sol segue o trilho?
Abraços!
PS – De qualquer forma, a nossa caixa de correio continua tremendamente só.Nenhum comentário. O silêncio é demasiado sublime para que o perturbemos com os nossos estafados comentários! Obrigado, na mesma. ac
Agostinho Vaz, baterista dos POPBRES
Bom dia caro Tozé e demais irmãos capuchinhos!
O nosso blog apresenta-se de boa saúde, graças à participação militante de alguns capuchinhos clérigos e não só. Este convento virtual exerce sobre mim um magnetismo que não consigo repelir. A ideia foi bem concebida pelo meu irmão Tozé Colaço que detém as chaves do convento e o administra com muita sabedoria, generosidade e empenho, qualidades que lhe reconhecemos de sempre, como é seu apanágio.
Sem os atributos de profunda espiritualidade e elevada abstracção que gostaria de ter, tal como alguns dos participantes, proponho-me acompanhar, diariamente, as rotinas do nosso convento associando-me aos tempos de oração, nas horas de matinas, laudes, vésperas e completas.
Sempre que se revele oportuno intervir em temas atinentes com a nossa condição de antigos alunos capuchinhos, cá estarei para ajudar a construir o nosso convento.
Fiquei particularmente feliz, quando o Sério apareceu, dando sinal de vida e testemunho da pujança franciscana que todos lhe reconhecemos. Na verdade, a sua ausência no encontro de Gondomar criou um buraco maior que o de ozono. Mas eu, nessa matéria, também tenho telhados de vidro, pois não estive em Fátima, em 2007.
Caro Tozé, junto em anexo algumas fotos do nosso ano, as quais já tinha apresentado em Gondomar. Mas que saudades da nossa caminhada, juntos, solidários e amigos que sempre fomos, à parte as picardias no futebol, principalmente os grandes craques que eram o Carlos Rito, o Agostinho Mendes e o João Teixeira! Há muitas histórias para contar e partilharmos…
Um forte abrassom ( moda do Poôrto para todos os meus irmãos capuchinhos.
Agostinho Vaz
NOTA DA REDACÇÃO
Já depois de darmos início à “montagem” deste filme, Spielbergs de nós ( e esta, hein? ), decidimos ficar por aqui, por hoje. A riqueza e variedade da reportagem do Agostinho é tanta que a entidade patronal nos despediria tantos os minutos para a editar.
Fiquemo-nos, então, pela música onde os menores foram os maiores ( na, nada de gabarolice.Santa humildade!)! Nomes incontornáveis como os de Acílio Mendes, à cabeça, mas, também, Leonel Ribeiro, Constantino Sério, o Rui (mais, Rui, já não me lembro do teu nome todo…) o José Ramos, Pe Avelino, Artur Beleza, no canto ( para além do Sério, claro!) e outros que, a seu tempo poderemos e deveremos actualizar.
É bom rever, aqui, o Pe Alberto, e as tantas horas de animados serões que nos proporcionou. No tempo em que as televisões ainda não tinham substituído as noites convivenciais…
Para amanhã, poderemos seguir pelo futebol, passeios e outras animadas e franciscanas tarefas.
Podem guardar os vossos bilhetes.São válidos para as próximas sessões.Obrigado, uma vez mais, Agostinho Vaz, por nos proporcionares dinâmicos regressos ao passado. Quer dizer, lembrando-nos o que fomos melhor poderemos lembrar-nos do que devemos continuar a ser.
ac
Uff, Senhor. Que dia tão cheio de coisas boas. Pepitas de ouro começam a cair aqui na redacção. Há uma mina dentro de cada um de nós, à espera, por escavar. O Agostinho falava de magnetismo e eu ando lá perto, bem o sabes. Mineiros de nós, regressámos às minas da solidariedade, da convivencialidade, da alegria de cantar, de bem fazer.Porto, Barcelos, Fátima, Gondomar…tanto mar. Acho que a net vai ser pequena, Senhor. Vamos começar a extravasar .
Não é isso que nos pedes? No silêncio da noite ajuda-nos a ir mais looooooonge no dia de amanhã. Apenas, amanhã. Um dia de cada vez, todos os dias.Obrigado, bom Deus.
ac
Acho que tudo começou aqui, faz, hoje, uma semana, mais ou menos.Como Maria, sim, ainda não nos tinhamos lembrado de Vós, Senhora, só nos resta, sempre, e uma vez mais, agradecer. Obrigado, pelo milagre do nascer. E creio, mesmo, que as sementinhas dos pequenos girassóis que levámos para Gondomar prenunciavam esta explosão de vida em que o irmão sol se está a tornar para cada um de nós que por aqui passa.
A minha alma engrandece o Senhor….Possamos, como tu, Maria, ajudar a germinar, mais do que esta ideia as boas práticas para que ela nos convoca, a começar pela alegria de nos sentirmos vivos, mais um dia.Que o mesmo é dizer, obrigado, bom Deus, nosso Criador.
ac
A originalidade cresce, hora a hora, aqui no irmão sol.
Pela mão do Artur Rito, chegam-nos estas duas preciosidades, vindas, directamente, de Assis e que configuram aquilo a que poderíamos chamar a adesão de S.Francisco, “lá no teu reino de glória”, à edição electrónica do seu irmão sol!!!
Ou, de como, aqui está o exemplo do que pode ser, também, este tu-cá-tu-lá entre nós.
Aproveitamos para anunciar que outras páginas, dentro desta página, estão a ser programadas, como sejam a edição em vídeo, leituras, reportagens em directo ( por ex. imagens dos locais onde vivemos, trabalhamos, passamos tempos livres, visitas aos nossos conventos, etc), um forum com hora e tema de discussão marcadas, convites a algumas personalidades para nos ajudar a reflectir sobre diversos temas da actualidade, e o mais que queiram sugerir!
Durante o próximo fim-de-semana a edição poderá abrandar. A ver vamos.
Bom fim-de-semana.
A palavra ao Artur Rito:
DE ASSIS, COM AMOR!
Amigo e companheiro “Colaço”
Os meus sinceros parabens por esta feliz iniciativa, uma das formas entre outras formas de irmos sabendo coisas uns dos outros.
Eu já tive a oportunidade e felicidade de visitar Assis. Só mesmo visto.
Trouxe de lá, entre outros, os dois bonecos que em anexo junto fotos, para eventualmente, e se assim o entenderes, publicar.
A primeira é S. Francisco já naquele tempo, agarrado às novas …. tecnologias.
A segunda é S. Francisco e Santa Clara, numa das suas viagens, ou de “lazer”, ou para mais uma jornada de trabalho.
Deco está lesionado? Ronaldo ainda não se decidiu?
Pois bem, meu caro, Zé Mourinho, ponha aqui os olhos nesta berdadeira selessom ( para imitar o Agostinho Vaz !).
Estádio do Ameal, algures nos idos de setenta, certamente, e, oh tantas glórias dos nossos “relvados”. A começar pelo nosso actual e querido Padre Provincial. Meu caro Martins, não sei, mas acho que nalgum momento não consegui, de todo, fugir a algum dos teus involuntários…toques de canela!Não, não é de especiarias que falo!! E tu, meu caro Frei Adelino, era cá uma pontaria.Bom, calo-me,já, que para estas bandas era mais o estilo do que… a eficácia!
Quem reconhecer mais gente, terá direito a um “doce”….
Mais um contributo do Agostinho Vaz.
ac
Que dia Contigo sempre presente, mesmo quando te pareço ausente. Pois, a gente sabe como é essa coisa de não te preocupares em ser, porque…És. Nem sempre Te vislumbro na buzinadela do frenético trânsito citadino, ou no gesto mais cortês que deveria ter para a senhora – sempre elas, pronto, está bem, é prova de machismo – que não foi capaz de facilitar a manobra, ou no torcer do nariz ao arroz que não estava bem cozido, ou, quem sabe, nalguma manifestação de excesso de zelo profissional – detesto todos os excessos de zelo, a começar pelos meus próprios – ou não agradecer, repetidamente, algumas vantagens financeiras decorrentes do cargo, quando outros, tantos, Senhor,que nem sequer para comer têm um euro…
Tudo isto te deixo aqui na sumptuosidade dos Jerónimos. Na tua Igreja, física, às vezes imagino que te sintas um pouco desconfortável. O que queres, os nossos antepassados assim te quiseram glorificar. Foi mais um repto para os vindouros, se calhar :”agora preocupem-se, tal como Francisco, em fazer da rua, do trabalho ou das vossas casas e famílias, a tal Igreja viva onde Cristo se sente bem”.
Mação,esta manhã.
A grande cidade ficou para trás. Obrigado, Senhor, por este humilde refúgio.Mesmo que o Sol tarde, mesmo que as nuvens persistam e o reconhecimento da tua Presença, em mim, tarde também, obrigado pelos sinais da beleza da tua obra que nos deixas pelo caminho. No meio das ruínas em volta, envolves-nos com o fulgor destas esplendorosas boganvílias. Que aqueles com quem vou trabalhar, hoje, em mim Te reconheçam, também.Amen.
ac
Aqui, em Timor, quando o Sol olha para o mar,
os nossos olhos vem todas estas cores.
Do outro lado deste mar fica Portugal,
um pais distante, com pessoas iguais às daqui,
um pouco diferentes na cor,
bastante diferentes no bem-estar
e muito diferentes no egoísmo.
Mesmo assim, nós estamos cá,
para dizer aos timorenses
que o sol ainda ninguém o comprou
e que este mar… nada que se pareça.
Abraco para todos
Frei Manuel Rito Dias
Dili / Timor-Leste
Olá, irmão!Estamos com problemas na edição da foto.Na segunda, rsolveremos.
Também por aqui, no nosso interior, a rede é um …temor!
Grande abraço e venham todas as notícias do vosso fabuloso empenhamento.Os menores capucnhinhos ajudando aà construção de um Timor Maior!
ac
Não está cá ninguém, Senhor. Hoje, estamos todos a rezar Contigo no mais íntimo do coro da íntima capela de cada um.
Ainda bem que estás em todo o lado, a nosso lado, quer dizer no lado mais íntimo de cada um de nós.
Mas, hoje, ficou por editar a leitura dessa grande evangelista Anselmo Borges, no Diário de Notícias.Acho que nos vai fazer uma surpresa, um destes dias.Aqui fica o link, Senhor.Na segunda iremos reler.
Obrigado por todas estas graças que colocas no caminho para nos iluminar.
ac
Do Público. de hoje.Imprescindível ler e…meditar.
12.10.2008, Frei Bento Domingues, O. P.
A Igreja existe para testemunhar que todos os seres humanos estão convidados por Deus para um grande banquete
1.A publicidade é uma actividade especializada em atiçar desejos e tornar infelizes os que não consumirem os sonhos e as novidades que ela apresenta como irrecusáveis. É um banquete virtual que o recurso ao crédito pode tornar efectivo para quem procura não pensar muito nas consequências. Agora, fala-se, debate-se e escreve-se abundantemente sobre a crise, assegurando uns que o pior já passou e outros que o pior está para vir. Continuam, no entanto, por explicar, de forma adequada, as causas reais que cegaram tantos economistas, gestores, conselheiros e reguladores – muito bem pagos e premiados, servidos pela melhor tecnologia – a ponto de não conseguirem ver o desastre que estavam a provocar.
Repetiu-se, até à saciedade, que era preciso menos Estado e mais iniciativa privada, pois ele só servia para complicar e empatar. Seja como for, o Estado acaba de receber a maior consagração que se poderia imaginar e a economia de mercado, na sua expressão neoliberal, perdeu a aura fictícia da sua auto-regulação.
2.Começou, em Roma, no passado dia 5, a XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos da Igreja católica. Terminará no próximo dia 26. É cedo para comentar este acontecimento. Dir-se-á que o Sínodo dos Bispos não goza de grande prestígio. A colegialidade episcopal, uma redescoberta do Vaticano II, voltou a ser tão invisível como antes. No entanto, o tema – A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja – é primordial. Veremos se o compacto Instrumentum laboris (“Instrumento de trabalho”) será, de facto, operacional para que a Igreja redescubra a verdadeira natureza da evangelização do mundo contemporâneo, pois é, a partir desta, que ela pode renascer e reencontrara sua juventude.
Os textos da Bíblia são interpretados, pelos crentes, como testemunhos escritos, cheios de meandros, da revelação divina. Para os cristãos, a palavra humana de Deus é Jesus Cristo. Como diz Eduardo Lourenço, “Cristo é o momento (sem limite de tempo) em que a humanidade tomou forma humana. (…) Foi crucificado, não por querer ser deus, mas por nos ensinar o que era ser homem. Dois mil anos passaram sem que esquecêssemos nem aprendêssemos a lição. (…) No Ocidente não se levantou outro modelo cultural (e, mais além do cultural, um modelo existencial) mais profundo e mais radical do que o modelo de Cristo” (1).
3.Na perspectiva da liturgia deste domingo, a Igreja existe, precisamente, para testemunhar, na opacidade da história, que os seres humanos, todos os seres humanos, estão, desde sempre e para sempre, convidados por Deus para um grande banquete. Tanta generosidade, mesmo no estilo enigmático das parábolas, sabe um pouco a publicidade enganosa.
Num mundo de feira das religiões, de novos movimentos religiosos, de religião à la carte, de consumo de espiritualidades intimistas, o convite da liturgia de hoje ou surge como pouco adequado a esses consumos individualistas, ou como um sonho inconsistente.
Quem poderá tomar a sério, mesmo numa perspectiva escatológica, o belo sonho de Isaías? “No monte Sião, o Senhor do universo prepara para todos os povos um banquete de carnes gordas, acompanhadas de vinhos velhos, carnes gordas e saborosas, vinhos velhos e bem tratados. Neste monte, Ele arrancará o véu de luto que cobre todos os povos, o pano que encobre todas as nações. Aniquilará a morte para sempre, enxugará as lágrimas de todas as faces e eliminará o opróbrio que pesa sobre o seu povo, sobre toda a nação. Foi o Senhor quem o proclamou. Dir-se-á naquele dia: ‘Este é o nosso Deus, nele confiámos e Ele nos salva. Este é o Senhor em quem confiámos. Congratulemo-nos e rejubilemos com a sua salvação. A mão do Senhor repousará sobre este monte’” (Is 25, 6-10).
Podia ser o sonho de toda a humanidade. De facto, o seu horizonte não vai além do regresso dos exilados de Israel – o “povo de Deus” – ao monte Sião, a Jerusalém. Não ultrapassa as fronteiras do nacionalismo. A leitura cristã do Antigo Testamento vê nele o prenúncio do universalismo aberto por Jesus e incarnado a partir da intervenção de S. Paulo. Note-se, porém, que este universalismo irrestrito vai de encontro a uma das grandes orientações da religião de Israel centrada na criação e na aliança de Noé, uma aliança cósmica.
No Evangelho de S. Mateus, da Missa de hoje, acerca da controvérsia entre os que aceitaram o messianismo de Jesus e aqueles que o recusavam, a metáfora do banquete revela-se extremamente sugestiva (Mt 22, 1-14). Não é um texto anti-semita. Esquecemos que não só Jesus, mas também os autores dos Evangelhos e dos Actos e todos os seus primeiros seguidores, eram judeus. Se controvérsias há, e algumas são radicais, são desavenças de família. No entanto, quer para os que aceitam o messianismo de Jesus, quer para aqueles que o recusam, o “mundo parece continuar tão cruel, corrupto e caótico como antes”. Mas, se desistirmos de sonhar e trabalhar por um mundo em que não haja uns à mesa e outros à porta, é porque celebramos a Eucaristia em vão.
(1) Cf. Opção n° 97 (Março 1978) e Reflexão Cristã n° 42 (Dez.84/Jan. 85
Reflexões de Agostinho Vaz.Para onde vamos?
Publicado Outubro 12, 2008 Uncategorized Leave a Comment
Caro irmão Tozé Colaço:
Ao colocar a nossa página nos “favoritos”, fiquei com a impressão que esta é patrocinada pela Volkswagen, pois o logotipo da worldpress, é muito idêntico. Nunca seria demais sermos patrocinados por uma marca tão prestigiada. Mas… vamos ao que interessa:
- tenho reflectido na disposição e orientação do nosso blog, do qual és o principal mentor. Congratulo-me com a estrutura conventual que imprimiste, organizando o espaço em função do tempo de oração e meditação, que cada um de nós pode, espontaneamente, utilizar.
Foi, realmente, uma ideia genial. Até aqui, o nosso espaço, ou convento a construir com os “tijolos e pedras”, vem-se concretizando com a natural euforia e felicidade, por termos encontrado o local de encontros virtuais, que nos vai preparar para o Grande Encontro Anual.
O referido espaço, em construção, obedece a uma arquitectura por ti, bem concebida. Após o entusiasmo impulsivo sugiro que se reserve uma dependência do nosso “convento” para abordarmos matérias de cariz sócio-cultural, tais como: a nossa integração nas comunidades de origem, a relação com a Igreja local, com as forças vivas dessa comunidade, a nossa situação profissional, etc., etc.
Outro departamento poderia ser dirigido para as nossas vivências religiosas e possíveis dificuldades de testemunhos da nossa fé…
Iniciei este post, convencido que iria dar algum contributo, porém, neste momento, hesito em continuar, pois, sem querer alterar o formato inicial e espontâneo estarei, involuntariamente, a inclinar-me para o modelo de forum.
Diz o nosso povo que: -candeia que vai à frente “alumeia” duas vezes. Colaço,tu és a nossa candeia. Segue, rezando, como bem sabes; pela minha parte revejo-me, totalmente, na forma singela e directa com que modelas a oração. Direi mais: estás a contribuir, fortemente, para a minha reconversão!
Para que outros irmãos e companheiros de percurso possam projectar-se mais, neste espaço, entendo que seria interessante auscultar a nossa gente, sobre temas a listar, tais como:
1- Reformulação do modelo de Encontros Anuais;
2- Divulgação do blog a todos os Antigos Alunos Capuchinhos (por correio), utilizando a nossa base de dados;
3- Informações sobre o estado de saúde de companheiros, que estejam doentes;
4- Partilha de fotografias de grupo, dos vários anos;
5- Partilha de músicas e letras de cantos franciscanos, com cifras;
6- Partilha de cantos religiosos dos nossos autores capuchinhos portugueses, tais como: Frei Acílio Mendes, Leonel Ribeiro dos Santos, José Augusto Ramos,Constantino Sério Pereira, Ilídio Novais Matos Pereira, Frei Lopes Morgado, etc;
7- Os valores do humanismo cristão recebidos no Seminário e o nosso testemunho em sociedade.
Caros irmãos: desculpem lá este arrazoado de questões, mas ajudem-nos a erguer este edifício em conformidade com as boas práticas de construção. Venham daí mais achegas, ou mais tijolos, para construirmos a “nossa casa” e nela nos acolhermos à sombra do nosso patrono: Francisco de Assis.
Um abraço solidário do
Agostinho Henriques Vaz
A nossa reportagem esteve em Fátima, há minutos.Outubro, ou o outro milagre do…”irmão sol”!
No preciso momento em que o Cardeal de Vilnius, Lituânia, por volta das 18.30, abria as celebrações da 91ª Peregrinação.
Entre a assistência, uma mulher com a sua pomba branca, acompanhada de uma ramo de oliveira, chama a atenção dos fotógrafos.(Vai ser imagem, amanhã, pela certa. Roído de inveja, não consegui melhor plano do que este.).
Por mim, estava ali para dizer “Olá, Mãe.Muito obrigado pelo teu colinho.Em qualquer parte, sim, mas também aqui”. Por que não?!
Meu caro Frei Joaquim Lopes Morgado, desculpa lá, mas hoje não deu mesmo para pararmos. O que vale é que temos a porta sempre aberta, dia 13 como noutro dia qualquer. Ficam as saudades por saudar as plantas do vosso jardim.
ac
A chuva acompanha-nos no regresso à grande Capital.Todos os domingos, muitos regressos, na expectativa de que já não sobrem muitos mais para esse regresso outro há tanto tempo desejado. Às origens. Ao Portugal interior.
Por agora, as mil gotas que nos saúdam no vidro dianteiro como que nos refrescam as ideias. A reflexão de Agostinho a bailar-me na cabeça e de mil e uma gotas feita. Disciplino-me. Venham de lá esses contributos.(Às 0h desta segunda, nenhum correio.Explicarei.)
Boa noite.Uma outra forma de rezar.
ac
Sabes a vontade que sinto, bom Deus, na aridez da crise que grassa de dar dois simpáticos murros na mesa.
Tudo porque uma semana depois os meus irmãos tardam em perceber que este espaço é deles, dele devem dispor como bem entenderem, aqui devem entrar quando e como bem quiserem, dando conta do seu dia-a-dia, partilhando a suas dúvidas, celebrando as certezas, aplaudindo e incentivando a diversidade dos olhares sobre a realidade, invocando, ou não, o Teu nome – há dias li, e cito de cor, que Tu até agradecias que não te incomodassem se o invocar-Te fosse incómodo para quem o faz, numa manifestaçao do Teu amor e respeito pela nossa liberdade – mas tudo, em nome da grande necessidade que descobrimos, este ano, em Gondomar, de recorrermos à Net como forma de preencher o vazio de um ano até ao próximo encontro.Daí o chamar a este, um “Lugar de Encontro”! É evidente que as nossas vidas não se esgotam na net, mas, quando, por vezes, esgotamos o nosso tempo na net e dela saímos mais que esgotados porque procuramos nela a vida virtual, porque persistimos, inconscientemente, quero acreditar, Senhor – e bem sabes do que, felizmente, já posso falar – em fugir ao empenhamento na vida real, assim, de facto, nem o irmão sol, nem o que quer que seja poderá ajudar-nos a superar aquela sensação com que saímos dos Encontros, tipo, “mas… o que é fui lá fazer”?!Para o ano já não me apanham cá!”
Ajuda-me a fazer-lhes ver, Senhor, que eu também tenho mais que fazer mas que isto me tem estado, também, e por isso Te agradeço, a fazer muito Mais do que eu próprio imaginava. Que nenhum deles julgue que este é o meu mais recente brinquedo e que só quero é mandar nas regras do como jogar com ele. Sabes bem como aceitei os quase quatro anos afastado dos blogs e que estou nas Tuas mãos para o que quiseres de mim fazer. Sei que concordas connosco nesta aventura, faz, então, que entre nós concordemos, também,em aventurarmo-nos um pouco mais. Sabes bem como corro, com insistente avidez, ao irmaossol@gmail.com para de lá escavar, qual mina diamantífera, as últimas e mais recentes pepitas que regresso a colocar nesta nossa montra colectiva.É por isso que te agradeço, também, todas as preciosas colaborações que já vieram desde Timor a Fafe, desde Santo Tirso, ao Porto, a Lisboa, com passagem obrigatória por Fátima.
Deixo-te, Senhor, com esta preciosa urze, ontem captada, algures, para as bandas de Mação. Ela é a garantia de que, mesmo na aridez dos dias de mil e uma pedras feitos, o Milagre da Beleza da Tua Criação acontece.
Obrigado.
ac
Pe Anselmo, qem o não reconhece?
Aquela simplicidade que saltava dos olhos e escorria pelas barbas e por todo o “apessoamento” do Pe. Anselmo!…
É o que me vem à cabeça perante a leitura do teu desabafo de hoje, Colaço. Medo, receio, desencanto – é o que temos de raiz. O que nos falta – tantas vezes! – é coragem.
Tem-me dado tanto jeito aquele dito do Pe. Anselmo! Em tantos momentos!
Vamos em frente, Colaço. E há tanto contributo por aí à espera de um momento para despontar.
Talvez seja também uma questão de “coraggio”, já que ”paura non manca”.
Obrigado pelos momentos que partilhas. Sabem à Natureza acompanha a tua oração.
O Agostinho alargou horizontes.
Será também oração partilharmos memórias, experiências, vivências.
No percurso que nos foi comum em tempos, ou, no caminho que se abrindo ou rasgando vai, à nossa frente…
Até breve.
Sério
Nota
Mais palavras para quê, meu caro Sério?! Do que precisamos é da multiplicação de … mais Sérios. Sim, uma ansiedade sã de querer dar imediata conta do que se paassa no quotidiano íntimo e exterior de cada um esteve na origem do desabafo. Nada mais.
O irmão sol fará o seu percurso ao ritmo da vontade dos seus colaboradores, que somos todos nós. Rezará, quem quiser rezar, evocará o passado quem quiser evocar o passado, falaremos do presente de cada um e de todos com queira falar, leremos e debateremos os temas que cada um quiser ler e debater.
Não, não estamos aqui à espera do próximo encontro. O Encontro é aqui, ou nalgum outro sítio, para onde, espontaneamente, o Espírito nos congregue, mas sempre com a ideia de que tudo é possível, todos os dias.
Pimva! como diria o nosso querido Jockin Afonso.
Para ti, Sério, toma lá um doce, que deves partilhar com o João Paz:
Já podemos anunciar a surpresa, Sério?
O quê, ainda não?!
Sim aquela ideia de te pormos no You Tube a cantar o….
Shiu, meu! Se é surpresa não podes revelar.
És mesmo um ansioso, pá!
ac
Meu caro Acílio, julgavas que nos escapavas, mas enganaste-te.Aqui no irmão sol nada nos escapa.Sabemos tudo, por isso, apesar do atraso, chamo ao palco o Coro contratado ( a peso de ouro, diga-se, embora para menores leigos, desobrigados do voto….e por ser para ti!) para cantar os parabéns na versão cá da casa: O que os anos nos fazem, quando fazemos anos! De seguida publicamos o mail que também tivemos o privilégio de receber do Acílio, ainda o irmão sol não tinha nascido mas já “estremecia” no nosso ventre, como Maria no Magnificat! Que contes muitos e…(vê lá se começas a colaborar, tá?!).
Saia o Coro:
(E agora, o texto que Frei Acílio Dias Mendes enviou para a sua mailing list e que, aqui, recuperamos, de tão delicioso!)
Bom Dia,
Com Paz e Alegria!
As surpresas que o Pai das misericórdias nos tem reservado!
É verdade que a entrada na TERCEIRA IDADE
foi algo surpreendente e jamais esperado!
Depos de uma hora e quinze minutos de FADOS,
na Praça do Município do Funchal (a celebrar 500 anos)
pela voz quente, sonora e empolgante da Ana Moura,
ainda me estava reservada a estreia numa Casa de Fados, e aqui é que veio a surpresa; ao iniciar os primeiros minutos dos 65 anos, os quatro os cinco Fadistas (amadores!) cantam os PARABÉNS a um (seu) desconhecido! Mas a iniciativa era auspiciosa!
É verdade que desde esse sábado, comecei a rezar – com mais fervor – o «SALMO DOS MEUS ANOS» (65), segundo uma bela inspiração de um miúdo que, na altura andava pelos treze. São verdadeiramente proféticos estes versículos:
«Coroas o ano com os teus benefícios,
por onde passas brota abundância.
Vicejam as pastagens do deserto,
as colinas vestem-se de festa,
Os campos cobrem-se de rebanhos
e os vales enchem-se de trigais,
Tudo aclama e grita de alegria.»
(Salmo 65, 12-14)
O segredo foi finalmente desvendado!
Ontem tocou-me fazer o percurso Fátima – Porto.
De autocarro, que é mais tranquilo e económico.
Na Rede Expressos.
Timidamente pergunto se há desconto
para a Terceira Idade.
Os tais privilégios deste Mundo!
Oh! Surpresa das surpresas!
Jamais tinha imaginado semelhantes benesses
da nossa Sociedade.
Pasmem-se!
O preço total do percurso eram 15,50€.
Sim, senhor. Há um desconto.
São exactamente 80 cêntimos.
Sim. Oitenta cêntimos!
Apeteceu-me gritar ao mundo inteiro:
«Alegrai-vos comigo! Sou um felizardo!»
Compreendo que oitenta cêntimos
não tenham grande expressão
no orçamento de um Bill Gates
ou de um Américo Amorim
ou do Cristiano Ronaldo…
Mas, na bolsa de um pobre frade menor franciscano,
80 cêntimos têm um peso de inegável valor…
Conservo o bilhete comigo. Qual relíquia sagrada.
É o nº 405.01.43697. Lá consta o ferrete «3ª IDADE».
Para que não haja dúvidas
e não venha, mais tarde, a ser acusado
de corrupção activa ou passiva.
A viatura é a nº 50.
Também o lugar é o nº 50.
Pois. Lá atrás, no «galinheiro».
Ainda pensei perguntar o nome do motorista
e, à chegada ao Porto,
convidá-lo para umas ‘tripas à moda do Porto».
Oitenta cêntimos – bem administrados – até dão para estes pequenos luxos.
Pelo caminho fui assaltado com alguns maus pensamentos. De soslaio, olhava para alguns companheiros de viagem. Sobretudo para os mais novos.
Não poderiam eles queixar-se de mais um cota (ou tecla 3) que vai roubando alguns cêntimos ao erário público?!…
À minha frente viajavam duas jovens
animadíssimas na sua conversa.
Nas duas horas e cinco minutos de viagem,
talvez tenham feito um muito prolongado silêncio
de dois minutos. Ou talvez minuto e meio.
Foi à passam por Gaia.
Quem sabe se a pensar no Filipe Menezes e na Manuela Ferreira Leite…
Falaram de concertos e de música e de namorados e de outros meandros da vida…
Felizmente, não me apercebi que tenham aflorado o assunto dos velhote sanguessugas deste nobre Povo, nação valente e imortal dos teus egrégios Avós…
Ao passar pela minha cidade de Coimbra,
o pensamento fugiu-me para a tromba de água
que pôs em pânico alguns moradores e comerciantes.
Mas era tal o meu contentamento com os 80 cêntimos
que me foi difícil esboçar um sentimento de solidariedade para com as vítimas destas «trombas»…
Porque há outras trombas que provocam outras vítimas…
À noitinha, no aconchego do quarto,
soube-me bem aquele penálti da minha briosa Académica, arrancando três preciosos pontos ao Vitória de Setúbal.
Era o coroar de um Domingo cheio de sorte!
Está desvendado o segredo:
É «A FORÇA DA MUDANÇA».
E ainda há quem se queixe
desta Sociedade Livre, Democrática, Solidária…
Uns ingratos e maus.
Da minha parte, continuarei,
ao longo destes 356 dias,
a cantar o Salmo dos meus anos:
«A TI, Ó DEUS, É DEVIDO O LOUVOR EM SIÃO!»
Assim Deus me ajude
e o Governo não me desampare|
Ámen. Aleluia!
O abraço fraterno e amigo,
frei Acílio
Por isso, aqui vai um passatempo ao melhor jeito do “Veja as diferenças”!
NOTA – Na primeira foto, Frei Firmino Ribeiro, o primeiro da esquerda, na segunda fila, ( por onde andas, meu? Firmino é irmão de Leonel e Arménio, os Ribeiros de Abiúl!) evidencia uma valente “carecada”!Por acaso o autor foi, nem mais nem menos que o escriba de serviço. As desculpas, Firmino, quase 30 anos depois!
Barcelos, Noviciado, 1969.
Gondomar, 2008.
Peço desculpa ao pessoal do meu ano por tomarmos a dianteira, neste saudável exercício de expormos, assim, em público, o que o tempo em nós foi operando…
amtónio colaço
Já depois de editado o texto dedicado aos 65 anos do nosso querido Frei Acílio Mendes, fomos informados de que se encontra em franca recuperação de delicada operação à vista.
A redacção do irmão sol compreende, agora, porque é que Acílio ainda não tenha dado um ar da sua graça aqui por estas bandas e fica a torcer para que, tão rápido quanto possível, Acílio regresse ao quotidiano. Até podes compor um tema – sim, tu compões quer de olhos fechados quer de olhos abertos, irmão – e fica garantido que publicaremos em primeira mão a tua primeira visão melódica. Força, Acílio!
ac
Acaba de sair a conceituada revista mensal EGOÍSTA, editada pela Estoril Sol e de que é director o conhecidíssimo Mário Assis Ferreira.
A EGOÍSTA, de um grafismo de meter inveja a qualquer apreciador destas matérias, assinala a sua edição de Setembro, trazendo na sua capa …. um pequeno saco de plástico com …duas sementes de … girassol:”Plante uma semente, ofereça a outra!” Afinal, a nossa iniciativa de levar sementes de girassol para Gondomar até nem foi uma má ideia.
O que é preciso, mesmo, é proclamar o amor pela nossa Irmã Terra e tratá-la bem para que, na volta, ela nos trate ainda melhor.
ac
Tu é que vens com cada surpresa, Colaço!
Esta foto!!! O Pe. Anselmo, o Pe. Carlos, o Pe. Miguel! (saudade de tantos que me souberam acompanhar o crescimento… e de tantos outros…) o Pe. Zé Lopes (parece-me), o Pe. Zé Machado Lopes, o Morgado (não falo do Martins nem do Luís Gonçalves…) Lá atrás, o Pe. Rafael de Serafão!… Que idade terá a foto?!… É que me parece o D. António Ferreira Gomes!… Algum acontecimento no Amial…
A gente deita prà í uma gota e.. o irmão sol transborda!
Ainda me atarantam as TIC… Gostaria de aprender a fazer render este local de encontro… Para já, com algumas achegas.
Até já.
Sério
As palavras acima transcritas são do menino Sério que, infelizmente não pode estar em Gondomar.Foi lá que lançámos o livro “50 anos dos Capuchinhos em Gondomar”!
E agora, como é que o menino Sério se vai sair desta?!
Mas para que não te falte nada e possas passar no teste… aqui vai a resposta à pergunta acerca da foto que te emocionou – a quem não emociona a recordação do Frei Anselmo? Deve andar guardado lá para a mala do sótão, na minha selecta Latina, um longo e alvo pêlo da barba do nosso santo, tantos eram os que ficavam na aula dada a constante “fiacção” a que se entregava!!! – ou seja, está na página 83 do referido livro ( pedes a Morgado? À Difusora? Quem nos responde? ) e a missa refere-se à inauguração de…Gondomar!! Sim, é o D. António Ferreira Gomes. São visíveis, também, Frei Fernando de Negreiros.
Como és bom aluno, aqui vai, com o patrocínio da confeitaria Agostinho Vaz ( dono das fotos!!! ) mais um doce. Um momento para recordarmos o nosso saudoso António Paz.
Paz à sua alma.
ac
Mação, Penhascoso.Ribeira Coadouro.
O irmão sol começa a funcionar como uma verdadeira ponte entre as nossas vidas, entre as margens de que são feitos os nossos muitos quotidianos. Obrigado, Senhor, pela luz com que me tornas esta realidade mais perceptível, escolhendo continuar a caminhada de mãos dadas com o Irmão Optimismo deixando de lado o inomeável pessimismo.
Estou seguro de que, hoje, começaremos a dar passos mais decididos no sentido de investirmos um pouquinho mais na abordagem do que é que cada um de nós faz, no hoje de cada dia, por onde é que anda e que sonhos acalenta, ainda, sem que com isto deixemos de matar as tantas saudades do que fomos, revisitando, sempre que cada um quiser, os “dias andados”, os trilhos percorridos e, mesmo, as esperanças adiadas. Move os corações e as vontades de todos nós, Senhor, encaminha-nos para os baús onde guardamos fotos, textos, e outros inimagináveis apêndices ( por ex. alguém levou, aquando da saída, o seu hábito? Tem foto? Alguém tem uma edição da revista Sinal+, Ideal, ou um livro de cânticos, um terço feito por si, um…”cilício”,sei lá?! ) que possamos partilhar? Regressando aos dias de hoje, alguém tem artigos escritos sobre um tema que queira ver debatido, ou artigos guardados que queira partilhar?
Vem, ilumina-nos, sê Tu a nossa verdadeira ponte entre passado e presente. Faz com que nunca de Ti estejamos ausentes.
ac
“Se queremos crescer, mudar, explorar novas condutas e possibilidades na nossa vida, se queremos deixar de fazer coisas que não funcionam, há que deixar de ser memória para ser criadores da nossa vida.”
É um primeiro texto para leitura que tomo a liberdade de partilhar.Aqui e ali, sinto que as nossas incursões pelo passado ainda causam em alguns de nós algum desconforto. De facto, por muito que algumas coisas tenham corrido menos bem, hoje, sabemos que não podemos mudar o passado e sim, o modo como olhamos para ele. Tudo isso passa por desinstalarmos das nossas cabeças – para recorrer à linguagem informática – alguns programas mais que desactualizados. Claro, para lá chegar é preciso tomar consciência de tal facto. Este artigo, que tomei a liberdade de traduzir do El País, com as desculpas para algumas insuficiências de estilo, e que tomo a liberdade de partilhar, pode ajudar a perceber melhor o que é, e o que fazer com essa terrível ferramenta chamada mente que ao longo dos anos, muitas vezes, tomámos como sendo a nossa verdadeira identidade. De facto, “não somos a nossa mente” somos, sim, quem lhe determina o que a nossa Consciência sente. Em suma, não é a nossa mente que nos comanda somos nós, em Consciência, quem nela manda.Não é ela que nos condiciona, somos nós que, conscientemente, lhe ditamos as condições. Fim, pois, ao reinado da mente condicionada. Sim a uma consciência cada vez mais Iluminada. Sabemos do que falamosVoltaremos a este assunto.
ac
NÃO DEIXE QUE A MENTE
O TORNE LOUCO
Sim.Pare.Não dê mais voltas à cabeça em espiral.
Acabará obsessionando-se e angustiando-se.
Deve ter algo muito claro: pensar não é fácil.
Mas, fazê-lo bem também se aprende.
Xavier Guix
(El País Semanal – 6 Jun.08)
Por estas alturas do conhecimento sobre a conduta humana, já não há lugar para mais dúvidas:O problema é a faladora mente. Ou, talvez, o que fazemos com ela, que não é outra coisa senão atormentá-la à base de pensamentos.
Deixemos claro, pois, que não é a mente a má da fita, e sim o nosso inquisidor afã em pensar tudo.
Somos o que pensamos.
Não podemos deixar de acreditar naquilo que nós mesmos criámos.
Sem darmos conta, criamos aquilo em que (depois) cremos.
Antes de penetrarmos nos meandros mentais, convém recordar que pensar não é um acto gratuito. Necessita de um investimento energético que, por sua vez, gera mais energia. Não em vão acabamos esgotados de “ tanto pensar”.A mensagem que não devemos esquecer é que essa energia que gera o pensamento, igual à que geram os estados emocionais, traduz-se numa vibração pessoal, numa bola de informação que se lança no universo. Dito de outro modo: o pensar gera estados internos ( demo-nos ou não conta ) e os ditos estados emocionais geram uma vibração pessoal que vai mais além de nós próprios. Captamo-la nos outros assim como somos também captados.
PENSO LOGO DUVIDO:O escritor e filósofo Henri Fréderic Amiel dizia:” O homem que pretende ver tudo com claridade, antes de decidir, nunca decide”. Para seu entretenimento, a mente necessita sempre, pelo menos, de dois pensamentos em conflito.
Metidos nesta dualidade, as nossas vidas padecem do síndrome da dúvida, ou seja, que algum medo nos está atrapalhando e por isso começamos a especular.
É impossível apagar o fogo com mais fogo.
Como explica Jenny Moix Queralto, da Universidade Autónoma de Barcelona, nós, os humanos, temos tendência à generalização, à etiquetagem para ordenar a realidade. Assim, a mente converte o que é uma simples situação, mais ou menos desagradável, num problema. Caímos no jogo de pensar que, se estivéssemos noutro lugar, se tivéssemos outra namorada, ou mais dinheiro, se pudéssemos fazer isto ou aquilo, sentir-nos-íamos melhor, aguentaríamos os temores actuais.
Tal pensamento é uma bomba de relógio: mete-nos na necessidade de resolver esse problema e impede-nos de aprender a aceitar os momentos e situações pouco agradáveis.
DEMASIADA ANTECIPAÇÃO. O maior privilégio e o pior pesadelo da nossa mente é a sua capacidade de fazer representações de tudo e logo movê-las pelo tempo como se fôssemos directores do nosso próprio filme. Essa maravilha a que chamamos imaginação pode converter-se de repente no túnel do terror. Se o passado nos condiciona, a antecipação do futuro mete-nos em duas complexas dimensões: as altas expectativas e os medos de um destino dramático, ou seja , sofrer antes da hora.
O curioso do caso é que tanto um como o outro não existem na realidade, não estão sucedendo! São só alternativas dentro de um mundo inteiro e inacabável de possibilidades.
Mas as representações mentais são tão reais dentro da nossa cabeça que, por fim – os estudiosos do tema investigaram-no e chegaram à conclusão de que o cérebro não distingue tão claramente o que está ali fora do que é uma montagem interior. A mente espraiou-se pelo futuro e traz de volta a pior das opções. E fá-lo precisamente por isso, para estar preparados caso venha a ocorrer.
Científicos norte-americanos descobriram que a mera preocupação pelo que possa vir a acontecer grava-se no cérebro com a mesma intensidade que uma recordação negativa real, inclusivamente antes que aconteça. Ou seja, a preocupação pode converter-se na recordação de um acontecimento que ainda não tenha acontecido. Quando alguma coisa nos preocupa, activa-se um “circuito do medo” que amplifica o medo de voar ( ter iniciativa) ou a falar em público, e condiciona assim os nossos comportamentos futuros. O estudo sugere que quanto mais tempo passe pensando na própria intervenção ou próximo voo ( iniciativa), a memória da referida preocupação ficará mais fortemente gravada quando tenha passado, o que, por sua vez, provocará que a seguinte antecipação seja ainda mais angustiante.
MALDITAS COMPARAÇÕES. Outra das nossas habituais distracções consiste em fazer comparações. Isto não teria nada de mal se as comparações tivessem o propósito de aprender. Mas… as comparações acabam por ser odiosas porque não têm outro propósito que não seja o de nos culpabilizar, envergonhar, humilhar por não sabermos fazer tão bem como os outros, fazendo-nos sentirmo-nos inferiores. Estamos perdidos. A mente traidora há-de recordar-nos diariamente, a cada instante, o que deveríamos ser que ainda não somos. O que deveríamos fazer e que ainda não fazemos.
O EFEITO REBOTE. Conta-se que um professor disse a um aluno:”Vê-te de cara para a parede… e não te voltes até que deixes de ver na tua mente um elefante branco”.O aluno lutou para eliminar essa “dichosa” imagem do elefante branco, porém, quanto mais se dizia a si próprio que não a queria ver, mais presente estava no seu cérebro.
A nossa mente não entende o não, a negação. O que não queres ver, já o estás a ver. A este fenómeno convencionou-se chamar “efeito rebote”. A nós, psicólogos, é-nos útil para contar como algumas estratégias erróneas do controlo da ansiedade se baseiam neste efeito. As pessoas que se angustiam com frequência caem no rebote quando pretendem negar os primeiros sintomas da ansiedade. Chegam a obcecar-se mandando ordens ao cérebro, para que não comece de novo o rosário de pensamentos antecipatórios e dramáticos que os fazem sofrer. Porém, estão tão dependentes dele, tão hipervigilantes, que a única coisa que conseguem é rebotá-los (recomeçar tudo de novo).
SOMOS CRIAÇÃO OU SOMOS MEMÓRIA. Persistimos cair na trampa de acreditar que o que fazemos, pensamos e sentimos é produto de cada momento, quando, na realidade, é produto do nosso passado.
Se queremos crescer, mudar, explorar novas condutas e possibilidades na nossa vida, se queremos deixar de fazer coisas que não funcionam, há que deixar de ser memória para ser criadores da nossa vida. E, sobretudo, há que deixar em paz a essa mente que pode ser o nosso pior pesadelo por culpa da sua voracidade.
Alguém tinha de dar o primeiro passo para demonstrar como é que isto nos pode ajudar a perceber por onde andamos e o que fazemos.
Pronto, o escriba, correndo todos os riscos de sobre ele desabar meio mundo, abre as portas ao seu quotidiano profissional com um pequeno salto até às berças onde passa os fins de semana.
Mais do que um qualquer deslumbrado protagonismo ( está quase na reforma e ambições políticas, ou outras,não tem, sendo que a ser útil é que se sente bem, como nesta árdua tarefa editorial.Ou seja, saio já de cena!!!).
Serve isto para dizer que ficamos à espera de que vocês próprios nos enviem a vossa própria reportagem sobre o que fazem, poir onde andam o que não quer dizer que um destes dias não apareçamos de surpresa, por ex. na Faculdade de Letras e ali “apanhemos” o Leonel Ribeiro ou o José Ramos leccionando as suas cadeiras, ou subamos a Pombal e ver o que o Firmino anda a fazer, ou o Arménio, ou o, o, o.
Tenho a sorte de ter sido entrevistado para o Parlamento Global, em S.Bento, onde trabalho e coordeno o gabinete de imprensa do PS e, depois de quase duas horas de entrevistas, deu isto.
Divirtam-se e, se quiserem, lá podem também ver isto, ou isto, e ainda isto, para finalizar aqui, embora este último trabalho tenha sido desvirtuado com a ordem das fotografias,( oh, pra mim tão modesto!).
Por favor, não me deixem sózinho no palco.Quem é o próximo?
ac
Lisboa,2005. As famílias Vaz, Afonso, Colaço e Filomena. Rito e Acílio, também.
De facto, não estamos sós. O mérito destes Encontros anuais é, também, o de constatarmos em que medida, cada um de nós, tendo seguido por outros caminhos, jamais perdeu a noção do Caminho, ou, tendo-a perdido, não O ignora, e a ele regressamos para, durante umas horas – ou, agora, por este meio on line, SEMPRE, em contacto – melhor e mais acompanhados nos sentimos. Também as famílias que constituímos sentem que, por esta via, são parte integrante de todo um património vivencial que lhes compete prolongar.
Pelo seu presente, acrescentam mais vida ao nosso próprio presente. Como quem diz “lembrai-vos: estais aqui reunidos não só para recordar o passado, mas para reafirmar um presente de que também somos parte. Agora, tudo o que se passa, também se passa connosco“!
Frei Lopes Morgado e seu irmão (manda aí o nome, meu!).
A filha de Constantino Sério e sua neta. Venham de lá os nomes (Isto é o que se chama jornalismo em directo!)
Almoço em Gondomar, este ano.Alguém identifica nomes? Venham de lá eles.
Carlos Rito, Agostinho Vaz, Joaquim Afonso e…?
Arménio e sua mulher…. para além de um desfocadíssimo Sério (desculpa!).
Agostinho Vaz e sua prole.Nomes, Agostinho? E os outros?
Frei Lopes Morgado, Rito, Vaz, Colaço e sua mulher Filomena. E mais…?
Vêem. Os vosso nomes podem estar “inscritos no Céu” mas não no blog por…desconhecimento. Alguém que ajude.
ac
Memória.O Teresinha,o lagarto e as asas dele
Publicado Outubro 15, 2008 Uncategorized Leave a CommentEsta patente nos corredores do Palácio de S. Bento, durante todo o mês de Outubro, uma exposição colectiva de artistas cubanos. Clic no link que verá a respectiva reportagem.
Mas por que é que a convoco para aqui, nomeadamente, pela mostra deste quadro de Agustin Bejarano -Mentes Flotando? Porque ao explicar a um colega de trabalho, sem dar por ela disse-lhe adoro estes dois quadros mas este, aqui, faz-me lembrar O Teresinha. E lá expliquei que no meu ano de noviciado, 1968/69, costumávamos visitar os doentes com deficiência mental, do Hospital de S.João de Deus, em Barcelos. Em regra tínhamos que cumprimentar, sempre, o Teresinha. Sentado no seu banco de jardim, em posição yoga, inclinava, repetidamente, o tronco num vai-vém que nos incomodava. Quase sem me fixar, naquela tarde, ao perguntar-lhe como estava, disse-me “frei Colaço, esta noite sonhei que me apareceu um lagarto com asas que me disse:Teresinha, forma-te em bioquímicas e…casa-te”!!!
Aqui está, como, sem querer, tropeçamos no passado tão forte foi o presente dele.
Venham daí, também, as pequenas historinhas dos vossos teresinhas.
ac
Mação.( Vês? Como serão as noites no largo da tua igreja natal? Envia fotos.)
Obrigado, Senhor, por mais um dia cheeeeeeeeeio. Na memória, porém, a conversa comsabor a vazzzzzio de um colega, cuja identidade preservo, e que passa, neste momento, lá para os arrabaldes de Gondomar, por uma situação de quase falência da empresa onde trabalha, há mais de trinta anos.”Má gestão”, diz. E a gente abençoando o milagre de um posto de trabalho.
Na memória, ainda, a conversa de um outro colega a quem, solicitado para enviar fotografias, textos, o que quiser – sim, sei que estou a ficar demasiado cansativo, mas tem de ser, para que isto seja de todos - me disse, ” sim eu tenho, mas …. são só dos do meu ano!!! Mas, claro, é o que queremos. Se todos mandarem as coisas dos seus anos, temos os ANOS TODOS, DE TODOS.
No vazio dos nossos dias, lembra-nos que só Tu podes preencher-nos. Boa noite.
ac
Mação, nascer do sol.Serra do Bando
Faz com que nada perca das surpresas que tens preparadas para mim, sobretudo, a de continuar a acreditar que, Tu , és as a única Certeza em mim. Faça sol, chuva ou frio, embrulhado, Contigo, nenhum arrepio, nenhuma melancolia. Sim, Tu és a Alegria de que preciso para mais um dia cheio de partilhado e fraternal sorriso.
ac
Última hora.Já estamos ligados/linkados aos Capuchinhos
Publicado Outubro 16, 2008 Uncategorized Leave a CommentFrei Hermano Filipe acaba de nos ligar/linkar à página da Ordem dos nossos queridos Frades Menores Capuchinhos. É um momento bonito, que agradecemos. Afinal, como dissémos desde a primeira hora, queremos fazer parte, somos parte da grande família franciscana em qualquer parte em que a vida nos encontre. Que a Ordem connosco…conte! Sempre!
Todos os motivos para partirmos, assim, mais animados para um novo dia! Obrigado!
Não queremos fazer de conta e, sim, que façam conta connosco!
ac
António Lobo Antunes fascina-nos, de entrevista para entrevista. De facto, o ALB resingão, com tudo e com todos, depois da experiência de vida – um cancro no intestino - por que passou ficou para trás.
É imprescindível a leitura da última entrevista “Pública” (12,Out,08).De lá respigamos: “Tive a sorte de ter um bom sistema imunitário e acho mesmo que Santo António me protegeu.É engraçado a relação com Deus. Dantes zangava-me quando via a morte de crianças. Agora já assisto a isso melhor. Como aceito a minha. Que é que vai ficar de mim? Livros. Já não é mau. Já não é mesmo nada mau se eles forem aquilo que eu acho que eles são.”
E ainda: “O meu pai morreu há quatro anos, e muito mudou em mim – até estar em paz com ele. Está a ver como fiquei muito mais terno com a doença? Estar aqui sentado já é uma festa. Haver sol. Eu não tinha isto. Agora sinto-me em paz comigo.”
E à pergunta ” O que é que mudou com a doença, ou seja com sombra da morte?.
A resposta de ALB: “Aldrabices, mentiras, jogos, em nada na minha vida – nem nos livros. A doença foi fucral”.
Mas, Lobo Antunes dirá, ainda, e acerca dos cuidados com o corpo que não tinha:
“Tinha medo de fazer um exame e ter qualquer coisa – não me apetecia. E agora periodicamente faço exames a tudo, fígado, rim… Fiquei surpreendido: estava tudo tão bem. Como é que diz o S. Francisco de Assis? “Confesso que pequei muito contra o meu pobre irmão corpo.” A grande lição são as pessoas.( ALB fala dos tratamentos de quimio e radioterapia) Pessoas que sabiam que iam morrer.Às vezes, tinha vergonha:”Eu vou viver, eles vão morrer”.
Uma celebração da vida.
ac
Sou Armando Pinto, um antigo seminarista, que estive em Gondomar entre Setembro de 1965 e Junho de 1969. Tive lá um irmão, mais novo um ano, Fernando Pinto, e um primo, o António Rosário, mais velho. Conheci bem o Agostinho Vaz, o Luís Marques, mas outros não. Já tentei contactar o Agostinho, mas o número de telemóvel que consegui não atende. Gostava de adquirir o livro dos 50 anos… Se os comentários neste blog estivessem activos podia comunicar.
Parabéns por este espaço.
Armando Pinto
NR – Olá Armando. Em boa hora nos contactas, porque, ainda hoje, vais ter oportunidade de falar com o Agostinho Vaz. Vai ao teu mail e…verás! E não podemos ter uma foto tua , do tempo de Gondomar e hoje, outras tantas, da actualidade. Que fazes? Onde vives? Isto começa a funcionar como verdadeiro Lugar de Encontro.
Como vês, por enquanto, o gmail é a porta de entrada para comunicarmos. Os comentários avançarão quando tivermos os alicerces da casa mais consolidados. Como sabes, a net tem as suas vantagens e, por enquanto, não queremos sofrer com as desvantagens.
Tão breve quanto possível, também iremos disponibilizar as chaves de edição directa do irmão sol. Até para facilitar a vida aqui ao escriba de serviço. Passo a passo, avançamos, e ninguém ficará sem resposta. Obrigado e ficamos à espera de mais colaboração.
Quanto ao livro,creio que em Fátima poderás encontrá-lo. Vai ao link que temos ali em baixo para a Ordem, ou, aqui, pronto, e vê a morada. Frei Morgado deve saber como. ac
Vista Parcial Refinaria Kazakhstan
A Vida tem destas coisas…
Caro Irmão Colaço, (em particular). E caros irmãos e amigos, (em geral). Confesso que nem sei por onde começar. Vamos ver se eu consigo pôr as minhas ideias por ordem. Antes de mais Colaço, vais desculpar-me, mas vou tratar-te por tu, embora me vá custar, pois em tempos idos apanhei o hábito de tratar todo o mundo por Você, mas quero modernizar-me. (Os meus 9 netos também me tratam por tu). Quero desde já felicitar-te pelo excelente trabalho, (Não sei se alguém fazia melhor. Eu não. Nem sabia por onde lhe pegar…), de tornar possível o “Irmãos Sol”, e, ao mesmo tempo agradecer-te o tempo que vais retirando à tua vida privada para dares vida a esta Casa. Praticar o Bem é gratificante. Sei que não te arrependerás, ainda que o desânimo te bata à porta.
Mas, afinal, quem é este tipo, que está aqui a deitar faladura e não se identifica? Eu disse, que não sabia por onde começar.
J. Casais No trabalho Kazakhstan
| J. Casais Com o Tradutor Kazakhstan |
Alguém ainda se recorda do João Ponte Casais? Entrei para o Seminário, em Poiares, no ano de 1955. Estive lá 3 anos lectivos, (55-56, 56-57 e 57-58). Em 1958 comecei o meu 4º ano em Gondomar. Disse Comecei? Sim. Porque não acabei…Fui expulso…Não me perguntem porquê, pois nunca me foi dito porquê. Sei que está para fazer 50 anos que subi a Avenida das Camélias a chorar…acompanhado, salvo erro, pelo Saudoso Pe. Fulgêncio que me veio trazer à Estação de Campanhã e me comprou o bilhete de comboio, e me despachou para Barcelos, onde o meu falecido pai me esperava, e me levou para casa, em Cristelo.
Continuar estudos? Nem pensar. Eu fazia parte da família mais pobre da minha aldeia. Solução? Começar a trabalhar de carpinteiro com o meu Pai.
Os 3 anos a seguir à expulsão, foram de desânimo e revolta. Todas as portas se fechavam para mim. Contudo, quero aqui publicamente deixar-vos o meu testemunho: Se não fosse a Fé Sólida Adquirida, durante os 3 anos e pouco, que passei no Seminário, acredito seriamente que não sei se teria vencido as adversidades, que me foram surgindo ao longo da vida. S. Francisco protegeu-me. Obrigado.
João Casais Canada 01-01-2008
19-09-2008 J.Casais e Miquelina 44 Anos de Casados
J.Casais, Esposa Miquelina e Neta Kelly Aeroporto de Toronto

Em Cristelo Barcelos À espera do Regresso às origens
Precisamos de nos conhecer melhor, uns aos outros. Só conversei com 5 ou 6 dos presentes. Mas não devo queixar-me, porque por razões óbvias, não me tem sido possível estar convosco nos encontros. Até breve.
NR- Ora aqui está um tijolão de todo o tamanho. Não há distâncias . O que torna mais exigente colaborações futuras. O João tem o seu mail assinalado na lista que enviamos por outras vias. Quem quiser entrar em contacto, caso o tenha perdido, escreva-nos para o irmaossol@gmail.com.
O escriba fica aguardar as prometidas novidades.Muito obrigado João.
Viva a minha gente!!!
Não, Colaço; ainda não é desta que vais ler a história que te fascina…
Por falares no “Teresinha” veio-me à mente a imagem hilariante de uma cena passada, precisamente, durante um jogo de futebol que decorria entre nós e os noviços espiritanos da Silva. Já não me recordo do resultado do jogo, nem da sequência do mesmo, quando, repentinamente, se ouviram gritos e ameaças, junto à barbearia. Os irmãos de S. João de Deus acudiram, conjuntamente, com alguns funcionários, na tentativa de serenarem os doentes que se envolveram numa cena de pancadaria. Mas tudo não passaria de uma arruaça contra o barbeiro que estava no desempenho do ofício, quando o nosso jogo foi interrompido. É que, o dito “Teresinha” saltou a janela da barbearia e com uma faca, aos gritos, ameaçava cortar o pescoço ao barbeiro. Recorrendo aos procedimentos adequados, os irmãos da casa lá atenuaram a situação e o nosso jogo continuou, sob a arbitragem do frade de S. João de Deus. Já não me recordo do resultado.

Normalmente ganhávamos os jogos aos irmãos hospitaleiros, graças ao nosso espírito de equipa e às nossas “estrelas” que eram: o Carlos Rito, o Agostinho Mendes e o nosso “bombardeiro”, João Angolano (João Teixeira)!
Quando jogávamos contra a malta da Silva, normalmente, perdíamos, apesar dos dribles estonteantes do Rito, da desmarcação e passe elegante do Mendes e do “petardo” do João Teixeira!!!
UM RECADO
E, já agora, só dois ou três “gatos pingados” é que debitam posts (não confundir com postas), para o nosso blog?
Estou em crer que, dentro de pouco tempo, quando o pessoal do meu ano, do Sério, do Santos Costa, etc, começarem a participar, o blog vai entupir…
Um abraço de Paz e Bem do
A. Henriques Vaz.
NR- Como vês, a casa continua a crescer. Hoje tivemos o exemplo disso. Vamos com calma. A propósito, podes relatar como foi o reencontro com o nosso amigo Armando Pinto?!ac
De Fátima ao Kazakhstan, passando por Poiares
Publicado Outubro 17, 2008 Uncategorized Leave a CommentPoiares.5 Outubro 1957.Alguém se reconhece por ali?
(In,Livro 50 anos Gondomar)
Olá, TóZé.
Fiquei tocado pela carta do João Casais.
Pela sua franqueza em expor-se, pelo seu testemunho de fé e pelo Português fluente e perfeito em que escreve, depois de tantos anos por terras de emigração e não tendo feito, como diz, mais estudos que os dos 3 ANOS passados no Seminário. Vê-se que AQUELA ESCOLA era, de facto, uma boa pedra angular. Quem sabe se ele, um dia, ainda nos escreve uma carta em Latim?
Claro, não conheci o Casais, nem nunca ouvi falar nele, pois no ano em que ele entrou em Poiares (inaugurado no meu Quarto ano, em 1953), estava o meu ano a começar o que então se chamava 2º de Filosofia, no Colégio de Santa Marta del Tormes, frente a Salamanca.
Mas, embora não conheça o João, conheço bem a sua aldeia de Cristelo (donde é, aliás, o nosso Irmão frei José Carlos, que vive na Fraternidade da Baixa da Banheira, e que talvez conheça o João ).
Sou de Areias de Vilar, ou Vilar de Frades, onde os Irmãos de S. João de Deus compraram a Quinta e o Convento que era a casa-mãe dos Frades Lóios em Portugal, antes da expulsão dos religiosos. ( Um dia destes mando-te uma reportagem). Um outro capuchinho de lá, morto a 8 de Março de 2000 (DIA DE S. JOÃO DE DEUS, NADA MENOS!) esteve uns 20 anos com emigrantes no Canadá. Como isto anda tudo ligado…!
Já que me “chamaste ao quadro”, terei muito gosto em enviar ao João e à sua família o livro dos nossos 50 anos em Gondomar, para que ele mostre aos netos (e netas, como se vê pela foto), a casa que, pelos vistos, já revisitou com a sua mulher… Manda-me o endereço dele no Canadá ou, se ele preferir, em Cristelo.
Um abraço aos dois.
E continua a fazer pontes, mas de modo que um dia destes, lá no emprego, não te mandem dormir para debaixo de uma ponte…
frei morgado
NR. Agora mesmo segue o mail. Aliás, vamos reenviar, outra vez, a lista de todos os mails para todos os que e têm mail ( via BCC ) para que assim, cada um comunique, entre si, sem ser chancelado pelo is (irmão sol).
FREI JOÃO SANTOS COSTA, NOVO PÁROCO EM LISBOA
Parabéns ao Frei João Santos Costa.
É o novo pároco do Calhariz de Benfica. A notícia pode ser lida no link, que é para não retirarmos audiência ao Frei Hermano Filipe!
Os parabéns, esses, ficam aqui, com um pedido ao nosso pároco Pintor: para quando uma exposição na nossa …. Galeria, também?
S.FRANCISCO DE ASSIS PADROEIRO EM HATU KARAU
As últimas de Frei Fernando Alberto e dos aspirantes timorenses.
No dia 19 de Setembro de 2008, o frei Fernando com os aspirantes, acompanhados por dois leigos de Laleia, entregaram a imagem de São Francisco de Assis aos poucos cristãos de Hatu-Karau, que a receberam num clima de muita devoção, alegria e festa.
Para ler mais, aqui.
Mais uma vez o escriba tem de dar o seu desinteressado exemplo. Aqui vamos expor as obras dos nossos artistas plásticos, dos nossos fotógrafos (sejam de fim-de-semana, ou de todos os dias) e, claro…os vídeos, quando lá chegarmos.
Tudo serve para partilharmos, para iluminarmos os nossos dias, ou seja, aquilo ou aquelas coisas mais pequeninas de que são feitos. O quê, alguém disse aí do fundo da sala que poderíamos inaugurar, antes, era um quadro com as cotações da Bolsa?!!
Bom, vamos lá a ver, quer dizer…. se for para aplicar as mais valias em obras onde possamos valer MAIS para aqueles que precisam, alinho já! Eu, que ainda hoje, não sei, e recuso saber de que é feito o sobe e desce dos diversos “Niqueis”!!!( Acho que também tenho lá para o sótão uns papeis que voaram do assalto à embaixada de Espanha e que, por acaso, vieram ter comigo quando, ocasionalmente ali passava.Quer dizer.)
Para a inauguração de hoje, ficam estas despretensiosas obras:
Um tríptico serigráfico ( não, não é seráfico!!!) sobre o vinho, um óleo de 1974, pintado aquando do conhecimento da morte de Picasso, a última serigrafia sobre a Assembleia, editada pela Associação dos Antigos deputados, a serigrafia comemorativa dos 19 anos do 25 de Abril, editada pela Associação 25 de Abril e uma fotografia sobre a Procissão dos Passos em Mação. Um cheirinho só pra dar o pontapé de saída. Claro que o irmão sol/aaac poderá e deverá sair, um dia, dos écrans e descer à terra, quer dizer, fazer exposições (colóquios, etc, visitas, etc) O artista, neste caso, é, também, o escriba, que já participou em diversas colectivas e individuais, e chega.
ADIVINHO-TE
PICASSO, In Memoriam
DE MÃOS DADAS COM A CONSTITUIÇÃO
25 DE ABRIL UM OUTRO PORTUGAL POR ACHAR
FOTOGRAFIA
ROCISSÃO DOS PASSOS (MAÇÃO)
Uff!A “vernissage” está feita!Venham de lá esses trabalhos.ac
Com a redacção quase fechada, por hoje ( ufff! ) o gmail, sim, a S. Damião dos nossos dias, como que chama por nós: “Há um outro irmão querendo entrar!”. Aqui está, finalmente, o menino Armando Pinto….
…hoje, Administrativo, no Centro de Saúde de Felgueiras.
A riqueza da colaboração que o Armando nos envia é tanta que vamos editá-la num outro momento, para que nada se perca do que nos enviou, texto e…belíssimas fotos.Fica só, para abrir o apetite, esta, que data da entrada em Gondomar, em 1965. Até mais logo.
ac
Como é hábito, aos Sábados, a Iluminação que procuramos, também passa por aqui. A Palavra ao Pe Anselmo:
A ‘BÍBLIA’: 73 LIVROS
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
A palavra Bíblia vem do grego e significa livros, no plural. Em latim e, por derivação, em português, transformou-se num singular feminino: a Bíblia como “O Livro”. Quem não estiver atento pensará que se trata de um livro como os outros. Na realidade, é, segundo o cânone católico, o conjunto de 73 livros – uma pequena biblioteca -, e a sua redacção e formação prolongaram-se por mais de mil anos.
Assim, como reconhece o Sínodo dos Bispos, reunido em Roma até 26 deste mês, para tratar precisamente da Bíblia, o magno problema bíblico é o da interpretação. De tal modo foi possível, com base na Bíblia, fazer leituras díspares que o filósofo Hegel tem o dito famoso de que ela é como um nariz de cera, expressão que já vem de Alain de Lille, no fim do século XII.
Dou exemplos, um pouco ao acaso, apenas para mostrar, perante o emaranhado de textos, a urgência da tarefa gigantesca da exegese e da hermenêutica.
No primeiro livro – o Génesis -, há duas narrativas da criação, que não são coincidentes. Logo por aí se vê que não podem ser tomadas à letra.
Sobre o amor, encontra-se na Bíblia um dos livros mais eróticos da história da literatura: o Cântico dos Cânticos é um poema que canta o amor de um homem e de uma mulher, com a sua expressão sexual, e não são casados. Mas, no Levítico, lê-se: “O homem e a mulher adúlteros serão punidos com a morte”; “Se um homem coabitar sexualmente com um varão serão os dois punidos com a morte”. Na Bíblia, ao lado de uma ética sexual do amor, da justiça e da bondade, encontramos éticas da pureza e da propriedade.
No salmo 137, está: “Cidade da Babilónia, feliz de quem agarrar nas tuas crianças e as esmagar contra as rochas!” Mas Jesus mandou amar os inimigos e, do alto da cruz, rezou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.
Jesus disse que Deus e a Mamona (a riqueza divinizada) são incompatíveis, mas também se lê no Evangelho o que ficou conhecido como “o efeito de Mateus”: “Ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
Sobre as mulheres, diz São Paulo que “já não há homem nem mulher, pois todos são um em Cristo”. Mas, no Eclesiástico, lê-se: “Pela mulher começou o pecado e por sua culpa todos morremos.”
Os livros dos Profetas constituem uma revolução na história da consciência religiosa da Humanidade, pois, contra a corrente sacerdotal, reivindicam a moralização da religião, cujo núcleo está na justiça e não nos sacrifícios, dos quais Deus diz que “fedem”.
Job, esmagado pela dor na sua inocência, ousa convocar Deus para um tribunal independente.
Frente à morte, diz-se que o Homem morre como o gado. Mas São Paulo escreve que a fé cristã tem o seu fundamento na ressurreição dos mortos: “Sem ressurreição, é vã a nossa fé.”
Com a Bíblia, justificou-se a teocracia e também a laicidade, matou-se, cometeram-se crueldades sem fim, fizeram-se as cruzadas, mas também se ergueu, como nunca tinha acontecido, a dignidade divina da pessoa humana.
Deus é o Deus dos exércitos e da vingança, mas também é o Libertador, e a única tentativa de definição diz: “Deus é amor.”
Afinal, a Bíblia escreve sobre a história dos homens, no seu melhor e no seu pior, na busca do absoluto. É preciso entender que ela é um livro religioso e não científico e só no seu todo é que se reclama da verdade. Ora, se toda a religião tem como ponto de partida e de “definição” a pergunta essencial: o quê ou quem traz libertação, salvação, sentido final?, então, quando se pergunta pelo fio hermenêutico essencial e decisivo para a interpretação correcta dos livros sagrados, ele só pode ser o do sentido último, da libertação-salvação total. Só a esta luz é que são verdadeiros. Em tudo o que neles se encontra de menos humano ou até de desumano, revela-se o que Deus não é e o que o Homem não deve ser.
Lídia Jorge disse de modo iluminante: “A Bíblia é o poema colectivo mais longo criado até agora pela Humanidade. Nele se espelham as várias batalhas que os homens engendram na sua demanda pelo amor absoluto.”
NR.Sublinhados nossos.Está aberto o debate.Venham daí esses contributos.ac
A palavra, hoje, a Frei Bento Domingos,com a devida vénia:
A evangelização da sexualidade
Em 1922, Pio XI foi eleito Papa e marcou logo o dia de Pentecostes com um gesto insólito: interrompeu a homilia e, no meio de um impressionante silêncio, tirou o solidéu e fê-lo passar entre a multidão de bispos, padres e fiéis presentes na Basílica de S. Pedro, pedindo a todos ajuda para as missões. No Ano Santo de 1925, abriu, no Vaticano, uma exposição missionária mundial e publicou a encíclica Rerum Ecclesiae sobre as missões, mas o grande acontecimento foi a inesperada consagração dos seis primeiros bispos chineses. No ano seguinte, instituiu o Dia Mundial das Missões, a celebrar, em toda a Igreja, no penúltimo domingo de Outubro.
2O Papa Bento XVI, na mensagem para este domingo, recorreu à notável exortação apostólica de Paulo VI, Evangelii Nuntiandi (1975), sobre a evangelização do mundo contemporâneo, sublinhando que “evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade”.
Ninguém estranhará que a contemporaneidade deste Papa já não seja a de Paulo VI, embora se mantenha exacta a caracterização da missão da Igreja. O que surpreende é a fugacidade da noção de “mundo contemporâneo”. Bento XVI assinou a mensagem para este domingo no dia 11 de Maio passado. Ora, a turbulência global das últimas semanas, provocada pela especulação financeira, deixou sem cobertura o contraponto que ele procurou destacar na conjuntura actual: “Vejamos mais de perto a situação do mundo de hoje. Se, por um lado, o panorama internacional apresenta perspectivas de um desenvolvimento económico e social promissor, por outro, chama a nossa atenção para algumas graves preocupações no que diz respeito ao próprio porvir do homem. Em muitos casos, a violência caracteriza os relacionamentos entre os indivíduos e os povos; a pobreza oprime milhões de habitantes; as discriminações e às vezes até as perseguições por motivos raciais, culturais e religiosos impelem numerosas pessoas a fugir dos seus países para procurar refúgio e salvaguarda noutras paragens. Quando não tem como finalidade a dignidade e o bem do homem, quando não tem em vista um desenvolvimento solidário, o progresso tecnológico perde a sua potencialidade de factor de esperança e, pelo contrário, corre o risco de agravar os desequilíbrios e as injustiças já existentes.”
3No Vaticano II, a Igreja Católica procurou os gestos, as palavras e as decisões que traduzissem o Evangelho de Jesus Cristo para o mundo contemporâneo. Alguns acusaram a sua visão de optimismo excessivo. Não me parece. É mais exacto dizer que foi a persistência do pessimismo acerca da sexualidade humana, retomado no pós-concílio, que mais dificultou a evangelização de mulheres e homens do nosso tempo.
Estamos a 40 anos da Humanae Vitae (1968), chamada, muitas vezes, a “encíclica da pílula”. Este documento produziu um desconforto eclesial inapagável. Importa conhecer a sua génese, estudar as consequências que produziu e as resistências eclesiásticas à sua alteração. Miguel Oliveira da Silva, professor de Ética Médica na Universidade de Lisboa, acaba de publicar uma obra pioneira em Portugal que merece a maior atenção e debate (1).
Para o cardeal Carlo M. Martini (2), a Igreja deve trabalhar no desenvolvimento de uma nova cultura da sexualidade e da relação, pois esta encíclica é, em parte, responsável por muitos já não tomarem a sério a Igreja como interlocutora ou como mestra. Aos jovens dos países ocidentais, já quase não lhes passa pela cabeça recorrer a representantes da Igreja para os consultar sobre questões de planificação familiar ou de sexualidade. Muitas pessoas afastaram-se da Igreja e a Igreja afastou-se dos seres humanos. Ficou muito prejudicada com essa atitude.
Este cardeal deseja uma nova encíclica, na qual o magistério diga algo de positivo sobre a sexualidade. Ele próprio faz sugestões e aponta um método de diálogo para que, nesse documento, não sejam dadas respostas a perguntas que não existem.
No Dia das Missões, é importante ter presente a advertência de Jesus: não adianta percorrer mar e terra só para fazer prosélitos. É preciso, antes de mais, fazer da Igreja um lugar habitável para mulheres e homens, jovens e adultos, sejam eles hetero ou homossexuais. Toda a realidade humana é ambígua. A sexualidade também é terra de evangelização.
(1) A Sexualidade, a Igreja e a Bioética. 40 Anos de Humanae Vitae, Lisboa, Caminho, 2008.
(2) Carlo M. Martini/Georg Sporschill, Coloquios nocturnos en Jerusalem, Madrid, San Pablo, 2008.
E cai a noite. A ver se Te encontro, Senhor, na beleza desta ria.
A CAMINHO DO NORTE
No passado distante, era o regresso das férias de Verão de um homem do sul, a caminho do Norte. Esperavam-nos as vindimas na quinta da benfeitora Dª Irma, algures, na Maia, mas, também, a ajuda nas vindimas em … Gondomar. Foi, aliás, o meu primeiro contacto com Gondomar e com as altas ramadas do vinho “amaricano”. João, Afonso, Vaz ou Mendes, ajudem-me, eu acho que ainda andámos de hábito empoleirados nas altas escadas.
Hoje, a caminho, algures no Norte, um festival de nuvens de ” algodão doce”. Esperamos que façam desabar sobre todos nós uma semana de grandes surpresas editoriais, assim espero.
Ao fim de semana é que a “vindima”é fraca. Uma pausa, não faz mal.
ac
ARMANDO PINTO EM DIRECTO DE FELGUEIRAS
Obrigado pelo acolhimento. Foi uma emoção íntima contactar com alguém que sente o mesmo… pois só quem esteve num local como nós, sabe o que isso é…
Quando escrevo estas linhas ainda não pude contactar o Agostinho Vaz, mas quando lerem isto já de certeza que sim…
Ora, actualmente sou Administrativo de saúde, no quadro do Centro de Saúde de Felgueiras (ARS Porto), desempenhando funções de responsável da Unidade-Extensão de Saúde da Longra. Nas horas vagas gosto de escrever e de investigação histórica. Aliás quando fui contactado para o 1º Encontro dos Antigos Alunos Capuchinhos, não podendo ir, então, escrevi a justificar-me e enviei oferta de um livro que escrevera pouco antes (monografia sobre a minha região), para a biblioteca da Ordem. Após isso escrevi mais alguns livros, sempre em edição de autor, motivo que leva a que não tenha publicado mais já… Sou ainda colaborador de imprensa local, por carolismo, escrevendo de quando em vez umas crónicas no jornal Semanário de Felgueiras.
( NR-O link é surpresa nossa!)
Sou casado, pai de um casal de filhos, ambos já casados, ele Engenheiro Electrónico, trabalhando na região, e ela Enfermeira, radicada na área de Lisboa. Mas ainda não tenho netos, por ora. Até há pouco tempo estive envolvido em diversas actividades de carácter associativo e cultural, fui presidente de uma instituição daqui (Associação Casa do Povo da Longra, na qual fundei um Rancho Folclórico Infantil, entre outras coisas, por bairrismo apenas, pois que nem sei dançar, nem tocar e muito menos tenho queda para cantar, mas consegui que aquilo fosse e ainda seja uma realidade). Contava estar reformado daqui a poucos anos, já que presentemente estou nos 54 anos, mas com as novas regras já nem sei como vai ser – completo no próximo Março trinta e três anos de serviço… entretanto, já tive um problema cardíaco o ano passado, e para já viv’ó velho…!
( NR – O link para a Feira da Longra é da Redacção!!!)
Não pude ir aos iniciais Encontros precisamente derivado às actividades que referi. Quase sempre a data coincidia com algum ida do meu Rancho a qualquer Festival ou algo do género. Mas também porque assim tinha essa desculpa… Quem porventura se lembrar de mim (além de ferrenho pelo F. C. Porto, até porque havia os jogos do Benfica contra os do Porto – e ainda deve haver nos álbuns da casa umas fotografias dessas equipas, nós tínhamos camisolas às riscas finas azuis e brancas), deve recordar-se que eu era muito tímido e calado,
deveras reservado, e isso ainda se mantém, pelo menos em encontros com muita gente, logo nunca tive coragem de ir… Ao Seminário fui apenas uma vez, depois de ter saído e muitos anos volvidos, na companhia do meu primo, que foi lá tratar de umas papeladas. Mas, tendo aparecido alguns srs Padres do meu tempo, e inclusive um que foi meu colega de ano, o reencontro foi tão frio que fiquei desiludido…
O meu irmão está como professor na Secundária de Alfândega da Fé (Nordeste Transmontano) e o m/ primo Rosário, que foi funcionário da Segurança Social em Felgueiras, teve problemas de saúde há anos (espécie de AVC) e está ainda em convalescença…
E é tudo, para já. Alguém que diga mais alguma coisa, O. K. e continuem. O meu bem-haja a esta iniciativa e um abraço a todos.
Junto umas imagens, que, se servirem, poderão ajudar a recuar o tempo… até Gondomar – 1965/69!
Na primeira fila, reconheço, salvo erro, a partir da esquerda, o Frei João, os P.es, Donato, Fernando Pereira da Silva, Boaventura (depois alguns membros da Ordem que na altura visitaram a casa, estando ao centro o então Provincial, P.e Rafael de Serafão); e do outro lado, a partir da direita, P.es Paulo, Mário. A. Pojeira, Afonso, Dinis, …, e Boaventura. Na segunda fila, atrás estão dois freis, o do lado esquerdo é o Frei Domingos, o da direita julgo que era Frei Pedro, do qual me lembro que era de Lisboa…
A foto não tem qualidade, porque é já de uma cópia que consegui muito depois. Eu fiquei duas filas atrás do P.e Rafael – conforme pormenor de seguinte ampliação, em que estou entre meu irmão e o Manuel Lopes, de Escapães.
Uma pose, em período de férias de transição de vida – Na época em que saí do Seminário, prestes a entrar no ensino externo – eu, ao centro, mais o meu irmão Fernando, do lado esquerdo, e o meu primo A. Rosário Carvalho, do outro lado (agachado). Eles ainda continuaram, depois, mais alguns anos, tendo passado os dois por Gondomar, Ameal-Porto, Fátima, até Barcelos…
Armando Pinto.
-O quê ?! É da redacção do Irmão Sol?! Oh, Colaço deixa-te de mer… e diz, depressa, o que é que queres? Mas tu julgas que eu tenho a tua vida ?Antes de mais, está tudo bem contigo? Então conta aí..
-Estamos a estrear um novo espaço no irmão sol…
-Irmão quê ?! Ah! o meu filho já me tinha falado nisso, ele é que abre os mails e a net. Sim, eu também utilizo a net, claro.Pois….
-Então não estiveste em Gondomar e não decidimos fazer da net um lugar onde nos possamos encontrar, durante todo o ano, trocar notícias, impedir que as notícias nos troquem os passos, em suma, convivermos, relembrando o passado, passando-nos, cada vez mais, para o presente…etc
-Tens razão. Deixa lá que, a partir de hoje, vou começar a fazer do fim do dia o meu momento privilegiado para ver como é que está o pessoal e o que é que deixou escrito na net. Em suma, ver os rastos e os rostos de quem por lá passou. Pronto, já percebi o que é que queres.Então vou enviar-te uma telefoto do meu telemóvel aqui “em directo” da A1, a caminho de Coimbra. Está uma chuva do caraças e tenho lá uns clientes a quem tenho de vender os mais recentes produtos da cerâmica em que trabalho. Gostei de te ouvir e… espero não me despistar com esta coisa de quereres uma foto do que é que estou a fazer… AGORA.
NOTA DA REDACÇÃO
A partir de hoje, e sempre que possível, o SOL DA NOITE é uma espécie de contacto em directo com os nossos amigos a partir do seu ….telemóvel!!!
Ou seja, ou por nossa iniciativa, ou por iniciativa dos nossos amigos, tentaremos dar um pulo ao quotidiano de cada um, em princípio, ao fim do dia, como que a fazer o balanço de como correu o dia. As expectativas, as esperanças goradas, as desilusões mas, também, e, sobretudo, as grandes realizações do dia!
Certo? Uma espécie não de “Quando o telefone toca” e sim Toca-nos com o teu telefone”, quer dizer, faz-nos sentir mais próximos de ti, do teu quotidiano através de uma imagem captada pelo telemóvel.
Ou seja, de como poderemos utilizar as novas tecnologias para nos aproximarmos mais uns dos outros e, não, deixar que elas nos utilizem para nos afastarmos mais uns dos outros. Sim, a televisão e a net, usadas em sentido contrário, são responsáveis por acabar com os serões em família.
Quem quiser saber o nº de telemóvel para onde enviar, ou, para ser contactado, deixe o nº no nosso mail de serviço:
Pronto, dadas as explicações, resta dizer que o diálogo acima transcrito é uma mera ficção que serviu, assim, de pretexto para o pontapé de saída deste novo espaço. A foto, por acaso, foi tirada pelo escriba que regressava de Aveiro, sob intensa chuvada, onde esteve em trabalho, razão pela qual nestes últimos dias a actividade editorial decresceu!!!!
ac
Olá amigos
A primeira foto, todos conhecem o local, no entanto, não sei precisar o ano deste encontro (NR-Está lá na foto, meu caro:2004!!! )e, a segunda, na mesma altura,
vejam só para este “batalhão” de Ritos, do Soito, a saber:
Frei Manuel Rito (Timor Leste)
Artur Rito
Rafael Rito
Josué Rito
Zacarias Rito
- uma equipa e peras, devidamente coadjuvados pelo Frei Pojeira, Frei Armando e o Artur da lavadeira.
Um abraço
Artur Rito
Este jovem aqui em baixo, João Teixeira, foi o primeiro a ser abordado pela nossa redacção para sabermos como correu esta Quarta-Feira, 22 de Outubro. “Um dia normal“, disse-nos o João que é, actualmente, professor de Português e Filosofia no Colágio das Caldinhas/Instituto Nuno Álvares, em Santo Tirso, com mais de 2000 alunos.
Para o João, hoje, não havia grandes expectativas e na aula de Filosofia, os seus alunos leram Fernando Pessoa, “O menino de sua mãe”.
João Teixeira, o seu potente pé esquerdo ainda hoje ecoa pelo “relvado” do Ameal ( gostaste desta figura de estilo, Jonhy? Nem o Pessoa diria melhor!).O João está a recuperar de um problemazito de saúde e o seu médico não o quer em casa a tempo inteiro. Aos poucos, lá vai indo. Temos repórter. João, manda aí umas fotos dos estaladiços “jesuítas” de St.Tirso que é para arregalarmos os olhos e… o palato! Já sabes, é o teu trabalho de casa para amanhã: João Teixeira, capuchinho, em directo da pastelaria …jesuita!!! É verdade, e o nosso amigo Frei Hermano da Câmara ainda anda por aí? Bora lá, até Singeverga para um dedal do exótico licor!O escriba ainda por lá andou a tocar tambores num ensaio com Hermano e onde estiveram, também, Sério e Leonel, certo?!
ac
E cai a noite. Mais tempo para o recolhimento, menos dispersão, sendo que em Ti, tempo, o nosso tempo, o tempo que criaste para nós, não é:Tu és a Eternidade para que caminhamos ou … com que já caminhamos dentro.Tão simples e tanto que complexificamos. Obrigado por querer-Te, a todo o tempo, e nem sempre ter … tempo.
ac
Obrigado por este pão. Mais do que este alimento para o corpo, quero que saibas – é lógico que sabes tudo – que, hoje, sobretudo, hoje, preciso de alimento para a alma e bem sabes porquê. Tu, o Justo, a fonte da Justiça, ilumina-me o entendimento que faço dela para que, em minha legítima defesa, não incorra no seu contrário – a vingança cega – ao querer repor - como Tu, contra os vendilhões do Templo -aquela que, creio, é a verdade que mais se aproxima da Verdade que em ti bebo.
ac
NR-É com muito gosto que damos entrada a este correio de Frei Hermano Filipe. Por todas as razões e mais alguma.Para além do apoio que deu ao arranque deste espaço e, bem assim, a alguns arrumos de casa que serão necessários. Mas, sobretudo, porque este Convento é de todos: os que saíram e os que ficaram.Quer dizer, estamos todos, com muito agrado, “obrigados” a um só voto : o da CONVIVENCIALIDADE, em nome de Francisco, por causa do amor ao mesmo Deus em que acreditamos.
Já a seguir iniciamos um novo espaço a que chamamos “A FALA DAS GAVETAS“. Sim, ali publicaremos toda a espécie de textos de cariz literário, prosa e poesia ou outro estilo,e que permanecem adormecidos nas gavetas da vossa envergonhada criatividade!!!! E será inaugurado com o Frei Hermano.A propósito, Hermano, trata lá de enviar a tua foto.Queremos conhecer-te!
Ainda hoje, abriremos, também, a nossa Adega! Pois claro, não percam!ac
Convento de Barcelos. Frei Hermano Filipe, em directo de lá.
FREI HERMANO FILIPE
E
A HISTÓRIA VIVA QUE AJUDAMOS A FAZER
Num post aí abaixo perguntam pelo frei Hermano… o da Câmara não sei mas o da Fraternidade de Barcelos volta e meia passa por aqui.
Eu sei que muitos não me conhecem; pois, eu,a muitos também não conheço!… A não ser pelas fotografias espalhadas pelas paredes de algumas das nossas casas e, ainda assim, tira-lhes 40 ou 50 anos, a barba e o bigode e veste-lhes um hábito!
Quem sabe se além de espaço de reencontro entre os Antigos Alunos Capuchinhos, não poderá ser também espaço de encontro e descoberta [da minha parte] da história que Deus foi fazendo com a Província Portuguesa dos Capuchinhos e cada um de vós ao longo das últimas décadas.
Num mundo onde só se fala de crise financeira, crise de valores ou falta de teores, quiçá um retrocesso civilizacional, o blog do “irmão sol” possa vestir-se de arco-íris e ser espaço para cantar salmos ao sol, o irmão,, pois claro!
Vosso irmão menor e mais novo,
frei hermano filipe
Cá estamos nós para a estreia de um espaço inteiramente ao teu dispor. Quer dizer, ao dispor da criatividade que,envergonhadamente,conservaste, durante todos estes anos, na gaveta dos teus dias. Poesia, prosa, um texto experimental, o que quiseres. Qualidade, estilo ?! Por favor, interessa-nos mais … o estalo com que queiras acordar-nos o sono dos dias! Mexe-te.
Aqui vai, em absoluta estreia mundial, o nosso querido Frei Hermano Filipe. Olha só, as fotos que nos envia: O que é e… o que quer ser! Boas leitura.
FREI HERMANO FILIPE
O que sou
O que quero ser
Num mundo onde só se fala de crise financeira, crise de valores ou falta de teores, quiçá, um retrocesso civilizacional, que o blog do “irmão sol” possa vestir-se de arco-íris e ser espaço para cantar salmos ao sol, o irmão, pois claro!Vosso irmão menor e mais novo,
frei hermano filipe
Esperança
Na última carta que esperei
falavas da vida de lábios entorpecidos
aos poucos que te proíbem de morrer.
E caminhavas em cada sílaba
com tímida firmeza
recenseando as histórias da calçada.
Já não basta por isso a primavera
o aroma da luz, do vento ou quaisquer cartas.
É preciso um novo despertar
de gratuito entendimento:
vê como se espreguiçam as pétalas
abrindo o orvalho ao canto perfumado da manhã
alimenta-te dos corações gotejados do leite das mães
e senta-te na soleira da porta a cantar salmos ao sol.
Então amarás o seu reflexo
mesmo nas paredes da casa
e poderás abrir mais uma ripe da tua janela
e vestir-te de arco-íris.
Frei Hermano Filipe
26 de Maio de 2006
Este é o Dionísius que guardo na minha sala, adquirido em Roma, nas redondezas da Via Apia Antica, perto de uma Villa de Adriano, e Dante Lieri assim se chamava o seu autor. A sua textura fascina e o estar ali, bem por cima dos diversos licoreiros, em nada desafia os céus e, neles, mais do que um qualquer pândego deus, o nosso verdadeiro Deus que a tudo preside.
Creio, pois, que, desde os tempos imortais, Deus, em tudo o que fez só pensou em nós, no nosso bem estar, mesmo que, dotados da liberdade, fazendo mau uso dela, gerássemos algum ..mal-estar! Quero eu dizer, abusássemos do sumo de uva que tanta canseira nos custa.
Mas, foi o vinho que Jesus, o Cristo, escolheu para nos sinalizar o quanto connosco queria ficar. Oh, para este lindíssimo recorte do púlpito da Matriz de Mação.
Um outro pormenor riquíssimo de talha dourada da Matriz de Mação.
Eis-nos, então, chegados ao pequeno santuário dos meus licores. Em memória de minha saudosa Mãe, ali permanecem, aconchegados em delicados licoreiros – sim, o vidro, a transparência para que nos convoca é decisiva para o primeiro impulso – a tangerina, a amora, o poejo, a lúcia lima, a romã mas, também, a ginja.
Mais não são do que pretextos para as tantas conversas, celebrações intensas de continuarmos vivos, dando graças.
E tu, que aqui paraste. De que licores se faz o teu dia? Não queres partilhar uma receita? Hoje, para não se dizer que puxo a brasa, perdão o licor à minha sardinha, ergo um “Singeverga” em homenagem ao labor dos nossos amigos beneditinos. ( Vês, irmão Francisco, por que raio não descobriste tu o lemonchelo e aqui estaríamos a celebrar os doces fulgores do…Irmão limão?!).
ac
Obrigado, Senhor, por este Monte, por esta Serra do Bando . Como se nunca noite e dia tivessem lugar e, apenas, a Ti, aqui Te pudéssemos já contemplar. Obrigado por este pedacinho de Céu, que, neste momento, nesta noite, apesar de tão looooonge me fazes sentir cá dentro tão perto. Sim, estou apenas perto de ti. Ainda preciso de um monte para saber de ti. Mas sei que estou cada vez mais perto de sentir a Totalidade que És, cá bem dentro, e que cada coisa que faço à tua imagem e semelhança, pelo menos, por agora, eu bem tento.
ac
Mais uma semana a puxar pelo pessoal. A redacção confessa o seu cansaço. A “gente” inventa “números”, “espaços”, “secções”, vasculhamos no baú de todas as recordações, à espera das muitas reacções, lançando avisados e, quiçá, excessivos alertas, precauções, tipo, “eh! pessoal a ver se isto não vira passadismo balofo, estamos cá para dar conta do presente, não para fazer de conta que o passado não mexe com a gente, sim, mas que a gente é que quer que o presente conte com a gente”, etc, etc, lançamos temas, convocamos debates – neste preciso momento o escriba acaba de falar com esse grande evangelista do sec XXI, Pe Anselmo Borges ( de quem, amanhã, aqui publicaremos o seu Webangelho do Diário de Notícias ) a quem pedimos nos honre com dois ou três parágrafos sobre a importância da net como lugar de Webangelização – e, aos despois, vai-se a ver e as reacções são tão escassas.
É lógico que não podemos, e não seria justo da nossa parte, deixar de sublinhar a qualidade das participações até agora registadas. Mas… queremos mais, muito Mais. Queremos, por exemplo, encontrar muito mais gente nas Matinas, nas Vésperas, ( sim, o escriba continua à procura de um fio condutor, se calhar, rezar é mesmo “querer rezar”). Queremos, por exemplo, investir no “directo” simulado e, num minuto, tomar o pulso ao que está a acontecer na vida de cada um, para que ela possa ser partilhada por todos. Sim, somos uma tribo e se não nos preocuparmos com aqueles que nos estão mais próximos, quem é, de facto, o “nosso próximo” a quem devemos amar, como nos disse Jesus?
Pronto. Tudo isto para dizer que vai tudo para o recreio … de fim-de-semana. Toca a gozá-lo o melhor possível. A edição também não pode conhecer o ritmo intenso dos outros dias, desde logo, porque a rede da redacçao – algures , no Portugal interior - não é estável, o que faz tornar em dolorosa espera aquilo que é a alegria da esfera ( o Globo!!!), quer dizer, a rápida Web.
Voltaremos, amanhã e domingo, pelo menos, para o WEBANGELHO de Anselmo Borges, Bento Domingos e outros.
Um bom fim-de-semana. Toca a desentorpecer esses músculos emperrados, venham de lá muitos textos bem esgalhados.
ac
Neste soalheiro acordar para um novo dia, olha só, como dissipas todas as minhas dúvidas, enviando, qual estrada de Damasco acima, os sinais de que estamos no caminho certo.Obrigado, bom Deus, pelas palavras que hoje escolhemos para esta oração inicial:
SINAIS DE VIDA
Verificava-se nos encontros anuais dos antigos alunos capuchinhos que a equipa de 54 estava sempre
em maioria (se estou enganado que o digam), reparo que, de tantos, ainda ninguém deu entrada no
IRMAO SOL.Lembro alguns:Mendes, Afonso, Ventura,Zeferino, etc etc.
Apresento-me: José Campos!, nada letrado mas, de vez em quando, prometo “botar”palavra, não para ser mais um, mas porque estou
convencido que o IRMÂO SOL vai ser (para mim já é) um grande instrumento de muita paz que sinto
todos os dias ao ler e reler tudo o que lá consta.
Faço votos para que os acima referenciados dêem sinais de vida e apareçam no nosso SOL.
Um abraço para todos.
José Campos.
NR- Zé, envia, quanto antes, uma foto tua e do teu ano. É do teu ânimo que o nosso também se faz para continuarmos por aqui! Muito obrigado. Esta, foi, de facto, uma das mais compensadoras Matinas dos últimos tempos. Obrigado, outra vez.ac
E porque temos problemas de edição, aos fins-de semana, aproveitamos a embalagem e fazemos do belíssimo texto do Pe Anselmo Borges, publicado, hoje, Sábado, no DN, assim prolongando estas nossas riquíssimas Matinas.Obrigado, Senhor, outra vez!
QUEM TESTEMUNHA O QUÊ
Padre Anselmo Borges
As Conferências do Lumiar, organizadas pelas monjas dominicanas, têm como tema neste ano lectivo “testemunhar”. A mim, na abertura, coube-me o título em epígrafe: Quem Testemunha o Quê?
No plano cristão, o testemunho ocupa lugar nuclear e determinante. Jesus, diante de Pilatos, o representante do Império Romano, respondeu: “Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz.” E antes da ascensão ao Céu, disse aos discípulos: “Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo.” Na Bíblia, é infindável o número de referências ao testemunho, ser testemunha, dar testemunho.
Testemunha e testemunho provêm do latim testis (*tristis, “que está ou assiste como terceiro”, com raiz em tri, redução de tres, treyas + sto). Percebe-se assim a ligação com tribunal. Essa conexão é dada do mesmo modo em alemão, por exemplo: Zeuge (testemunha), a partir de ziehen, especialmente das Ziehen vor Gericht (levar a tribunal) e, também, Zeugnis ablegen (dar testemunho), überzeugen (convencer, levar alguém com provas a reconhecer algo como verdadeiro); Zeugnis é o comprovativo das notas dos alunos, que provam o seu esforço e saber.
Num tribunal, há testemunhas de defesa e de acusação, o que está em julgamento e um juiz. No cristianismo, Jesus, por palavras e obras, deu testemunho do que viu e ouviu de Deus, seu Pai: que é amor, e espera-se e exige-se que os cristãos dêem, por palavras e obras, testemunho do que viram e ouviram de e sobre Jesus: ele é o Messias de Deus, que revela quem é Deus para os homens e o que são os homens para Deus, com todas as consequências.
Há testemunhas que dão testemunhos verdadeiros e outras, falsos. O tribunal procurará averiguar a verdade ou a falsidade do testemunho, buscando contradições. No nosso caso, pode haver, de facto, contradição entre o testemunho dito e o testemunho pela acção. Pense-se, por exemplo, no Vaticano, no luxo do clero, na pedofilia, na avareza e na injustiça cínica dos cristãos – não contradiz a prática o que se confessa por palavras?
Por outro lado, é preciso testemunhar até ao fim. Não se pode negar o que se viu e ouviu. Foi assim que fizeram Jesus e os discípulos: testemunharam, atestaram, certificaram até ao sangue e à morte – mártys e martyrion, em grego, significam, respectivamente, mártir e testemunho ou prova. O testemunho implica coragem de ser: significativamente, outra acepção de testis (testemunha e testículo) é força varonil.
Então, dá-se testemunho de quê? Da verdade? Da beleza? Da dignidade? Da solidariedade? Da malvadez? Da vulgaridade? Da fealdade? Da injustiça?
Porque todos damos testemunho. O próprio mundo dá testemunho. Mas de quê ou de quem? Esse testemunho é ambíguo. Porque há a beleza e a ordem do mundo e também a sua desordem e fealdade. O mundo exalta, o mundo horroriza. A natureza tudo dá à luz e tudo destrói e sepulta.
O Homem recebe o testemunho e tenta decidir. O que são as filosofias e teologias e a grande música e poesia e artes senão testemunhos? Mas o mundo é racional ou irracional? Na sua raiz, está a Vontade cega? É sempre o eterno jogo do mesmo? E a História dos homens? Tem sentido? A História do mundo é o juízo do mundo, como queria Hegel – Weltgeschichte Weltgericht? A História é moral? Mas então quem dá razão às vítimas inocentes? Há uma dívida para com elas. Quem a paga? E testemunha-se perante o quê ou perante quem? Perante a consciência, perante os outros, perante a História. Mas, para quê, se tudo for devorado pelo nada? Quem é o juiz?
O mundo está em processo, e o processo ainda não transitou em julgado. Ninguém sabe o que está em questão na História do mundo e na História dos homens. A História lê-se do fim para o princípio e precisamente o fim ainda não chegou. Mas os crentes esperam que, no fim – no chamado Juízo Final -, Deus se revele como testemunha favorável a todos e juiz misericordioso. |
(Por dificuldades de edição, aqui ficam as Vésperas de ontem.São as Matinas de hoje.Mais um belíssimo texto de Frei Bento Domingos, no Público, de ontem, Domingo.Alguém quer adiantar comentários?)
ac
Mação, entardecer de Domingo.
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UM GRANDE MOMENTO EDITORIAL
Não posso deixar de começar por agradecer ao Armando Pinto o grande momento editorial que nos proporciona com a disponibilização do seu acervo documental .(Armando, esquece lá o teu 9 a Música, mas, hoje, és tu quem nos dás um grande baile. O baile de como tudo isto pode ser tão enriquecedor!).
E nem sequer quero demorar muito tempo, para não perturbar a leitura que cada um, no mais íntimo de si,vai fazer do seu enxoval, da sua família sem casos de loucura e da inexistência, em si, de notável deformação corporal, apenas convocando toda a compaixão e compreensão para as condições em que a história nos apanhou no dobrar do século que nos coube viver, na linha de um texto aqui publicado, há dias.Ou seja, devemos saber que se não podemos mudar o passado, podemos, isso sim, mudar a forma como olhamos para ele.Eu quero olhar para ele com toda a ternura deste mundo.
Façam chegar as vossas leituras. Sigam o exemplo do Armando.Toca a subir aos tantos sótãos onde jazem, tão sós, abandonados, cheios de mil pós, os documentos que nos podem ajudar a dar a volta aos tantos passados. Tudo porque aqui estamos, vivos, desempoeirados.Bem presentes no nosso presente!
Obrigado, bom Deus, por este momento de oração.É, assim, que, hoje, fazemos desta carta as Vésperas que Te dedicamos.
ac
ARMANDO PINTO,OUTRA VEZ!
Amigo Colaço e Equipa do blog Irmão Sol.
Partilha.
Cá volto eu, a este lugar de (re)Encontro, enquanto não aparecem mais… e outros possam ganhar ânimo.
A propósito, eu conheci este blog por mero acaso, numa deambulação no Google. Em tempos tinha descoberto locais do género de antigos alunos de outras Ordens e há muito que pesquisava com esperança de possível aparecimento de algo nosso… Por isso, em virtude de muita gente ainda nem sonhar com esta existência, em especial dos que nunca foram fisicamente aos encontros de convívio, como eu aliás, julgo (como o Agostinho Vaz já sugeriu também) que deveria ser enviada uma carta a todos, a dar notícia do blog, como fazem na convocatória anual para a realização do Encontro.
(NR-Atenção, dirigentes da AAAC!).
Já adquiri o livro dos 50 Anos dos Capuchinhos em Gondomar, que me tocou profundamente. E tive a grata surpresa de ver que o autor é o Frei Albino, anteriormente chamado pelo nome com que professou, Padre Donato de Ourém. Ora o Pe Donato foi quem esteve ligado ao meu conhecimento sobre os Capuchinhos e teve directa responsabilidade na minha ida para o Seminário. Ele veio à minha paróquia, a S. Tiago de Rande (concelho de Felgueiras – diocese do Porto) como “pregador” para a festa paroquial do Padroeiro e da Comunhão Solene, em 1964, aquando da minha Comunhão e Profissão de Fé. Ele então aproveitou para fazer uma captação de possíveis vocações, tendo-se logo inscrito algumas crianças, das quais, no entanto, nesse ano, apenas, o meu primo Rosário chegou a ir para o Seminário e depois (porque, sendo mais novo um ano, só em 65 terminei a escola primária), no ano seguinte fui eu… até que, volvido um ano mais, o meu irmão me seguiu as pisadas.
Já passaram tantos anos, que as imagens se diluem e confundem na retina e no subconsciente. Não adiantando considerações, que o tempo varreu. Interessando o presente, mas sem esquecer o passado, como vou mostrar a seguir.
Assim, depois de há dias ter enviado aquele texto e respectivas fotos de enquadramento, envio, desta feita, imagens de algumas “papeladas” das minhas recordações, que guardo, religiosamente, do que retive, como do que meu pai guardou e eu preservo, por minha vez. De cuja colecção dou aqui três exemplos, do que possuo.
Em primeiro lugar:
Carta, dirigida a meu pai, assinada pelo Padre Vitor de Oleiros – que me recebeu e foi o meu 1º Director – missiva essa que fala por si:
A seguir, desdobrável com as disposições para a entrada, contendo rol do enxoval:
Uma das comunicações de notas e da conta a pagar (com assinatura do meu 2º e último director, P.e Fernando Pereira):
Alguém que diga mais alguma coisa, de sua justiça.
Por que não, através de quem tenha acesso à biblioteca e arquivo, também fazer-se com que apareçam aqui imagens e transcrições de recordações da antiga revista do Seminário de Gondomar ( “Jardim seráfico”, onde eu, ao que me recordo, também colaborei em 1967 e 68, salvo erro), bem como dos tomos das memórias da ordem, fotos dos álbuns, etc. etc. Sem esquecer colaborações pessoais de todos os nossos antigos companheiros, obviamente.
SUGESTÃO FINAL
Já agora, para que todos continuemos irmanados e inteirados em tudo, por que não, sugeria que alguém desse ainda uma panorâmica da situação actual de todos os membros da ordem, ou seja os senhores Padres que ainda estão vivos (com indicação do ano de entrada no Seminário, para melhor identificação), os que entretanto se desligaram, por qualquer motivo (matéria que nunca deve ser olvidada, sem falsos pudores) e os já falecidos. Em todos os casos com os nomes de baptismo e profissão, por motivos óbvios.
Até sempre.
Armando Pinto
É uma notícia da Lusa acabada de chegar. Dá para reflectir. Ou, de como por aqui, onde, só, aparentemente, parece que o que nos une é o passado, aqui estamos, com esta e outras leituras, a demonstrar que, sem o temer, sem o esquecer, ele jamais nos impedirá o alcance do presente que nos cabe viver. Comentários, venham eles!
ac
Penafiel, 28 de Out (Lusa) – As sociedades actuais estão a transformar-se num “grande manicómio global” tão grande vai ser, no futuro, o número de pessoas afectadas por doenças do foro psíquico, defende o psiquiatra e investigador brasileiro Augusto Cury.
“O mundo vai ser um grande hospital psiquiátrico. As doenças vão aumentar, não tenho dúvida nenhuma”, disse, em entrevista à Lusa, após uma conferência que realizou em Penafiel.
O psiquiatra tem-se notabilizado internacionalmente por estudar os temas relacionados com os processos de construção do pensamento, com a inteligência humana e com o funcionamento da mente.
Em Portugal, Augusto Cury celebrizou-se com a publicação dos livros “Filhos Brilhantes, alunos fascinantes” e “Pais brilhantes, professores fascinantes”, considerados “best-sellers” dado o elevado número de exemplares já vendidos.
“O modelo de sociedade actual transformou-se numa fábrica de pessoas stressadas e ansiosas”, que apresentam sintomas como a irritabilidade, a impaciência, a intolerância e pensamentos antecipatórios”, explicou.
Para o investigador, não espanta que um número crescente de pessoas tenha dores de cabeça e musculares, queda de cabelo, fadiga, défice de concentração e défice de memória, sintomas que, sublinha, decorrem muitas vezes do modo de vida agitado que têm.
“O normal é ter essa sintomatologia, o anormal é ser tranquilo, sereno, trocar experiências de vida com as pessoas que nos rodeiam, não ter medo das nossas lágrimas diante dos nossos filhos, não ter medo dos nossos fracassos, não ter medo de falar deles diante dos nossos alunos”, disse.
Augusto Cury considera que a situação se agravou nas últimas décadas, marcadas pela globalização da economia, mas também a globalização da informação, que conduz àquilo que diz ser o “Síndrome do Pensamento Acelerado”.
“No passado, o número de informações dobrava a cada 200 anos, hoje dobra a cada cinco anos e vai dobrar a cada ano na próxima década. O excesso de informações é registado no córtex cerebral pelo fenómeno RAM – Registo Automático da Memória – e tem produzido uma nova síndrome, que eu tive a felicidade de descobrir, que é saber que grande parte da população mundial, das crianças aos adultos, é acometido por ela. Chama-se Síndrome do Pensamento Acelerado, que é uma agitação mental, uma inquietação mental e um défice de concentração mental”, explicou à Lusa.
Segundo o psiquiatra, as pessoas são hoje mais inseguras do que eram no passado, “mas o verniz demonstra que elas são falsamente seguras”: “Elas vendem a imagem de que está tudo bem, vendem a imagem de que a sua vida não tem conflitos, mas, por dentro, estão chorando”.
Augusto Cury insiste em que “a sociedade moderna tomou o caminho errado”, porque as pessoas têm cada vez mais uma vida exteriorizada e não sabem “desenvolver a arte da introspecção, da observação, da capacidade de pensar antes de agir, de se colocar no lugar dos outros”.
O psiquiatra diz que as pessoas conseguirão um maior equilíbrio emocional “se derem ao outro sem esperar demais o retorno, se entenderem que uma pessoa que fere é uma pessoa ferida e se nunca exigirem dos outros o que os outros não podem dar”.
Augusto Cury alerta também para os perigos de hierarquização dos alunos nas salas de aula, que pode gerar traumas que se perpetuam para a vida toda.
“A hierarquia intelectual bloqueia a espontaneidade, o debate de ideias e o trabalho de equipa. Parece incrível, mas no mundo todo a escola, que deveria ser promotora da inteligência da arte de pensar, tem gerado bloqueios psicológicos e traumas”.
O psiquiatra aconselha os professores a estimular os seus alunos, sentando-os em forma de U ou em círculo, “para que olhem nos olhos uns dos outros e desacelerem os pensamentos, diminuindo a intensidade da síndrome do pensamento acelerado, ao mesmo tempo que “melhoram a concentração e o rendimento intelectual”.
O investigador, que tem obras publicadas em mais de meia centena de países, apresentou em Penafiel, o livro “O Código da Inteligência – Formação de Mentes Brilhantes”., onde propõe uma nova teoria sobre a inteligência humana, afirmando-a como “o caminho para melhorar o potencial de cada um, abarcando de forma interdisciplinar as áreas da psicologia, do intelecto, da emoção e da espiritualidade”.
O psiquiatra aponta no seu novo livro “doze leis fundamentais” para as pessoas mudarem a sua qualidade de vida, propondo “um caminho menos agitado e stressante” e um diálogo permanente com o eu”.
Lopes Morgado tira o Chapéu a Armando Pinto
Publicado Outubro 28, 2008 Uncategorized Leave a CommentFrei Lopes Morgado
Meu caro Armando Pinto,
acabo de ler o teu [também posso, por TU?] belo testemunho,
em que, além do mais, abres o baú dos registos da tua passagem
pelo nosso Seminário de Gondomar. Já não me apanhaste lá, pois
só lá estive como professor de 1961 a 1965 (fui ainda como diácono,
com 22 anos e meio, tendo sido ordenado quando lá estava, em 6 de
Agosto de 1962) ano em que fui dirigir a revista Bíblica em Lisboa…
Nem imaginas como a lista do enxoval mexeu cá dentro… Olha,
no meu tempo ainda levávamos camisas de dormir (as minhas
irmãs muito se riram, quando leram a lista!); e os fatos, as gravatas,
as meias e o chapéu (!!!) eram pretos. Como gostaria hoje de me rir
de mim assim vestido, com chapéu preto na cabeça, aos 11 anos!
NR_Aqui vai a estreia do You Tube no IS.Para animar.
Claro, não fazia sentido continuar com isso, tanto mais que nos
esperava vestir um hábito castanho a partir do Noviciado… Por isso,
no papel enviado ao teu pai, o padre Vítor emendou à mão “de cor”
onde dizia “preto”. Os tempos já eram BEM outros…
Mas eu só vinha para responder à TUA SUGESTÃO final,
de informarmos acerca dos padres da nossa Província…
Uma vez que dizes ter o livro sobre Gondomar, sugiro que vejas nas pp.
142-143 a lista dos frades (padres ou não) que estiveram em Gondomar e
que entretanto faleceram ou saíram da Ordem. Só falta lá um, por esquecimento:
o frei Júlio Loureiro, da minha terra (Areias de Vilar – Barcelos), que até lá
foi ordenado mas saiu por doença e foi integrado no clero da arquidiocese de Braga,
sendo actualmente pároco em três freguesias do concelho de Barcelos.
Embora não fale de todos, nem da data da sua entrada no Seminário, aparece
o seu nome de baptismo e de profissão (os que ainda mudaram o nome) e
fala certamente daqueles que terás conhecido e estiveram mais ligados à tua
passagem pela nossa vida. Concretamente, dos que surgem nestes documentos.
Para saber mesmo de todos, só o livro
OS CAPUCHINHOS EM PORTUGAL
(1939-1989)
memória de um cinquentenário
escrito pelos padres Francisco Leite de Faria (da Academia Portuguesa da História,
já falecido) e Fernando de Negreiros (muitos anos Secretário e Ecónomo Provincial,
bem como um dos primeiros directores da revista BÍBLICA).
Terei muito gosto em oferecer-to, se disseres a morada.
Um abraço do
frei Lopes Morgado
NR – O escriba de serviço não resiste a meter aqui uma colherada. Nesta foto muito antiga de Cardigos, freguesia do concelho de Mação, na rua à direita, existia a loja do Sr. Joaquim Mata. Foi lá que minha querida e saudosa Mãezinha terá adquirido parte das peças do meu “enxoval” com a ajuda de mão amiga, algures, muito longe dali, respondendo, assim, aos meus insistentes pedidos de querer ir para o seminário, “nem que fosse preciso pedir de porta em porta”, nomeadamente, para arranjar … o enxoval. Não saberia ainda, como nenhum de nós, que , para além do Nº do BI, de Contribuinte, da tropa, etc, 406 seria o nº que ela bordaria nas muitas peças de roupa com que vestiríamos a nossa vontade de sermos padres…
ac
Sabes como me apetecia o aconchego e o silêncio que uma qualquer das nossas muitas capelas conventuais possibilitaria e, no entanto, Senhor, como quero, cada vez mais, descobrir-te no ruído da rua, no desencontro das vontades, nos pequenos egoísmos que magoam,e, no entanto, quanta deriva, quanta incerteza, quanta dúvida, se eu ou eles é que verdadeiramente estão contigo, do teu lado, ao Teu encontro, sendo que não os sentindo comigo julgo ver nisso uma distinção que não me confirmas…
Diz-me de que é feita a tua Voz, ajuda-me a desatar estes nós e, no entanto, sinto-Te, não estamos sós….
ac
Clique para ampliar
Senhor, aqui estou, aparentemente só, retomando aquela ideia em que Te convoco para que me ilumines sobre o sentido desta oração que, sabes bem, desejava tanto pudesse ser partilhada por todos porque eu, pura e simplesmente, não sei rezar e ao apelar à participação é porque quero aprender. Não sei o que se passa, só sei falar Contigo, assim, deste jeito, clicando no qwert deste computador, só, aparentemente, frio, mas, desde logo, quente, porque feito com a sabedoria de que nos dotaste.
Estamos quase a cumprir um mês na net e, de facto, não sinto que os meus companheiros sintam vontade de vir até aqui, falar Contigo. Persistem em evocar o passado como se mais presente entre nós não houvesse. Algum narcizismo da minha parte, sendo que as chaves desta capela - o nosso email- estão nas suas mãos? Diz-me do que é que eles te falam quando falam contigo, diz-me que me cale de uma vez por todas e deixe que o teu Espírito actue. Diz-me que não quero forçar ninguém e que cada vez mais quero sentir-me apenas um simples instrumento da tua paz e que a cada mail/prece que vier, só me competirá deixá-la aqui na silenciosa cadeira, genuflectório , o que quiseres, desta perfumada e nética capela.
Ajuda-me a perceber que foi tão bom fazer esta caminhada que leva quase um mês – para a semana, terça-feira, 4 de Novembro, um mês depois do aniversário do nosso oitocentista “seráfico Pai S. Francisco” ( lembro-me sempre do nosso saudoso provincial António Monteiro ) - ter descoberto tantos amigos com tanto para contarem, não só do seu passado, como do presente dos seus dias e perceber neles a vontade de fazerem deste sítio um lugar que os ajude a jamais ficarem sitiados, indefesos, sózinhos, como que ignorados, sem qualquer ligação com uma significativa parte da sua história.
Como é bom, passados todos este anos, sabermos, a cada dia que passa por onde é que andamos, o que é que cada um de nós faz, os seus êxitos e sucessos e, bem assim, que podemos contar com todos para partilhar e superar os fracassos e insucessos.
Obrigado, Senhor, por poder saber-Te aqui.
Olha, para celebrar a Tua presença, chega mais um documento, precioso, do ano de 1949/50, no Ameal. Enviada pelo Frei Lopes Morgado, que aqui iniciava o seu primeiro ano. Não consigo descortiná-lo, para já, mas é uma tarefa que proponho, como desafio , a todos os que, do seu ano ou outros, ainda entre nós, felizmente, o possam fazer. Não só que o descubram a ele e sim a cada um de vós que ali estais!!!
ILUMINA, SENHOR, AS VONTADES DOS NOSSOS AMIGOS PARA QUE COLABOREM EM CHEIO NA
COMEMORAÇÃO DO PRIMEIRO MÊS DO IRMÃO SOL!
ac
Nesta rendilhada manhã de mil gotas tecida, que ideias, que anseios, que receios, páram-arrancam, no condicionado asfalto das mentes que tardam em libertar-se dos mil e um semáforos que, em si, trazem fixados, intermitentes …
Um dia virá em que á agua, ah! a água, como boa condutora, nos deixará a todos menos doentes.
antónio colaço
NR – O Irmão Sol não pode parar. Nem que tenha de alimentar-se convocando outros lugares. Onde se fala mais do presente, sem que o passado dali esteja ausente. É o que agora se faz, aproveitando o escriba para dar conhecimento de um outro lugar que a todos aconselha a … visitar. /E não é que rima e tudo, e tudo!!!
Desculpa, Armando, mas, antes da tua carta vamos assinalar o exacto momento em que, com ela, se cumprem 100 posts ( textos, digamos ) editados aqui no irmão sol!!!Como que para comemorar, repararam que o Frei Hermano Filipe já conseguiu colocar o nosso Francisquinho no cabeçalho. Estamos a melhorar o aspecto da casa embora o que nos preocupa, para já, é assegurar a qualidade e continuidade do seu recheio. E pronto, é só o que há para dizer!A todos os que têm colaborado, obrigado, aos que se preparam para o fazer, bamos,lá, carago!!!! ac
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A missiva do Frei Lopes Morgado deixou-me embasbacado, faltando-me, de momento, palavras para dizer como apreciei a sua reacção. Sinceramente, contava que antigos colegas dissessem alguma coisa, mas, afinal,, foi o Frei Morgado, o que me tocou mesmo profundamente.
Obviamente, pode e deve tratar-me por tu.
Nem valerá a pena querer dizer muito mais, agora, a não ser que nestas ocasiões não sabemos transmitir quanto queremos mesmo dizer, mas todos entendemos, não é.
Apressei-me a enviar-lhe uma mensagem com o meu endereço e, desde já, lhe digo que lhe vou remeter dentro de dias dois dos meus livros, dos que ainda possuo alguns exemplares disponíveis, assim como ao amigo Colaço (envia-me o teu endereço postal, O. K.), que conheço apenas pela sua grande obra que é este espaço de encontro, mas é como se conhecesse desde sempre por tudo o que une quem passou pelo Seminário dos Capuchinhos…e, no caso, o que mais nos está a cativar – este convívio humano e espiritual.
( NR-Para que o Frei Morgado não se zangue comigo, ficas, também, a conhecer o escriba! ac)
Pois o Frei Lopes Morgado, embora naturalmente não se lembre (já que eu era um miúdo, entre tantos que por ali andávamos), ainda o conheci, mas como Padre Agostinho, num retiro que ele dirigiu em Gondomar, talvez por volta de 1967 ou 68, salvo erro na semana do Carnaval… ou algo do género. Reconheci-o pelas fotografias do livro. E, nas minhas pesquisas, como por vezes dou largas à minha curiosidade, já descobrira em tempos o seu apego ao coleccionismo de presépios, tendo mesmo conseguido formar um museu alusivo. Daí que, como sinto apreço por essas coisas, o admirasse por tamanho entusiasmo, embora sem imaginar que ainda comunicaríamos, como agora. Isto, porque apesar de tudo (como disse numa anterior comunicação), o que se relacione com os Capuchinhos sempre mexeu comigo, continuando a ser algo especial para mim.
Até sempre.
Armando Pinto
MUSEU DO PRESÉPIO.Entrai, pastorinhos, entrai!
Publicado Outubro 30, 2008 Uncategorized Leave a Comment
A REDACÇÃO DO IRMÃO SOL, APELA A TODOS OS SEUS LEITORES E AMIGOS – E AOS AMIGOS DOS AMIGOS DELES – PARA QUE SE EMPENHEM EM TORNAR ESTE MUSEU UMA REALIDADE.
SÓ QUEM AINDA NÃO DEU PELO LABOR DE FORMIGUINHA DE FREI JOAQUIM LOPES MORGADO
É QUE PODE FICAR INDIFERENTE.
VOLTAREMOS A ESTE ASSUNTO.NO FINAL DO TEXTO ESTÁ O Nº DE CONTA
PARA ONDE PODEM E DEVEM ENCAMINHAR
OS VOSSO CONTRIBUTOS.
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PREPARANDO O
MUSEU DO PRESÉPIO
NO CENTRO BÍBLICO DOS CAPUCHINHOS, EM FÁTIMA
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Este documento é complementar de um PowerPoint museu do presépio.
( NR – Iremos enviá-lo, por mail, a todos)
Pretende dar a conhecer a Colecção de Presépios que temos vindo a fazer desde 1993 até hoje, e falar-lhe dos passos que, neste momento, devem ser dados para garantir a sua preservação e dignificação, pondo-a ao serviço do público – donde veio, na sua maior parte, por muitas doações de Famílias e particulares e ofertas de vários artesãos. O objectivo último é, mesmo, a construção de um museu do presépio, com o projecto que apresentamos no PowerPoint. Podemos contar consigo?
A Colecção de Presépios
- No Centro Bíblico do Capuchinhos, em Fátima, sito na Avenida Beato Nuno, nº 407, existe uma Colecção de mais de 770 Presépios de 60 países, que vem sendo recolhida, valorizada e acrescentada desde 1993.
- Os países representados são os seguintes: África do Sul, Alemanha, Angola, Argentina, Áustria, Bangladesh, Bélgica, Bolívia, Brasil, Bulgária, Cabo Verde, Canadá, Chile, China, Colômbia, Croácia, Egipto, El Salvador, Equador, Eslovénia, Espanha, Estónia, Filipinas, França, Grécia, Guatemala, Guiné-Bissau, Haiti, Holanda, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, Madagáscar, México, Moçambique, Níger, Palestina, Paraguai, Peru, Polónia, Portugal, Quénia, República Checa, Ruanda, Rússia, São Tomé, Senegal, Suíça, Tailândia, Tanzânia, Timor-Leste, Tunísia, Turquia, União Indiana, Uruguai, Venezuela, Zaire e Zimbabué.
3. Em Setembro de 1993, quando vim de Lisboa para Fátima, trazia comigo apenas um Presépio ladeado pelas figuras de S. Francisco e Santa Clara de Assis, e uma imagem de Nossa Senhora da Palavra – tudo obras do artesão José Franco. Dois anos depois, no Natal de 1995, fiz a I Exposição com mais de centena e meia de peças, na sala de jantar do Centro Bíblico. Dei-lhe como título “O EVANGELHO DA VIDA”, a propósito dos 9 meses da Encíclica homónima de João Paulo II, assinada a 25 de Março do mesmo ano, solenidade da Anunciação do Senhor.
4. Quase espontaneamente, a Colecção foi crescendo graças a muitas doações particulares e a ofertas de vários artesãos. De Novembro de 1997 a Janeiro de 1998, as peças principais foram disponibilizadas para uma II Exposição no Museu da Olaria, em Barcelos, no contexto da abertura do triénio preparatório para o JUBILEU DA ENCARNAÇÃO, no ano 2000. O título dessa Exposição, que integrava outras Colecções, foi apenas PRESÉPIOS. Para as pp. 7-16 do Catálogo, escrevi o texto “PRESÉPIO – História, Fé e Cultura”.
5. O interesse e o êxito despertados por esta Exposição, levou-me a manter esses Presépios disponíveis ao público, na dependência da nossa Casa onde se encontram actualmente. Entretanto, as entrevistas e reportagens saídas nalguns meios de comunicação social, fizeram chegar vários pedidos de cedência da Colecção para Exposições similares. Mas, sobretudo porque todos os pedidos eram para a época do Natal, quando a Colecção é mais visitada por bastantes grupos e Escolas, esse empréstimo foi sendo negado.
6. Em Setembro de 1999, ao ser-me concedido um ano sabático, findo o qual era previsto vir a integrar a Fraternidade de Gondomar, resolvi expor permanentemente esta Colecção, confiando a toda a Província Portuguesa dos franciscanos Capuchinhos, nomeadamente à Fraternidade de Fátima, o seu cuidado e manutenção. Porém, ao ficar suspensa a minha ida para Gondomar em Julho de 2000, regressando a Fátima voltei a interessar-me pela Colecção e foi-se afirmando cada vez mais a ideia de se pensar num MUSEU DO PRESÉPIO.
7. De 08 de Novembro de 2006 a 02 de Fevereiro de 2007, uns 30 Presépios foram excepcionalmente disponibilizados ao Colégio S. Miguel, de Fátima, para uma III Exposição na sua “Galeria S. Miguel”, no centro desta cidade. Na ocasião, a Galeria mandou imprimir em postal, para venda, seis dos Presépios expostos. Segundo o relatório final apresentado, foi das Exposições mais interessantes e concorridas naquela Galeria. No Natal de 2007, o Colégio voltou a pedir outros Presépios para nova Exposição; mas, por coincidir com a época de mais visitas, e dado a Galeria também ser em Fátima, achou-se melhor não renovar o empréstimo, pois estas duas razões tinham sido dadas a outras pessoas e instituições com igual interesse na cedência da Colecção para o mesmo efeito.
8. Mais 19 Presépios foram cedidos para o livro “Um Menino chamado Natal”, de Joaquim Franco, editado em Lisboa em Dezembro de 2006 pela Sociedade Bíblica de parceria com a Lucerna. A experiência não foi satisfatória, mas veio dizer-nos, tal como a referida no ponto 7, a vantagem de nós próprios editarmos imagens de alguns Presépios da Colecção, como forma de apoiar economicamente a construção e manutenção do futuro Museu.
9. A grande maioria das obras existentes nesta Colecção são ofertas de pessoas amigas, conhecedoras do gosto que desde sempre nutro pelo tema do Presépio, bem como de vários artesãos. A pouco e pouco, esse grupo foi-se alargando a muitos visitantes, que se aperceberam do interesse artístico e cultural de uma Colecção destas e das suas possibilidades para a Evangelização acerca do Natal e da Vida. Também os Irmãos Capuchinhos, de Portugal e do estrangeiro, foram manifestando a sua simpatia e o apoio, sendo já bastantes os que trazem um novo Presépio para esta Colecção quando se deslocam dentro ou fora do nosso País ou quando nos visitam.
10. A multiplicação quase espontânea do número de Presépios, fez com que, nos últimos dois anos, a maior parte deles tenha ficado nas suas caixas ou sacos de origem à espera de espaço para serem expostos.
11. Chegou, pois, o momento de criar um espaço condigno, que os preserve de qualquer degradação, permita divulgar a sua existência e possibilite organizar uma Exposição permanente e outras temporárias, cumprindo os objectivos que há muito nos propusemos e temos divulgado junto dos amigos e visitantes, tornando essa visita mais agradável e proveitosa.
O Museu do Presépio
- Convém ter em conta que, ao situar-se num complexo chamado “Centro Bíblico dos Capuchinhos”, esta Colecção é mais uma oportunidade para a formação cultural e religiosa de quem o frequenta para cursos, retiros, actividades bíblicas, dias de reflexão ou simples hospedagem em dia de Peregrinação a Fátima. Deve, por isso, ser de fácil e rápido acesso a essas pessoas geralmente com pouco tempo disponível à margem do programa dos grupos em que se integram.
- Do espaço em que se integra, também faz parte um Jardim Bíblico, único no género em Portugal, com idênticos objectivos culturais, religiosos e de interiorização da mensagem proporcionada pela simbólica das árvores na Bíblia. Estas, além do nome científico e em português, serão acompanhadas por uma referência bíblica e outras sugestões constantes de um catálogo a organizar. Vai ser criada uma sinalética exterior, visível da Avenida Beato Nuno, que oriente os interessados para os vários pólos do CENTRO BÍBLICO DOS CAPUCHINHOS: Hospedaria, Difusora Bíblica, revista Bíblica, Fraternidade dos Capuchinhos, Jardim Bíblico e Museu do Presépio.
- O espaço destinado ao Museu é o mesmo onde actualmente se encontra a Colecção, junto à porta de entrada da Fraternidade dos Capuchinhos, do lado da capela do Centro, tendo em conta as condições de acessibilidade de grupos, sobretudo de crianças, adultos e deficientes motores e a sua ligação com as outras propostas, sobretudo o Jardim Bíblico, mesmo em frente.
- Irá haver uma Exposição permanente, limitada a pouco mais de metade das peças actuais, dada a impossibilidade de fruir da contemplação de um número maior no tempo razoável para uma visita. As outras peças serão guardadas em gavetões na parte inferior das estantes, de modo a facilitar a organização de Exposições temporárias sobre vários temas, como:
- Presépios de Portugal
- Presépios da Europa
- Presépios da América Latina
- Presépios de África
- S. Francisco e o Presépio.
- O Projecto, realizado pelos arquitectos Mário Marques e Pedro Pinto, da Firma J. Bragança – M. Marques, Arquitectos. Lda, com sede em Gondomar, pretende criar a intimidade de uma gruta (que sugira às pessoas interioridade e reflexão), tendo no centro da sala principal um hexágono em aço e acrílico assente no centro de uma Estrela de David, que é acompanhada no tecto por pontos de luz incidindo no chão. Na sala mais pequena, um vídeo mostrará todos os Presépios da Colecção, ou pelo menos um número bastante mais alargado que o exposto. No exterior, um azulejo com S. Francisco e Santa Clara adorando o Menino Jesus, numa gravura de Pier de Lode (séc. XVII), que se conserva no Museu Franciscano dos Capuchinhos, em Roma, depois reproduzida em pintura por Josefa de Óbidos, evocará o Jubileu da Encarnação nos 2000 mil anos do Nascimento de Jesus. Na obra, pretende-se juntar a qualidade e beleza da concepção à simplicidade das soluções, exigida pela exiguidade do espaço e pedida tanto pelo tema da Exposição como pela Ordem que a suportará.
- A quem deseje apoiar a construção do Museu com uma prenda já neste Natal, indicamos o nº da conta da Fraternidade dos Capuchinhos de Fátima: NIB 003503040000660713006 ♦♦♦ Nº 0304006607130 – Caixa Geral de Depósitos, Fátima. E também um cupão que pode preencher com a quantia da sua oferta, a fim de lhe ser enviado recibo para desconto no IRS, quando o seu depósito for registado e comunicado por aquela instituição bancária.
- Desde já o nosso muito obrigado, com votos de um Santo Natal e um Bom Ano 2009 para si e para os seus. E também a nossa prenda antecipada: o PowerPoint MUSEU DO PRESÉPIO, com algumas imagens do Projecto e dos Presépios, para que os nossos visitantes e amigos se entusiasmem também com a ideia e pensem no melhor modo de valorizarmos esta Colecção e de apoiarem a construção do Museu do PRESÉPIO.
Frei Lopes Morgado
Fátima / Centro Bíblico dos Capuchinhos
Era certo e sabido: amanhã, dia de Todos os Santos, teria de acordar mal dormido. Eu e os meus companheiros de despreocupada infância do Bairro do Quintal da Estrada, lá para as bandas de Cardigos, freguesia de Mação, já bem no coração da Beira Baixa, como o meu alto alentejano natal, Gavião, quase a perder-se no horizonte.Esperava-nos a madrugadora aventura de descer à Lameirancha, pequeno lugarejo ali à mão, regressar e subir à ingreme sede da vila. Tudo isto em demanda das saborosas broas de mel, broas de milho, alguns chupas de açúcar caramelizado, bem cheirosos marmelos e alguns centavos, também.
“Bolinhos, bolinhos, às portas dos seus santinhos“!!!Depois do minuto de expectativa lá se abriam, prazenteiras, as donas de casa, arregalando os olhos para as nossas bolsinhas, pequenas maravilhas em retalhos ( patchwork, como agora se diz!) e que as nossas atentas Mãezinhas confeccionavam, aos domingos, em demoradas e colectivas tardes de costura junto à Capelinha das benditas alminhas.
Maria, temos de ir ao Jumbo, comprar os rebuçados para os pequenos heróis que ainda resistem.
Amanhã, em Mação, resistindo a todos os atentados, os que por cá vamos existindo e insistindo em não querermos perder o contacto com as nossas raízes, é o Dia Maior, a Feira de Todos os Santos. Venham daí!
Bom dia de todos os Santos.
ac
Sei que detestas ser o deus que dá jeito, mas, obrigado, pelo pedacinho de rede com que me ajudas a começar esta enregelada e enevoada manhã.
Bom Deus, obrigado, pela oração do Pe Anselmo, no DN de hoje.
ac
DIAS DE ANIVERSÁRIO: 1 E 2 DE NOVEMBRO
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
Nas nossas sociedades tecnocientíficas e urbanas, a morte é tabu, mas permite-se que todos os anos, nos dias 1 e 2 de Novembro, os mortos regressem: são os dias dos mortos. E os cemitérios enchem-se de vivos, numa saudade sem fim. A palavra saudade talvez venha de solitate (solidão) – talvez melhor, de salutem dare (saudar). De qualquer forma, do abismo sem fundo da nossa solidão, ergue-se uma prece, mais religiosa ou mais laica, pelos mortos: estejam onde estiverem, que estejam bem! É o aniversário dos mortos, no sentido etimológico (annus+vertere): o que volta cada ano, todos os anos. Se pensarmos bem, não é o aniversário dos mortos, mas apenas dos vivos, que, cada ano, recordam os mortos. Para os mortos, precisamente porque apanhados pela morte, já não há aniversário.
É por isso que, na celebração do aniversário, há algo que remete para a metafísica. Como escreve o filósofo P.-H. Tavoillot, “lembra-nos que há um princípio e um fim e que, na aparente repetição das estações, se esconde um fio cada vez mais curto e ténue”. Lá está o que se encontra na maior parte das lápides dos túmulos: a data do nascimento, frequentemente com a indicação de uma estrela – ter vindo à luz do mundo – e a data da morte – entre nós, a maior das vezes, com um sinal da cruz. Daí a diferença com que as crianças e os adultos encaram a festa de aniversário: os primeiros sonham exaltados com as prendas; os outros, sobretudo com o avanço da idade, tomam consciência do cutelo do tempo. O mistério do Homem é o tempo e a morte.
Foi também com Tavoillot que aprendi que a celebração do aniversário é recente. Antes, com este nome, o que se celebrava não era o dia do nascimento – aliás, antes da generalização do registo civil, a referência a esse dia nem sempre era exacta -, mas o dia da morte, concretamente dos mártires, chamado dies natalis (dia do nascimento).
A Igreja opunha-se à celebração do nascimento. Para Santo Agostinho e outros Padres da Igreja, celebrá-lo significaria, por um lado, ligar-se a práticas pagãs e, por outro, lembrar a vinda ao mundo de um pecador. Ora, exceptuando Jesus, Maria ou João Baptista, não havia “qualquer razão para alegrar-se!”
Aí está a razão de, ainda hoje, mais em países de influência protestante, como a Alemanha, estar presente a tradição de os católicos festejarem o dia do nome (Namenstag): nome do santo patrono a quem o recém-nascido foi confiado. O tempo efémero ficava ancorado na eternidade.
Ao pôr em causa o culto dos santos, “o protestantismo abriu a via do novo aniversário”: atente-se nas palavras alemã – Geburtstag – e inglesa – Birthday -, com o significado explícito de dia do nascimento. Agora, a vida do indivíduo tem consistência própria e não já em referência a uma realidade superior. Mesmo entre os católicos, lentamente a festa da celebração do aniversário natalício impôs-se, e lá estão a família e os amigos e os presentes e o bolo do/da aniversariante e as velas e o canto universal do Happy Birthday to You, cuja letra remontará a 1924, mas a música a 1893.
No quadro da secularização e do individualismo, é um modo de dar sentido e consistência a uma existência que se sabe efémera e mortal: “Pelo menos uma vez por ano, o fluxo quotidiano que cada um vive tenta transformar-se em destino e até em epopeia. É uma maneira profana de dar sentido ao curso da vida.” Assim, as crianças aprendem a viver; os adultos, a envelhecer; quanto aos velhos, “é um modo de os honrar”, pois, num mundo de exaltação da juventude e do êxito, “a performance suprema não é envelhecer?”.
Para tentar explicar o espaço e o tempo como formas da sensibilidade, segundo Kant, desafio os estudantes a captar as coisas sem o espaço e a narrar a sua vida sem o tempo. Impossível! Aí está a razão por que a morte e o seu depois, porque para lá do espaço e do tempo, são completamente irrepresentáveis para nós. Depois da morte, para os mortos, já não há aniversário, porque, com a morte, sai-se do tempo e entra-se na eternidade. Na eternidade do nada ou na eternidade de Deus. Espero que na eternidade do Deus vivo e infinitamente bom.
Aparentemente, um pôr-do-sol, normal, como tantos outros. E no entanto, especial, porque Te descubro nele, Senhor, para celebrar o quanto és tão Especial para nós. Algures, na Beira Baixa, tão à beira de Ti, tão à beira do Alto, Tu, que de nós, sempre te abeiras. Obrigado por este fim-de-tarde, tão especial, como todos os outros, afinal, porque Tu és mesmo e sempre Especial.
“A vida humana é uma evolução contínua. Se a morte fosse a última palavra, a pessoa humana estaria a evoluir para o nada. A fé consiste em acreditar que a personalidade de cada um de nós está inscrita no eterno amor de Deus que nenhuma morte poderá vencer”
É esse o convite para a reconfortante oração de Frei Bento Domingos, hoje, no Público.
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WEBANGELHO
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Não deixar à morte a última palavra
02.11.2008, Frei Bento Domingues O.P.
A obra mais digna de nota de cada ser humano é ele próprio
1.”Tentemos viver de tal modo que, quando morrermos, até o homem da agência funerária lamente a nossa morte.” Esta proposta de Mark Twain é um grande programa. A suposição de que ele raramente é cumprido separou a festa de Todos os Santos da celebração dos Fiéis Defuntos. Há pessoas que nem no céu gostaríamos de encontrar como a morte as encontrou. Só uma boa purificação (um purgatório) as poderia tornar companhia apetecível. Quando se pensa em todos aqueles que foram um inferno para os outros, só o inferno parece o seu destino adequado.
Temos testemunhos de que, há muitos milhares de anos, os seres da nossa espécie se despediam dos falecidos com diversos rituais, segundo as diferentes culturas e religiões. Confessavam, sabendo ou não de forma reflexa, que o funeral não era o fim de tudo, a última palavra sobre as pessoas que amavam. Se assim não fosse, todas aquelas flores e ritos poderiam celebrar uma memória, mas seriam dirigidos a ninguém.
Quando morre uma personalidade célebre, faz-se o elogio da sua obra, mas o autor parece que já não conta. Só há futuro para o património. Destaca-se a obra e as pessoas são reduzidas à categoria de cinzas, de estrume.
Nos cemitérios, as lápides e os jazigos podem evocar um itinerário, mas a obra mais digna de nota, de cada ser humano, é ele próprio. Ser verdadeiramente bom vale mais do que todas as realizações científicas, técnicas, filosóficas e artísticas. O santo, o verdadeiro santo, configurado pelo amor de compaixão, vale mais do que todo o mundo material, embora tudo isso possa e deva contribuir para o bem e a beleza da humanidade. Como se costuma dizer, quando morremos, deixamos tudo o que possuímos e só levamos o que somos.
Aqui, são possíveis as atitudes mais diversas, mas não é muito cristão desqualificar as posições de ateus, agnósticos ou dos membros de outras religiões. Perante a morte, não importa procurar saber quem está certo ou errado. Estamos todos sem defesa. O próprio Jesus, no Jardim das Oliveiras e na Cruz, mergulhou no medo e na angústia. O cristão deve, no entanto, estar pronto a dar razão da sua esperança.
A expressão “nos céus” é o equivalente a Deus transcendente que está acima de todo o nome, isto é, alegrai-
-vos porque a vossa vida está para sempre inscrita no coração de Deus e ninguém vos poderá arrancar desse amor.
Ao dizer isto, o próprio Cristo ficou espantado: “Nesse mesmo instante, Jesus exultou de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: ‘Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos (…).’ Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: ‘Felizes os olhos que vêem o que estais a ver. Porque – digo-vos – muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram!’” (Lc 10, 17-24).
3. A vida humana é uma evolução contínua. Se a morte fosse a última palavra, a pessoa humana estaria a evoluir para o nada. A fé consiste em acreditar que a personalidade de cada um de nós está inscrita no eterno amor de Deus que nenhuma morte poderá vencer.
Para mim, é este o coração da revelação cristã. Não adianta preocupar-se em saber como será a vida depois da vida que conhecemos. Não temos nem a geografia nem o calendário nem a configuração do céu. Todas as evocações ou descrições são, apenas, tentativas de preencher a nossa ignorância, transpondo, para o Além, o que há de melhor (o céu) e o que há de pior (o inferno) neste mundo. É certo que há música e pintura que procuram evocar o estado daqueles que já se encontram na alegria de Deus. No entanto, as evocações de todas as artes, mesmo as mais sublimes, serão sempre a miséria que se pode arranjar para não ficarmos mudos e cegos.
Para quem acredita que “os defuntos” estão, misteriosamente, com Cristo e connosco, neste dia dos Fiéis Defuntos deveria alterar as suas representações: não se reza por eles, reza-se com eles e eles connosco. Deus é Deus dos vivos. Não fez a morte nem à morte deixou a última palavra (Sb 1, 13-15). Não conhecemos, no entanto, nenhuma possibilidade de representar aquilo que Paulo chama “ressurreição” (1Cor 15, 53ss). Podemos, porém, rezar Àquele que tem compaixão de todos: “Porque todos são teus, ó Senhor, que amas a vida!” (Sb 11, 23. 26).
NR-Sublinhados nossos.
OUTONO.Um mês depois vale a pena continuar?
Publicado Novembro 3, 2008 Uncategorized Leave a CommentIrmão Dióspireiro, do meu querido Vale das Árvores, que, neste momento, tenho na minha frente em versão digital, graças às maravilhas da técnica – sim ainda sou do tempo em que era preciso deslocarmo-nos à sede do concelho, quando em férias, para deixar lá o rolo 126, asa, creio, da saudosa maquineta preta saída na farinha Amparo, rolo, cujas fotografias, estariam prontas daí a uma semana pois seriam enviadas para revelar para uma outra terra, creio, e só convoco isto para a conversa para se perceber como hoje podemos fazer tanta coisa, em tão pouco tempo, ou, ainda e, pior, as coisas que hoje, com outros meios, nós deixamos de fazer para tornar os dias mais ricos e preenchidos – dizia, eu, boa tarde, irmão dióspireiro, com quem, neste momento, partilho esta minha dor tão outonal como a tua.
Sim, sinto que, folha a folha, se desprende a energia com que aqui cheguei a este terreno webniano há precisamente um mês. De facto, uma terrível melancolia percorre tudo o que em mim habitualmente mexia, tal como tu no esplendor da floração – e que eu, privilegiadamente, acompanho – e olha, fruto da não colaboração dos meus colegas, um dia, outro dia, uma saltada ao gmail, mais um telefonema para ali, uma revisitação a uma foto e outra foto mais, e as perguntas, lancinantes, que, como folhas a desprenderem-se dos teus ramos, tomam conta do que em mim ainda ousa resistir:
-Por onde andará esta gente toda? Que temerão ? Estarão fartos desta provocação, deste desplante de serem, assim, desafiados a vir expôr os seus quotidianos para a net, a ponto de pressentirem que uma qualquer saltada ao google deixará expostos os seus rostos, os seus rastos? Mas, quem é que aquele gajo ( sim, assim mesmo! ) que passa os dias a qwertar-nos os nossos dias para que rezemos, de manhã, desabafemos à tarde, voltemos a rezar à noite, etc, etc se julga?
Vês, irmão dióspireiro, eu sei que devia ser forte e não me identificar com este lado condicionado da minha mente, passando ao lado do que me propõe pensar, porque ela, mente, adora remoer neste lado da vida: melancolias, angústias, tristezas, soa tudo a desejos de passado ou ansiedades pelo futuro, passando ao lado dos verdadeiros desafios que o presente, este aqui e agora, mesmos, exigem. E depois, persistindo, sabes como dói imaginá-los, a eles, que estão no bem bom dos seus lares, a dizerem baixinho, ” este gajo, agora, anda para aqui a pavonear santidade de trazer por casa, iludindo-nos com falsas colaborações que mais não são do que pequenas e subtis encenações, onde possa, subtilmente, exibir as suas pequenas e grandes frustações.”
Irmão dióspireiro, sabes no que é que isto está quase a dar, que me deixe ficar como tu, impotente, ao vento e à chuva dos tantos desânimos juntos e, aos poucos, menos um post aqui, menos uma telefonadela acolá e, aquilo que queria fosse a igrejinha de S. Damião, à semelhança do nosso Francisco, na net, pouco a pouco, sem folhas, sem vida, acabe por expirar.
Irmão dióspireiro e todo o outono que carregas, sei que me acenas para que não desista, que em mim, a Primavera, ao contrário de ti é quando quiser, assim eu saiba reconhecer a força do Espírito que, desde a primeira hora me anima e impele a continuar.
Olha, se calhar, um mês depois, pode ser que este desabafo com carga outonal provoque nos meus irmãos um abalo editorial, convivencial, tipo, bora lá às arcas, bora lá aos telemóveis, bora lá aos textos, bora lá às imagens…
De facto, são possíveis novas viagens.
Boa noite.
ac
Da Lusa de ontem. Para ler e perceber que, afinal, as novas tecnologias são mesmo para criar novas sinergias e, no caso dos emigrantes de S. Marinho de Sande, estar em contacto, mesmo que visual, ajudará a encurtar a distância…espiritual.
Guimarães, 03 Nov (Lusa) – A paróquia de S. Martinho de Sande, em Guimarães, equipou a igreja para poder transmitir a missa pela Internet, revelou à Lusa o pároco local.
“É um processo informático simples que foi adaptado às necessidades da igreja”, explicou o padre Abel Arantes de Faria, salientando que a primeira emissão vai ter lugar no próximo domingo no site da paróquia, seguindo-se depois transmissões regulares das eucaristias dominicais.
“Não conheço nenhuma situação idêntica a esta, em que a missa de domingo possa ser vista em qualquer parte do mundo”, salientou o sacerdote.
A igreja de S. Martinho de Sande sofreu obras de restauro durante dois anos e foi colocado um sistema de videogilância, através de seis câmaras, que pode ser visto on-line por cinco elementos do Conselho Económico da paróquia.
“Agora a igreja estará sempre aberta já que haverá sempre alguém a ver o que se passa no interior do templo”, explicou Abel Faria.
“A ideia de transmitir a missa e as cerimónias religiosas pela Internet nasceu para aproveitar o investimento que tínhamos feito nas câmaras de vigilância”, disse a mesma fonte.
A juntar às seis câmaras já instaladas, foi colocada na igreja uma nova máquina, capaz de filmar todo o espaço. As imagens captadas, vão estar disponíveis em www.mogulus.com, no espaço TVSande.
Com cinco mil habitantes e cerca de 1.500 participantes regulares nas cerimónias religiosas, a freguesia tem grande parte da população a residir no estrangeiro e esse é também o público-alvo destas emissões.
“As pessoas deixaram a freguesia porque procuram uma vida melhor em outras terras mas, quando regressam para passar férias, assistem à missa”, salientou o padre Abel Arantes de Faria.
No entanto, será mais a pensar nos “emigrantes, nos idosos e nos doentes”, a missa das 11:00, ao domingo, pode ser seguida via Internet, através da TVSande.
Também no edifício da igreja foram introduzidas diversas alterações. Atrás do altar-mor foi colocado um projector multimédia que fará projecções numa tela colocada no meio do templo.
E o próprio altar dispõe de um painel electrónico que muda as imagens religiosas expostas. Com um custo total de 350 mil euros, as obras de restauro do edifício, construída há duzentos anos, incidiram apenas no interior do templo.
“A população está ansiosa para poder ver o resultado do investimento e para poder assistir à missa através da Internet”, salientou o sacerdote.
Lusa/Fim
Quem disse que as coisas por aqui não estavam animadas?! Micas, a pequena gata que ciranda pelo nosso virtual convento, resolveu prendar-nos com a sua mais recente composição musical “Serenata para Jingo“.
Jing….o quê?!
O quê, não sabes o que quer dizer Jingo?!
Então espera um pouco mais. Deixa-te surpreender, já que tardas em surpreender-nos a nós. Ou, de como é bom estar por aqui e ser surpreendido com as fabulosas colaborações que, de vez em quando, se metem ao caminho!
Já voltamos.ac
Colaço, toca a continuar. O dióspireiro deixa cair as folhas, mas vai retomar energias na mãe/irmã terra, para de novo rebentar, viçoso, em novas folhas, flores e fruto tão apetecido!
Gostaria de partilhar memórias, à volta do jingo. Momentos que nos marcaram. A cada um à sua maneira.
Também gostaria de reconstruir uma ou outra música com a ajuda de colegas ( partes que não recordo…)
Sou pobre em fotos. As antigas moram em Trás-os-Montes, na mala que ainda levei para Gondomar.
Um abraço amigo. Encorajador (se ainda necessário…)
Sério
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Nota -Já reparaste quem é o caixa de óculos atrás de ti?!Grande abraço, irmão!ac
O Jingo – 0
25 de Setembro de 1960. Onze anos e de fato e gravata. Pretos. O laço da Comunhão Solene a pender do braço esquerdo era ao único sinal da festa. Uma vaga memória de posar intencionalmente esse laço para a fotografia ( na sacristia da igreja de São Romão)
Ah! E sapatos! Sapatos, pois então! Sandálias e tamancos passavam à história. É que no dia seguinte ia para o Seminário.
Segunda, 26. Cinco e meia da manhã. Sentia-me importante: a casa mobilizara-se à volta de mim, nomeadamente na confecção do enxoval. Enxoval! Coisa de raparigas casadoiras. que toda a gente ligava só a raparigas casadoiras!…
Fato, gravata, sapatos – pretos. A mala e o saco distribuíam-se pelos que me acompanhavam da família. Seguíamos para a garagem da Arganilense. Sobravam dedos na conta dos momentos que gozara andar de camioneta! Qualquer coisa parecida, só na traseira dum carro de bois, a ver o chão a andar para trás, para trás – e não precisar de dar às canetas… Em pulgas por andar de camioneta, nem recordo com nitidez o beijo de despedida da mãe. Preocupações eram com o Zé, que me levava para o Seminário.
Três horas e meia, quase quatro, para os 89 Km que tantas vezes lera na placa junto à nossa casa.

Coimbra. Estação Nova. Comboio para o Porto. Desilusão! – Imaginara-o camionetas atreladas umas às outras, bonitas, pintadas – afinal tão farrusco! Mais farrusco que a minha cozinha!!!
Na Pampilhosa, outros miúdos, de fato preto como eu. Haviam deixado o comboio da Linha da Beira Alta. Entre eles, alguns já crescidos. Iam também para o Seminário. Sensação estranha. Com toda aquela gente, o comboio já não ia para o Porto – ia para o Seminário!!!
Salto para o assento do banco comprido de ripas de madeira, em cima do qual se atafulhavam malas e sacos, nas redes. Lanço o braço por cima das altas costas do banco, curioso pelo que haveria do lado de lá. Às apalpadelas, encontro o que suponho ser mais um saco de roupa entre tantos. Fofinho. E toca a rufar com os dedos.
De repente, um alvoroço. E pra cima de mim! O Zé agarra-me pelo braço, faz-me descer do banco e contorna-o: – Pede desculpas, JÁ!!! Uma freira, já de idade, desaconselha o puxão de orelhas do meu irmão. Mas foi-me dizendo: – Temos de ter cuidado, respeitar as pessoas…
Foi então que reparei noutra freira, bem mais nova, sentada na parte de cá do banco e que me sorria, complacente, enquanto endireitava o véu, o prendia ao cabelos e o ajustava na cabeça.
E resguardei cá dentro, num canto qualquer, aquele sorriso brilhando no meio do chinfrim que eu provocara…
Sério
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NOTA – O editor do irmão sol depreende que este saboroso naco de prosa é mesmo para continuar. Obrigado, Constantino Sério, por mais este exemplo, por mais esta pepita de cintilante história,que, tal como tu, sem preocupações de estilo, cada um de nós pode arrancar ao inexplorado sub-solo das suas tantas e adormecidas histórias por contar. Quanto ao teu apoio, por que é que achas que estamos aqui? “Senhor, como é bom estarmos aqui. Construamos mais duas tendas para ouvir histórias tão eternas“!ac
Meu bom Amigo
Aí vai o convite.
E não desanimar… Já sabe: a malta anda com imenso trabalho e alguns nem escrever sabem. Mas sabem ler.
Por isso, continue a mandar as suas belas fotos e iluminantes pequenos comentários.
Creia na minha estima
Anselmo
Ao fim de mais um dia de continuidade do irmão sol, uma palavra de muita gratidão ao meu querido amigo Pe Anselmo Borges. De facto, também, graças a ele, e à iluminação das suas palavras sobre a Palavra, é que ainda por aqui estamos. Gostava muito de, lá mais para a frente, aqui nos dedicarmos aquilo que insisto em chamar o WEBangelho do sec XXI, ou seja, ouvirmos e partilharmos, mais do que “debatermos”, a inspirada leitura que, tanto ele como outros amigos ( Frei Bento Domingos, os nossos irmãos Capuchinhos e tantos outros) fazem dos evangelhos tendo em conta os tempos em que vivemos.
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Aqui fica o CONVITE para os nossos amigos que estejam por Lisboa, e não só, para que participem, na próxima Quinta-feira, no lançamento do livro “A Sexualidade, A Igreja e a Bioética“ e o privilégio de, sobre a matéria, ouvirmos o Pe Anselmo, bem como os outros oradores.
Muito Obrigado, uma vez mais.
antónio colaço
ACTUALIZAÇÃO
Acabamos de respigar da Lusa, de há momentos, um excerto do seu take:
(…)
Miguel Oliveira da Silva considera que será “inevitável, mais tarde ou mais cedo”, uma abertura da Igreja Católica a estas questões, mas “não será com certeza com este Papa [Bento XVI]”.
“Mais tarde ou mais cedo há-de vir um Papa que ninguém espera – quem esperava que Barack Obama vencesse as eleições nos Estados Unidos quando concorreu contra Hilary Clinton? – que irá abrir a pouco e pouco” a posição da Igreja sobre estas questões.
No livro, o autor acrescenta que “é tempo de aprendermos com os acontecimentos das últimas quatro décadas e ver que as posições do Magistério – a hierarquia que define as posições doutrinais – estão e estarão cada vez mais dissociadas da realidade dos próprios fiéis, com todas as consequências que daí advêm”.
“Efectivamente, Roma perdeu a batalha da contracepção e da procriação medicamente assistida (PMA)”, lê-se no livro, que será apresentado quinta-feira na Casa-Museu da Fundação Medeiros e Almeida pelo padre Anselmo Borges, o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, e por Maria de Jesus Barroso.
O prefácio do livro de Miguel Oliveira da Silva é da autoria do padre e professor de Filosofia na Universidade de Coimbra Anselmo Borges.
Em declarações à Lusa, o padre Anselmo Borges disse concordar “completamente” com a perspectiva do autor quando diz que “há um tremendo mal-estar não apenas nos fiéis mas das pessoas em geral contra a Igreja”, provocado pela “não abertura da Igreja em relação à sexualidade”.
“Há posições da Igreja Católica em relação à sexualidade que estão profundamente envenenadas”, sustentou.
Para Anselmo Borges, há questões que precisam ser reequacionadas como o celibato dos padres, que enquanto for “uma lei obrigatória a Igreja dificilmente sai para fora da suspeita no domínio da sexualidade”, e a possibilidade de “as mulheres terem acesso em igualdade com os homens em toda a realidade da Igreja”.
Por outro lado, acrescentou, “é absolutamente inadmissível que se continue a condenar o preservativo”, que em certas circunstâncias deve ser “não só possibilitado, mas considerado obrigatório”, em questões relacionadas com a saúde.
Numa altura em que se assinalam os 40 anos da encíclica “Humanae Vitae”, Anselmo Borges defendeu a necessidade de rever toda a questão da concepção artificial e que a Igreja deve abrir-se com “outra visão” em relação a esta matéria.
“É necessário um caminho novo para, de modo digno e fiável, falar do casamento, do controlo da natalidade, da procriação medicamente assistida e da contracepção”, concluiu.
HN.
Anda, Micas. Já podemos dormir em Paz. A Paz pode, finalmente, começar a pensar em poder dormir um pouco.
Começou a guerra à guerra.
Como seria bom que os mesmos meios, nomeadamnete, os mediáticos, que ajudaram a construir este presidente, presidissem, agora, com igual eficácia e … rapidez à construção de um mundo mais justo e com uma nova agenda, desde logo, com a resolução dos problemas da pobreza, dos sem-abrigo e, tudo o mais, à cabeça.
antónio colaço
Nem os leitores imaginam como chegámos aqui!
Perguntarão, “sim, qual o mistério, o site da Ordem dos Capuchinhos, que todos já conhecemos”!
A verdade é que sabíamos que muito em breve este pps sobre a criação do Museu do Presépio iria ser colocada na página da Ordem. Dissemos, mesmo, a Frei Lopes Morgado, que o link seria assegurado logo que lá estivesse colocado. Só que, ao contrário do que alguns irmãos possam pensar, o irmão sol é um pequenina parte do nosso imenso e intenso quotidiano e o facto de não estarmos aqui a tempo inteiro…
Vai daí….a net tem destas coisas, já que o pessoal (assim fica mais distendido!!!) não escreve para o nosso irmaossol@gmail.com ( clica no link e … de pronto, estás a “falar” connosco!!! ) alguém do lado de lá do Atlântico já nos “descobriu” como passamos a relatar, com os links e tudo que nos enviou.
Portanto, e ainda antes de atravessarmos o Atlântico, aqui fica o sublinhado para a divulgação do trabalho do nosso querido Frei Lopes Morgado, toma lá outro link, que esperamos um destes dias “surpreender” numa breve visita (gostaste deste novo conceito de surpresa?!) a concretizar.
Quanto ao resto, fiquem com “esti taul dji Rivaldo, né” para quem publicamente enviamos um abraço.
ac
Lisboa, 06 Nov (Lusa) – O bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, lamenta que a igreja esteja “muito parada e adormecida” e que se tenha esquecido da sua missão no mundo, de consciencializar a sociedade civil para a necessidade de ser participativa.
“Digo muitas vezes que a nossa igreja está muito cultista (virada para o culto e para si), muito parada, muito adormecida e que se esqueceu desta missão que tem no mundo e que passa por ajudar as pessoas a descobrirem a sua dignidade, a sua importância e os seus direitos naturais e levá-las a aparecerem de forma justa através de baixo assinados, participações, movimentos” disse à Lusa o bispo de Setúbal.
De acordo com D. Manuel Martins, a participação da sociedade é uma das soluções para que se mude a política, orientada por interesses económicos e não para o “Homem”.
As declarações do bispo emérito de Setúbal surgem a propósito da sua participação no I Congresso Internacional da Associação Portuguesa de Solidariedade Mãos Unidas Padre Damião, que se realiza no próximo fim-de-semana, e onde será abordada, entre outros assuntos, “A luta contra a fome e a pobreza em Portugal”.
“A sociedade civil tem que se consciencializar que tem de ser participativa. Tem que tomar consciência que é construtora de história, que não pode ser levada porque não é um sujeito passivo, mas activo”, defendeu.
Para o bispo, as necessidades de apoio por parte de um sector da sociedade, “os que andam cá em baixo”, tem crescido com a actual crise económica, mas a sua situação fragilizada, sublinhou, já vem de trás.
“Há uma grande insatisfação, um grande medo e uma grande sensação de incapacidade nestes tempos. As pessoas compram muito menos e do que compram, compram muito mais barato, para não falar daquelas que não tem dinheiro para comprar”, disse, recordando que há “dois milhões de pobres em Portugal”.
Lamentou a existência de famílias que vivem com um rendimento reduzido e com o “medo permanente” de perderem emprego, ou que surja uma despesa, nomeadamente de saúde, que não possam suportar.
“Admiro-me e aflige-me como uma família com rendimento pequeno pode viver tendo em conta que no momento mais próximo esse orçamento tem que ser invadido por uma circunstância como uma doença. Pensar que há famílias que vivem neste medo permanente, que não podem sonhar, sorrir, projectar porque a qualquer momento pode surgir uma circunstância que fure aquele orçamento pequeno”, explicitou.
De acordo com o Bispo de Setúbal, vive-se em “dois mundos em Portugal”: o “irreal do “foguetório” e o “real das pessoas que andam cá em baixo, com os pés no chão”.
D. Manuel Martins considera que as “políticas não têm sido acertadas, porque não tem havido um critério humanista”.
“O Homem é que é o grande critério, o grande fundamento, destinatário e objectivo” da política, referiu.
O Bispo desculpa, no entanto, os políticos que “não mandam nada”, considerando que são conduzidos pelo poder económico, actualmente envolvido numa economia “super, hiper neo-liberal”, que também não tem o “Homem” como objectivo.
Face a esta realidade, D. Manuel Martins diz que o medo, que já não é só “físico”, se instalou na sociedade portuguesa.
“O medo instalou-se na sociedade portuguesa. Este medo foi ainda aumentado, engordou, por causa de toda esta bancarrota da banca. Além deste medo insatisfação que já vem de trás agora vem este terramoto que só dá para assustar as pessoas”, sublinhou.
SB
O irmão sol esteve no lançamento do livro, “A sexualidade, A Igreja e a Bioética“, de Miguel Oliveira da Silva, numa edição da editora Caminho.
A fabulosa sala/auditório da Casa Museu da Fundação Medeiros e Almeida foi pequena para os muitos participantes com destaque para a camada jovem – muitos, alunos do Prof Miguel Oliveira – e que , assim, não quiseram perder pitada de uma obra que, a todos os títulos, como sublinharia o Pe Anselmo, “constitui um contributo exemplarmente lúcido” para o tratamento, por parte da Igreja, do tema da sexualidade. “É legítimo o desejo de que o Magistério diga algo de positivo sobre o tema da sexualidade.É um sinal de grandeza e autoconsciência“, quarenta anos depois da encíclica Humanae Vitae,” alguém confessar os seus erros e visão limitada“, adiantaria Anselmo, citando o cardeal Carlo Martini.
Aguardamos o texto da intervenção do Pe Anselmo e como nos sobra pouco tempo para a edição que desejávamos mais serena, a promessa de que voltaremos ao assunto.
De realçar os testemunhos de Maria Barroso, que confessou não ter ainda lido a obra mas que quis emprestar com a sua presença o reconhecimento e o mérito do debate que ela vem lançar, o apelo do jovem Albino Aroso para que os jovens da sua provecta idade se abram às mudanças que o tempo convoca, mas, sobretudo, a coragem de D.Januário Torgal que ali confessou ter recebido n mails pedindo-lhe para que não participasse na sessão. Evocou, então, a liberdade como contraponto para o sentimento de confiança que nutre em relação à esperada mudança da Igreja em relação a este domínio, confessando que, também há 4 anos foi contra a guerra do Iraque, tendo participado numa criticada sessão e, hoje, é o que se vê; o apoio que deu ao saudoso Bispo D.António Ferreira Gomes, que, ainda veria a liberdade de Abril…Enfim, D.Januário a acreditar que este livro pode ajudar a abrir as mentes lançando um apelo, sobretudo aos mais jovens, para que o debatam.
Numa sala carregada de um passado cheio de arte, acreditamos na arte de acabar com visões retrógradas. Como se lê, a dado passo, “deve a Igreja ser reformável e engrandecer-se, sabendo reconhecer nesta área os erros do passado? É isto possível ou desejável? É uma outra ética da sexualidade compatível com a Fé em Jesus Cristo, numa Igreja que seja hoje farol de Esperança e amor para homens e mulheres?E por que se calam nesta matéria tantos dos bioeticistas, crentes e não crentes“?
Pe Anselmo e a mesa com os participantes.
Uma entusiasmada assistência.
-Vou ler, sim senhor!
-Manel (Vilas Boas, com quem muitos dos nossos leitores estudaram ) desculpa, lá, o mau jeito, mas…era um momento imperdível!
Pe Anselmo com Maria de Belém Roseira
antónio colaço
Sábado, momento aguardado com crescente ansiedade.Rapidamente e em força a folhear o DN.
Bom dia, Pe Anselmo:
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
Não cabe aqui um esboço sequer da história das concepções evolucionistas. De qualquer modo, a ideia de evolução já tinha acenado entre os gregos. Em 1809, Lamarck expôs a sua teoria da não imutabilidade das espécies. Mas foi em 1858, há 150 anos, que a ideia da selecção natural e da luta pela existência, de Alfred Russel Wallace e Charles Robert Darwin, foi apresentada na Linnean Society de Londres. No ano seguinte, em 1859, Darwin publicou a obra célebre: A Origem das Espécies.
Atendendo a estas datas e sobretudo às celebrações do segundo centenário do nascimento de Charles Darwin – nasceu em 12 de Fevereiro de 1809 -, aumentarão os estudos científicos sobre as teorias da evolução, não faltando os debates à volta da sua relação com a religião, por causa do livro do Génesis, do “criacionismo” e do chamado “desígnio inteligente”.
O primeiro embate célebre deu-se logo em 1860, em Oxford. Perante uma assistência numerosa, o bispo de Oxford, Samuel Wilberforce, foi perguntando ao naturalista Thomas Huxley, defensor de Darwin, se descendia do macaco pelo lado do avô ou pelo lado da avó. Huxley respondeu: “Penso que um homem não tem que envergonhar-se por ter um macaco como avô. Se tivesse de envergonhar-me de um antepassado, seria de um homem: um homem de inteligência superficial e versátil que, em vez de contentar-se com os sucessos na sua esfera própria de actividade, vem imiscuir-se em questões científicas que lhe são completamente estranhas, não faz senão obscurecê-las com uma retórica vazia, e distrai a atenção dos ouvintes do verdadeiro ponto da discussão através de digressões eloquentes e hábeis apelos aos preconceitos religiosos.”
Por causa desta resposta, considerada pouco elegante, uma senhora desmaiou. A mulher do bispo, essa, terá dito entre dentes: “Só faltava esta: descender de macacos! Se for verdade, rezemos para que ninguém saiba.”
A teoria da evolução constituiu uma daquelas humilhações do Homem de que falou Freud. Embora o Homem não descenda do macaco, ele e o macaco descendem de um antepassado comum, o que não constituiu uma descoberta particularmente exaltante. Desde então a nossa visão da natureza, do Homem e de Deus modificou-se.
Significativamente, já na altura, muitos religiosos britânicos declararam que não havia incompatibilidade com a fé. O historiador das ciências D. Lecourt escreveu: “A figura mais importante da Igreja escocesa declarou-se evolucionista e, num curso, em 1874, aconselhou os teólogos a sentirem-se ‘perfeitamente à vontade com Darwin’.” Darwin, sepultado com pompa, em 1882, na abadia de Westminster, a alguns passos do túmulo de Newton, nunca foi oficialmente condenado pela Igreja católica e A Origem das Espécies nunca esteve no Índex.
De qualquer modo, segundo o reverendo Malcom Brown, director dos serviços de relações públicas da Igreja Anglicana, a sua Igreja deveria agora pedir desculpa pela má interpretação de Darwin e algum fervor anti-evolucionista.
Hoje, os equívocos beligerantes provêm essencialmente do “criacionismo” americano e do chamado “desígnio inteligente”. Mas o “criacionismo” assenta numa leitura literal do mito da criação do Génesis, esquecendo que o Génesis é um livro religioso e não de ciência e que só uma leitura simbólica é adequada. Quanto ao “desígnio inteligente”, o seu equívoco provém da ambição de demonstrar Deus pela ciência.
De facto, como é evidente, a existência de Deus não é nem pode ser objecto de ciência. Mas afirmar taxativamente que a evolução é mero produto do acaso não deixa de ser também uma posição dogmática. A ciência vai respondendo ao “como” da evolução, mas não responde ao “porquê”, concretamente ao porquê e para quê da existência do Homem e de tudo: “Porque há algo e não pura e simplesmente nada?”
Como escreveu o cientista Francisco J. Ayala, na conclusão da sua obra Darwin e o Desígnio Inteligente, “a evolução e a fé religiosa não são incompatíveis. Os crentes podem ver a presença de Deus no poder criativo do processo de selecção natural descoberto por Darwin”.
Olá amigos
Tudo o que se planta com amor e carinho cresce.
Lembram-se do girassol do Colaço?
Certamente foi-nos oferecido com carinho. Pois ele já está a florescer.
Creio que é a melhor homenagem que podemos fazer a São Francisco.
Ele tão naturalista que foi.
Um abraço a todos os amigos capuchinhos.
Continuarei a dar-vos notícias do nosso gira-sol.
Zacarias Dias (Gondomar 1966)
NOTA: É melhor não dizer mais nada!O editor, como de costume, antes de fechar a edição passa pelo gmail, a porta deste nosso convento virtual, a ver se algum irmão quer entrar!Nos últimos tempos a vontade é quase nenhuma tantas as vezes que regressa sem gente querendo entrar, partilhar.
Mas hoje, Sábado, há minutos, OLHA SÓ?!
Mais palavras para quê?
Voltaremos ao assunto.
Obrigado, Zacarias.
O teu girassol vai tornar mais luminoso este nosso dia!
Graças a Deus!
ac
Esplendoroso sol que se alevanta do Tejo.Esplendoroso Tejo que se alevanta com o sol.Esplendorosas nuvens que, de braço dado com o Tejo, se alevantam, bendizendo, o irmão sol.
Assim eu, Senhor, sabendo que por trás de outras nuvens, que, em mim, de chumbo trago tecidas, como as do Gólgota da tua sexta-feira, prontas a desabar em dor, talvez que chamando por Ti, para que não me abandones, também, talvez te descubra em Plenitude,onde, por enquanto, só vejo negritude.
ac
WEBangelho.Quotidiano e profundidade espiritual
Publicado Novembro 9, 2008 Uncategorized Leave a CommentDo Público de hoje, com a devida vénia:
Frei Bento Domingues, O.P.
Não fujam, procurem, em tudo, discernir o que é bom. É essa a proposta do primeiro escrito cristão
1.Estamos na oitava dos “Fiéis Defuntos”. Gosto da irritação de Jacques Maritain, filósofo católico de ascendência judaica: “Escandaliza-me o modo como os cristãos se referem aos seus defuntos. Chamam-lhes mortos; não foram capazes de renovar o pobre vocabulário humano sobre um ponto que atinge dons essenciais da fé. Mortos! Poder-se-á assistir a uma Missa pelos mortos? Vai-se ao cemitério levar flores aos mortos? Reza-se pelos mortos? Como se eles não fossem mil vezes mais vivos do que nós!… Os que deixaram esta terra para entrar no outro mundo não estão mortos. Se estão no céu, vêem Deus. São os vivos por excelência. Se estão no purgatório, sofrem, mas com a certeza que verão a Deus. Devido a esta certeza, estão muito mais vivos do que nós…”
J. Maritain tem toda a razão, mas nem ele consegue descolar de um conjunto de enganosas metáforas geográficas. Prefiro Santo Agostinho: “Os mortos não estão ausentes. Estão invisíveis. Têm os olhos cheios de luz, fixos nos nossos cheios de lágrimas.”
É a impossibilidade da comunicação recíproca que nos testemunha a morte, mas, para nós, só ficarão mortos aqueles que esquecermos. Por isso, sem um Deus de puro amor não haverá memória redentora para todos e para sempre. Foi o que tentei dizer no domingo passado.
2.Recebi, no entanto, um reparo bem áspero: “Deixe-se de mortos e cuide dos que, hoje, vivem mal.” Esta observação não se inscreve, apenas, numa crítica à religião – que já vem do século XIX e percorreu o século XX – enquanto alienação intelectual, antropológica, psíquica e socioeconómica. A uma religião sem mundo parecia suceder um mundo sem religião. Era uma nova crença: na medida em que se forem resolvendo, de forma científica e técnica, os nossos problemas mais palpáveis, as religiões irão perdendo terreno e acabarão por desaparecer.
A crítica mais certeira das falsas devoções veio, porém, do interior da própria religião, de alguns profetas do antigo Israel que Jesus Cristo radicalizou. Quem beber nessa Fonte e se aquecer a esse Lume será sempre confrontado com a mesma pergunta: “Que fizeste do teu irmão?”
Quando nos referimos às religiões, pensamos, de imediato, em sistemas culturais e simbólicos, em credos, em dogmas, em ritos, em organizações mais ou menos hierarquizadas e em normas morais. Ao dizer isto, devemos ter cuidado, pois as religiões são diversas, multifuncionais e podem ser utilizadas para o melhor e para o pior: para fazer a paz e para fazer a guerra; para manter a concórdia e suscitar a revolta.
A própria etimologia da palavra religião tanto pode vir de “religar” o humano e o divino e os membros de uma comunidade, como de “reler”, reconsiderar, observar cuidadosamente as formas e as fórmulas que mantêm a separação do sagrado e do profano. Sob este ponto de vista, o contrário de religião é a negligência, a distracção, a falta de regras para manter o sagrado e o profano nos seus respectivos lugares.
A primeira etimologia evoca um universo integrado. A segunda é tentada pelo ritualismo e até pelo fanatismo. Daí, a saborosa adivinha eclesiástica: qual a diferença entre um terrorista e um liturgista? Com o terrorista é possível negociar. Com o liturgista, nunca.
3.Por causa de usos e abusos de práticas rituais e de imposições dogmáticas, há pessoas, profundamente religiosas, que preferem caminhos de meditação, de espiritualidade, de mística, em regime de isolamento ou de peregrinação. Quando, porém, se foge de manifestações exteriores, pode-se cair num intimismo alheio às questões da sociedade. Ao evitar o ritualismo e o dogmatismo, não se deve esquecer que a ritualidade faz parte do ser humano e que precisa de articular convicções em constante aprofundamento. A grande questão é esta: como alimentar a qualidade estética, a exigência ética, a profundidade contemplativa e a clarividência profética nas celebrações da fé cristã?
Pode-se dizer, com razão, que as celebrações da Eucaristia – isto pode ser extensivo a todos os sacramentos – têm uma estrutura que permite articular palavra, silêncio, gesto, imagem, música, interpretação, relação entre quotidiano e festa, profundidade espiritual e intervenção profética, vencendo o reino das aparências, sem resvalar para o esotérico ou para o comício.
Dizer isto não é difícil. No entanto, para promover todas essas dimensões com autenticidade, seria preciso, nas paróquias e nos movimentos, conceber e realizar programas que saibam unir formas de vida e de expressão que há muito tempo andam divorciadas. Esta é uma das tarefas primordiais da Igreja.
Dir-se-á que os verdadeiros problemas de hoje dizem respeito ao genoma humano, aos organismos geneticamente modificados, à identidade sexual, às novas formas de viver em comum, à clonagem, à globalização, à regulação financeira e das telecomunicações, etc. A Igreja católica não vive ausente de toda essa nova problemática cultural que também faz parte do seu corpo. Precisa, no entanto, de escutar a voz do Espírito. É essa, aliás, a proposta do primeiro escrito cristão: não fujam, procurem, em tudo, discernir o que é bom (1 Ts 5, 19-21).
Senhor, sei que não saiste da minha vida, mas, hoje, sinto-me como se a Vida tivesse saído de mim. Quase não te sinto, mas ainda sei de Ti…
ac
Sabes, Senhor, que continuo com todo o Tempo para ti. Tu és, afinal, o Tempo.
Que não tenha tempo para vir aqui, falar, aqui, Contigo, pouco importa porque, afinal, estou sempre à tua porta. Aliás, percebo , agora, porque é que nenhum dos nossos amigos sente qualquer entusiasmo por esta ideia de fazer da net um lugar de oração. Têm a sua vida, não lhes sobra um minuto para vir aqui, assim, neste lugar…”devassado”, exposto, dar conta do que te dizem.
Sim, Senhor, também sabes que entre o que te digo e o que aqui é deixado, qwertado, sobra tanto tempo, como nos últimos dias, em que mil e uma tarefas tomaram conta de todos os meus minutos. Mas… tanto que falamos, sim, é de conversas Contigo que se faz a nossa Oração, sim, eu falo, tu, em regra, nada dizes porque assim é que está certo, quer dizer, Tu não precisas de falar porque saber de Ti não precisa de qualquer palavra, apenas que Te sinta. Senhor, nada quero de tudo o que quero a não ser que nunca me deixes sem a percepção de que, verdadeiramente, Te quero para sempre.
Sabes como sofro perante o silêncio dos meus irmãos, sobretudo porque julgam que eu sou isto, eu só vivo para isto e que passo a vida a criticá-los, a julgar o seu silêncio, eles que têm mais que fazer do que abrir o seu computador com páginas bem mais apetecíveis e serem chagados por um pseudo-iluminado da Web que lhes critica a passividade e se arroga no direito de se ciliciar por dá cá aquele byte.
Mas, no entanto, quando parece chegar a hora de clicar no ícon da WordPress “DELETE BLOG!”, há sempre uma mãozinha invisível que se encarrega de trazer uma boa nova para a nossa comunidade – sim, reafirmo, é de uma verdadeira comunidade que gostava que o irmão sol se tratasse e onde o único voto por que nos sentimos obrigados se chamasse convivencialidade – como acaba de ser, outra vez, o envio pelo Armando Pinto, de dois dos seus livros. Já o envio da foto dos girassóis do Zacarias deixou um rasto de um incomensurável ânimo, agora os livros do Armando, como vês, Senhor, até nem teria razões para estar para aqui com esta conversa toda, pois, em última análise sou eu o primeiro beneficiário da primeira ondinha das mil e uma ondinhas de entusiasmo que tais iniciativas causam.
Só que, somos ambiciosos, queremos sempre Mais, muito mais e … – pois, para os qualificativos menos simpáticos, aqui estou eu a usar o “nós” que tanto jeito dá !!!
Pronto, está certo, não dói nada. Isto vai. Devagarinho vai. Seja o que Deus quiser… o Espírito vai dar um jeito e, por certo, mais corações vão abrir-se.
ac
Tomo a liberdade de dar a voz ao Pe Vítor Gonçalves, actual pároco da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Lisboa. Confesso, conheço-o mal. É um dos jovens padres que já percebeu a importância da net como forma de antecipar a abordagem da Palavra/Evangelho, aos domingos. Estive para publicar a “homilia” da semana passada mas, face à riqueza e actualidade do que nos propõe, aqui vai. O Pe Vítor, não tem página, creio. “Anda” de porta em porta, através dos mails. É lá das minhas bandas. Acho que vão gostar, tanto como eu. Por que digo isto? Porque temos, entre nós, entre a comunidade de leitores, tantos pregadores a quem, espero, não seja preciso dizer – mais uma vez – entrem, façam favor! Sirvam-se deste “púlpito”, queremos ouvi-los. Sejam dominicanos, seculares, franciscanos, beneditinos. Tá?!
P. Vítor Gonçalves
DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM Ano A
“Tive medo e escondi o teu talento na terra.
Aqui tens o que te pertence.”
Mt 25, 25
Dar(-me)
Entre o ter e o dar dividimo-nos ao longo de toda a vida. Muitos julgam que só podem dar quando tiverem em abundância, e outros tantos planeiam ser muito generosos se lhes sair o euromilhões. É tão fácil esquecer que as maiores dádivas quase nunca têm a ver com quantidade ou com coisas materiais. No fundo, o que temos que não nos tenha sido dado? A começar pela vida, passando pelo dom da amizade e o milagre do amor, é importante o nosso trabalho e esforço, mas quanto existe de dádiva que dependeu mais de outros do que de mim? Concordo com o Einstein: “o valor de um homem reside no que dá e não no que é capaz de receber.”
Jesus bem insiste na batalha contra o medo. E também há o medo de dar, de confiar (que é dar-me a alguém), de correr riscos por algo maior. Porque o dar implica deixar de ser dono de algo (e somos verdadeiramente donos de quê?). Tempo, dinheiro, saúde, fama, coisas que consideramos tão essenciais, mas tão facilmente se esboroam perante a inevitabilidade da morte. Irvin Yalom, um psicoterapeuta norteamericano, defende que é o medo da morte e do esquecimento que nos impede de viver verdadeiramente: “Se sente que o terror do esquecimento lhe rouba a alegria de viver, talvez esteja a viver mal, talvez não esteja a dar-se o suficiente, a estender a mão aos outros, a partilhar com eles as suas descobertas”, afirma. Quando pensamos e agimos dependentes do medo é difícil o salto generoso e aberto que toda a dádiva implica. Medo do outro, do que pensa diferente, da novidade, da conversão, do compromisso: quantos medos podemos descobrir? E quando o medo vence, enterra-se sempre uma riqueza!
Num tempo em que a mulher era pouco considerada, é espantoso o elogio da mulher trabalhadora do Livro dos Provérbios. Como se a sabedoria de Deus se revestisse com os seus traços! Perante o seu incansável trabalho e generosidade, um pedido que permanece actual: “Dai-lhe o fruto das suas mãos, e suas obras a louvem às portas da cidade”. Grande e ousado o risco da Escritura em apresentar a mulher como modelo de trabalho e de dádiva! E quantos medos ainda persistem em reconhecê-lo, dentro das paredes de casas e instituições, longe e perto de nós?! Quem não aprendeu e cresceu na alegria de dar com as nossas mães, com as mulheres das nossas vidas? Não só a dar mas a darmo-nos, com o enlevo de quem gera vida nova e a oferece ao mundo? Deve ser por acaso que foram servos e não servas quem recebeu os talentos da parábola. Talvez pelas dificuldades ou pela capacidade de alargar o coração, dificilmente uma mulher enterraria o talento recebido!
Há dias tropecei nesta fotografia. Mas… não posso crer, é ele mesmo o meu querido amigo Luís Gonçalves. O Padre Luís!Ele o seu imperturbável cigarro, segurado com os dedos hirtos como só ele sabia, qual poetisa Natália Correia e sua saudosa boquilha, sempre em riste, desafiando os deuses, sim, sei do que falo, Luís, realmente!
Sim, realmente, é ele!
Luis, não acredito que ainda não tenhas dado uma volta aqui por estas páginas! Estou mesmo a crer , juro, estou a ver-te sair da tua cela para nos leres, realmente, o teu último poema!
Luís, realmente, francamente, ainda nada disseste!
Temos aqui um espaço à tua espera! Sim, a FALA DAS GAVETAS. Sim, já viste como todo o mundo pode, agora, ler os teus poemas. Luís, realmente, já devias ter dito alguma coisa.
Tenho saudades, tantas saudades de te ouvir, Luís, realmente!
ac
O meu amigo Nicolau Santos autoriza-me a alargar o convite aos leitores do irmão sol, da zona de Lisboa, e não só ( olhó relógio!)para que se dirijam, em força e…JÁ!!! para o Auditório da Biblioteca Nacional onde, a partir das 18.30 decorre, entre jazz, comida, bebida e autógrafos, o lançamento do livro de poesia de António Costa Silva e do próprio Nicolau Santos!
O Nicolau, amigo, desde sempre, do irmão sol, é daquelas pessoas que não se fecham no pequeno casulo das efémeras glórias, antes, decidiu, de há alguns anos a esta parte, acrescentar mais vida à sua vida e à daqueles com quem convive.A poesia tem sido o caminho.
Por isso, e enquanto não temos acesso ao livro – o Nicolau disse-nos, há minutos, que está no ensaio e como tal não podia enviar o mail com a capa do dito, logo, também não pode ler aqui o ânimo que lhe queremos deixar!!! – pelo que temos de esperar.
Bamos embuora Nicolauê!!!!Espero que gostes desta pobre imitação andywarholiniana da tua foto de verdadeiro diseur! Acho que o nosso Viegas está ansioso por ouvir-te!
antónio colaço
NOTA DO EDITOR
Uma pequena nota, com foto e tudo, do editor!
Mal o post foi editado, mão amiga, que muito prezo, célere, pergunta: “O Nicolau é nosso?!”
De facto, o Nicolau não é nosso. Quer dizer, acho que percebi, se tinha andado nos capuchinhos?! É, então, uma ocasião soberana para explicar o lado de que está o irmão sol, ou seja, do lado do quotidiano, entre o passado de que somos feitos e o presente que estamos a fazer.
Ou seja, quando fizemos um apelo à participação, queríamos dizer exactamente isto, que nos enviassem o que quisessem, desde recordações do passado mas, também, e, se calhar, participações do presente, que é a fórmula acabada de dizer que tudo o que fazemos, no instante seguinte passa a ser, já, passado! É um facto que, face à pouca participação, quer de coisas do passado, quer de coisas do agora, o editor, entre a opção de fechar as portas e a de continuar a carrear vida para dentro desta c@sa, tem optado por esta segunda dimensão que o mesmo é dizer, vá, façam como ele, divulguem as coisas de que gostam, que têm a ver convosco, partilhem tudo o que quiserem.
Chamo a isto acrescentar vida à nossa própria vida,a de antigos alunos capuchinhos,sim, mas actuais alunos da vida!Sempre.
Concordo com D.António Marcelino, ontem no DN:” A Igreja do Vaticano II não pode ser mais uma Igreja de cristandade, na qual a tradicional vertente clerical substitua ou impeça a integração dos leigos na vida e na missão concreta da Igreja.”
Sei que não querias ir para aqui, Amigo, mas ajudou a precisar este conceito editorial que assumo.Por isso, Obrigado.
antónio colaço
Delirava – e acho que me ficou esse fascinante vício, agora que regressei à titularidade, partilhada, do órgão da matriz de Mação! – no final das Missas, quando o Leonel, terminada a função do coro, sacava do órgão da nossa Igreja do Ameal fabulosas interpretações dos mais conhecidos clássicos do órgão.Mas com o Leonel aprendi muitas outras coisas, nomeadamente, a arte de editar o Sinal+( alguém tem, por aí, algum Nº perdido de que possa enviar foto.Já agora, também da revistinha Ideal?! Não sei o que é feito da minha colecção!!!) a arte de policopiar as nossas edições e, mesmo, a arte de compor, sendo que aqui, Acílio Mendes, leva a dianteira já que fez o seu estágio como padre no nosso Noviciado, em Barcelos, e então aquilo era compormos de manhã à noite!(Ainda guardo o caderninho das mil e uma inspirações!!!)Do Leonel, para além da amizade e dos seus fulgurantes ataques no “relvado” do Ameal, guardo o intenso relacionamento que pudemos manter “já cá fora”, em Lisboa, e o grande professor/filósofo que é, na Faculdade de Letras de Lisboa, creio.
Mas… os anos passaram, cada um para seu lado, e então, rapaz, por onde andas ? Diz qualquer coisa, prenda-nos com as tuas acutiliantes reflexões. Não sei se leste, aqui, um destes dias, o recado do Sério que precisa de recompor temas musicais…
Recompõe-nos, também.
ac
Tímido, primeiro, ei-lo, resplandecente, altaneiro, fagueiro, iluminando e aquecendo o que em mim, de ontem, ainda resta enregelado, embrulhado, confundido.
Obrigado, bom Deus, não por comandares o Sol a teu belo prazer, mas, por nos teres dado esta capacidade de, em cada dia, todos os dias, com a tua obra, ainda e sempre, sermos capazes de nos surpreendermos.
ac
Constantino Sério Pereira continua a surpreeender!
Não percam, mais logo, a continuação da saga “O JINGO” que continua a prender os nossos corações!
Um assinalável êxito editorial!!
Constantino Sério Pereira, o nosso Virgílio Ferreira … mas para MUITO MELHOR!
ac
O Jingo – 1
Achei esquisito entrar por uma portinha do portão. Pousei o saco e passei para dentro, uma perna após outra, e puxei o saco. O Zé passou sem pousar a mala. Depois, um grande terreiro. Árvores alinhadas, com rosas, a receber-nos. Aprendi-lhes o nome depois: japoneiras ou magnólias. Ao fundo, uma linda escadaria. À direita, alinhavam-se muitas janelas, até ao muro de entrada. Chegámos ao Seminário!
Subimos para o dormitório (Já resmungava que não queria dormir!) Tantas camas! E havia uma para mim! Número 35. Mudei de roupa. Vesti a bata, cinzento-escura. E calcei as botas. Grandes, por sinal duraram, uso diário, até ao fim do 3º Ano.
Já no campo, perdi-me no meio dos outros, atrás da bola. Quando acabou, mandaram-me seguir com os outros. Regateei: queria o Zé! E disseram que os meus irmãos eram agora os novos companheiros! Mentira!
Ainda vi o Zé. Descansei um pouco.
Habituado a família numerosa, não estranhei tanta companhia.
Na manhã seguinte, já me engalfinhava atrás da bola de “catchumbo”. A animação era grande. Chamaram-me para me despedir do Zé – sem transporte para São Romão, haviam-lhe proporcionado uma cama. Um beijo e voltei à animação dos pontapés na bola – ou nas canelas que tentavam acertar na bola.
Quando acabou, já não vi o Zé. Choradeira. Da grossa. O Padre tentou aliviar. Mas o que me acalmou foi a intervenção de colegas, na mesma situação que eu, afinal…
Tomei consciência: estava entregue a mim… e ao Seminário!
A Quinta era grande. Mal dava conta dos muros. Lá em cima, um Monte. Disseram-me que era o Monte Crasto, onde branquejava uma torre, de capela talvez. A minha casa ficava para lá, muito para lá… para trás do Monte Crasto.
Alguém disse que havia na Quinta uma árvore muito grande. “Não maior que o meu Pinheiro Manso, lá na terra, que eu não conseguia abraçar.”“Este, só quatro ou cinco é que o abraçam: é o JINGO!”
Foi passado algum tempo que me convenci: junto das primeiras raízes que saíam do tronco e o agarravam à terra, fomos necessários seis para o abraçar, de braços estendidos e mãos dadas!
Na sala de estudo, as carteiras viradas para poente, quando os olhos se levantavam dos livros, lá estava o JINGO, enquadrado na janela avarandada do fundo, acenando com os ramos, encorajando o estudo.
Constantino Sério Pereira (Cont.)
É uma imagem da manhã, com palavras escritas muitas horas depois.
A net tem destas coisas, entre o que nos apetece dizer-Te e o timing para conseguir fazê-lo, Senhor, resta esta consoladora sensação de que estás sempre connosco, que não temos de prestar-Te, qwertando, contas, apenas, e tão só, que contas com a nossa Alegria e a vontade de a espalhar, de a fazer correr, como as prateadas águas de um rio, deste Tejo, pressuroso, a caminho da sua foz!
Tu és, Senhor, a Foz onde queremos desaguar.
ac
Colaço,
damos-te uma coroa e fazes dela 50!
Com as imagens, conseguiste dar vida às palavras. Se algo de bafiento pudesse haver nas palavras saídas de um baú, as imagens acabam por implantar a comunhão de quem se vê sentado naquelas carteiras e para quem os passos foram (ou nem por isso) semelhantes.
Obrigado pelo retoque oportuno: sinto mais leveza ao reler agora o texto.
Deixa só lembrar: por vezes as carteiras estavam ao contrário – não viradas para a entrada da Quinta, para o… jingo…
O dormitório unia, à direita de quem entre no pátio, a casa da quinta à capela que existe à face do muro do portão de entrada. O dormitório era no primeiro andar, por cima da capela a todo o comprimento do rés-do-chão.
Se o portão estivesse fechado, ver-se-ia (acho que ainda) uma portinhola na porta da direita (se não me engano). Para entrar era preciso alçar a perna (cerca de 30 cm de altura)…
Continua, Colaço. Força!
Um abraço amigo
Sério
Meu caro Sério, a sério, não tens nada que me agradecer ou melhor, só aceito “uma espécie de agradecimentos” se tal significar que, a caminho, já vêm o Jingo 2, o Jingo 3, o Ameal 35, etc,etc! É que, vê se me percebes, assim contribuímos para que os nossos amigos corram a abrir os seus “baús” e, um destes dias, o irmão sol se torne pequeno demais para as tantas histórias por contar, certo? Qual bafientos baús. Qual carapuça, meu, é a nossa história, é a nossa auto-estima que queremos ver sacudida, porventura, de alguma empoeirada sequela.
Quanto mais não seja, descubro, hoje, nas fotografias que vão chegando ( do Vaz ou do Frei Morgado e do livro dos 50 anos de Gondomar ) que , afinal, por causa da música, e não só, estamos a retomar uma dupla que elas registaram.
Deixa-me aqui confessar, e, como eu, não o ignoras, muitos dos que tiveram o privilégio de contigo conviver, a tua aura de santidade a todos nos inebriava e em muito contribuía para nos tornarmos um pouco mais santos, menos pecadores, à tua imagem e semelhança! Pronto, está dito.
Toca a ir para a cela escrever mais um apaixonante capítulo do Jingo! É que estou ansioso por animar essa… como dizer, saga seriana!!!
antónio colaço
Das energias renováveis à necessária renovação da Energia cuja falta vamos sentindo, dia-a-dia, o que se pretende nesta curta metragem é, nada mais, nada menos, do que proporcionar uma serena e sentida paragem para tudo repensar, para nos repensarmos todos … de fio a pavio.
Talvez que, então, como o luminoso pavio desta simples candeia, possa surgir, da presente conturbação dos dias, uma nova e reconfortante Ideia.
Ortiga, concelho Mação . O Tejo…
…e uma velha azenha, nas suas margens ….
a linha da Beira Baixa, ali tão perto, onde a apanha tem lugar.
As tulhas, lugar de safra, não conseguiram safar-se das balsas.
Sem tecto, entre ruínas, estes lagares morrem de pé!
Solidários, dois pinheiros, vítimas de incendiários, juntam a sua morte à anunciada morte deste lugar lagar.
Vazilhas, vazias, conseguiram chegar à varanda para um último adeus.
Apesar de tudo, ainda sobram mãos para o milagre de um azeite virgem, puro, redentor…
… e retemperador!
Feliz Natal!
antónio colaço
Mação, um destes dias.
Na hora de regressar às minhas origens, Tu, Eterna Origem sem fim, faz com que origine coisas boas que ajudem à serena exaltação da Tua obra. Nos agitados dias, lá, da terra, faz com que seja um instrumento de Paz e Bem mas, também, de Justiça. Da Tua Justiça.
ac
NOTA – Como habitual, a chamada de atenção para os problemas de rede. Mas que, nem por isso, os nossos amigos deixem de lançar as redes com vista a alimentar-nos durante a semana. Pelo menos. A todos os que persistem em iluminar este espaço, muito obrigado.
O Pe Anselmo pediu-me um pouco de compreensão por não ter ainda enviado o texto que lhe pedi, a ele e a Frei Bento, acerca do “WEBangelho ou o papel das novas tecnologias na partilha da Palavra“.
Aqui entre nós, que ele não nos ouve (mas sei que nos lê!) o nosso amigo tem cá uma agenda que me deixa com falta de ar! Ainda bem. Mas prometeu colaborar.
Obrigado, Senhor,por esta colaboração.
E obrigado, Pe Anselmo, por nos apoiar nesta missão de reproduzir e partilhar o texto que hoje publica no Diário de notícias.
ac
Outono, em Mação.
DARWIN CONTRA DEUS?
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
O diálogo entre o bispo S. Wilberforce e Th. Huxley, aqui narrado no sábado passado, será mais lenda do que história. Facto é que, a partir do darwinismo, há quem pense que a única conclusão cosmovisional é o materialismo e o ateísmo.
Mas essa é uma conclusão que nem Darwin tirou. Ele é mais agnóstico do que ateu, como pode ler-se na sua Autobiografia: “Sinto-me compelido a considerar uma causa primeira com uma mente racional análoga à do Homem; e mereço ser chamado teísta. Mas então surge a dúvida: pode-se confiar na mente do Homem, que, estou convencido, se desenvolveu a partir de uma mente tão primitiva como a que possuía o mais primitivo dos animais, quando tira conclusões tão sublimes? Não podem estas ser o resultado da relação entre causa e efeito, que, embora nos pareça necessária, provavelmente depende só da experiência herdada? Também não podemos ignorar a probabilidade de que a imposição constante da crença em Deus na mente das crianças produza um efeito tão pronunciado, e talvez herdado, nos seus cérebros não totalmente desenvolvidos que lhes seja tão difícil libertarem-se da sua crença em Deus. Não posso pretender lançar a mínima luz sobre problemas tão nebulosos. O mistério do começo de todas as coisas é para nós insolúvel; e eu, pelo menos, tenho de contentar-me com continuar a ser um agnóstico.”
João Paulo II reconheceu, em 1996, numa intervenção na Academia Pontifícia das Ciências, que novos conhecimentos levam a considerar a teoria da evolução como mais do que uma simples hipótese.
Há evolucionistas materialistas. Mas também há evolucionistas que são crentes. Não há incompatibilidade entre a fé e o evolucionismo, que, segundo a obra célebre do padre e cientista Teilhard de Chardin, podem mesmo harmonizar-se. Depois de se esclarecer o “como” do processo evolutivo que leva ao aparecimento do Homem, ainda se não calou a pergunta pelo “porquê” da evolução desembocando num ser humano que continua a perguntar pelo sentido da sua existência e de tudo.
Bento XVI não se cansa de insistir que não somos um produto casual e sem sentido da evolução. “Cada um de nós é o resultado de um pensamento de Deus.” Sim, porque é que o Deus criador pessoal não haveria de poder servir-se do acaso para realizar o seu desígnio de uma criatura inteligente e amante, com quem estabelecer a sua aliança?
Contra J. Monod, que concluiu o seu célebre O Acaso e a Necessidade, escrevendo que “o Homem está só na imensidão indiferente do Universo, donde emergiu por acaso”, o cientista Juan-Ramón Lacadena crê numa “teleologia externa, cujo agente é a Causa Primeira, Deus”, que tem uma finalidade na criação. Mas acrescenta que tem de ficar claro que nem ele “o pode provar cientificamente” nem ninguém “o pode rebater com provas científicas”. “É uma simples, mas importante, questão de crença ou não crença. Um cientista crente pode aceitar a existência de um Criador, sem necessidade de que o mesmo Deus tenha de continuar a intervir pontualmente no processo evolutivo desde as origens do universo.”
Pelo contrário, o crente reflexivo, precisamente porque o é, recusa um Deus intervencionista. Francis S. Collins, coordenador do Consórcio Internacional da Sequenciação do Genoma Humano, escreveu na sua obra The Language of God, defendendo a tese de uma evolução teísta: “Deus criou o universo e estabeleceu leis naturais que o governam. Deus escolheu o próprio mecanismo evolutivo para dar lugar a criaturas especiais, dotadas de inteligência, conhecimento do bem e do mal, livre arbítrio, e o desejo de buscar amizade com Ele”, acrescentando: “A minha modesta proposta é dar outro nome à evolução teísta: ‘Bios mediante Logos‘ ou simplesmente, BioLogos – bios, termo grego para ‘vida’, e logos, ‘palavra’, em grego. Para muitos crentes, a Palavra é sinónimo de Deus, como dizem de forma tão poderosa e poética as majestosas linhas que abrem o Evangelho de São João: ‘No princípio era o Verbo (Logos), e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus’ (Jo. 1, 1). ‘BioLogos’ exprime a crença de que Deus é a fonte de toda a vida e que a vida exprime a vontade de Deus.”
Mação, há minutos.
Cada obrigado,sempre renovado. Marco encontro Contigo para trocarmos umas ideias mais amanhã. Confiar é, também, saber que Tu esperas sempre por nós.
Obrigado pela Palavra que nos disponibilizas através de Frei Bento, hoje, no Público.
ac
Frei Bento Domingues O.P.
O cristianismo nasce da difusão da palavra do amor e da sua beleza, não do seu cativeiro
1.A Suíça não é só a pátria dos banqueiros, dos relógios e dos queijinhos da “vaca que ri”. No século XX, foi também a pátria de fecundos e grandes teólogos em trânsito para o grupo dos clássicos. Um é protestante, Karl Barth, e dois são católicos romanos, Hans Urs von Balthasar e Hans Küng. Os dois primeiros já morreram, cheios de glória, e o último continua a sua desafiante intervenção. Não consta que K. Barth e H.U. von Balthasar tenham passado por Portugal ou tenham sido, cá, muito traduzidos. Mais sorte tivemos com H. Küng que, por várias vezes, fez conferências em Lisboa, Porto e Coimbra e tem algumas obras publicadas entre nós. Uma das mais significativas, O Cristianismo. Essência e História, apareceu no Círculo de Leitores, na colecção Nova Consciência.
Em 2005, os cem anos do nascimento de Urs von Balthasar foram celebrados num congresso internacional com uma calorosa mensagem de Bento XVI. O Centro de Estudos de Religiões e Culturas da Universidade Católica Portuguesa organizou, nos dias 24 e 25 de Outubro passado – nos vinte anos da sua morte -, as I Jornadas Balthasarianas. Na colecção Teofanias (Assírio & Alvim), dirigida por Tolentino Mendonça, acaba de aparecer o formoso livro Só o Amor É Digno de Fé, cujo original alemão foi publicado em 1963. A tradução é de Artur Morão que, ao apresentar este pequeno livro, caracteriza a sua teologia: “O discurso balthasariano, que não visa nem assenta num sistema, realiza uma feliz conjunção de rigor filosófico e inspiração espiritual, de empenhamento teológico e missão cultural, de coerência lógica e vivacidade poética, de vivência intensa e de impulso protréptico ou persuasivo, de denúncia apaixonada e de convite amistoso, porque pretende justamente realçar o que, aos seus olhos, constitui o cerne da visão cristã: o Amor como Beleza.
2. Rosino Gibellini (1) documentou, no século XX, dezasseis correntes teológicas de grande mérito – assim como uma prospectiva para o século XXI – com a consciência de que nenhuma delas pode substituir as outras. Esta pluralidade impede que se diga – como tantas vezes se faz – este ou aquele é o maior teólogo do século XX, porque essas gradações dependem, sobretudo, do gosto, dos limites e das preferências de cada um. Nenhuma elaboração teológica – ao situar-se no mundo da hermenêutica da fé – pode ter a pretensão de atingir um lugar e um estatuto, a partir dos quais avalia a importância e a ortodoxia das outras. Na Igreja católica, a Comissão para a Doutrina da Fé exerce um papel que, às vezes, dá a ideia de assumir essa posição impossível. As teologias só podem ser fecundas quando cada uma sabe que é um ponto de vista parcial e consente em se deixar interrogar e questionar pelas outras. Como em muitos outros campos, é mais corrente a prontidão em procurar ser compreendido do que em tentar compreender. No prefácio ao Só o Amor É Digno de Fé, o próprio H.U. von Balthasar confessa: “Este ensaio ilustrará, por isso, o desígnio da minha obra mais vasta, Herrlichkeit, de uma “estética teológica” no duplo sentido de uma doutrina da percepção subjectiva e de uma doutrina da automanifestação objectiva da glória divina; mostrará que este método teológico, muito longe de ser um produto acessório, pouco relevante e dispensável, do pensamento teológico, deve, pelo contrário, como o único definitivo, pôr-se no centro da teologia, ao passo que a verificação cosmológica e histórica e o exame antropológico podem, quando muito, surgir como pontos de vista complementares e secundários” (p. 24).
Aquilo que apelida de “estética” tem, aí, um carácter puramente teológico: é o acolhimento, só apreensível na fé, da glória do amor soberanamente livre de Deus, que a si mesma se manifesta. Diz isto não só para se demarcar das outras teologias, mas também de todas as outras tentativas estéticas que o precederam e que nomeia.
3.”Falar de poesia parece-me sempre impossível. De um poema só se pode dizer o próprio poema. Quando muito podemos tentar – sem interpretar – reconhecer o que lá está.” Esta observação de Sophia M. B. Andresen exprime, em parte, o desejo de H.U. von Balthasar perante a revelação de Cristo e a caracterização da identidade cristã. Como diz e bem, “não é possível colocar outro texto por baixo do texto de Deus, que por ele se poderia tornar legível e compreensível ou, dizemos nós, mais legível e mais compreensível. O texto de Deus deve e quer explicar-se a si mesmo” (p. 52).
O que é que terá levado este teólogo a não se recolher no puro silêncio? O cristianismo nasce da difusão da palavra do amor e da sua beleza, não do seu cativeiro. Por isso, a estética teológica de H. U. von Balthasar não é uma teologia estética ao serviço de um cristianismo estetizante. O que ele procurou, através de uma construção imensa, foi apreender o estético da própria revelação, na evidência objectiva de Cristo, “obra artística de Deus”, sua exegese, expressão adequada e visível do Deus invisível, no mistério da Cruz.
(1) A Teologia do Século XX, São Paulo, Loyola, 1998; Prospettive Teologiche per il XXI secolo, Brescia, Queriniana, 2003
Primeiras emissões de telefonia sem fios.
Abrantes,17 Março 1984,primeiros encontros de rádios.
Abrantes,5 Abril 1986.III Encontro.Emído Rangel presente.
Li, algures, que as rádios estiveram reunidas em mais um congresso da Associação Portuguesa de Radiodifusão. Destes congressos, os ecos que me chegam, em regra - entre reivindicações avulsas, a que se acrescenta, agora, a dificuldade de adaptação ao DAB, finalmente morto, como alguém terá reconhecido – denotam que há mais preocupação pelo como de que a rádio é feita do que o porquê e o para quê é que ela continua a servir.
Saudades dos primeiros esboços de estatutos da nossa associação e da necessidade que, então, sentimos de a criar, só para que fosse cada vez melhor e mais presente no quotidiano das comunidades a que nos dirigíamos, a rádio que, então, já nos fazia e nós fazíamos.
Passados estes anos todos, tropeço em muitas emissões, apenas emissões, percebo, agora, de gente mais preocupada com o DAB, o DRM+, etc, etc, e menos com o raio da Rádio que parimos, e a nós, então, ela mesma nos pariu! Chama-se a isto deslumbramento pela rádio entendida como um fim e, jamais, como um meio. É por isso que a crise que revelam, por mais internet e sofisticados meios que utilizem, tal como parecem ter concluído os participantes, só se agravará e aprofundará, porque mais facilmente a net espalhará o veneno letal, amorfo e apático que lançam sobre os apáticos e amorfos dias, com excepção dos honrosos casos das poucas rádios que, para além de relatarem o que acontece, fazem, também, e de que maneira, acontecer!
Rádio com internet dentro, sim, mas como quem se intromete e intermete na vida, a questiona, revoluciona e transforma, em suma faz dela a sua verdadeira razão de ser. A verdadeira rádio só existe porque há gente que insiste em viver.
Por uma Rádio com a vida toda dentro dela. O resto resolve-se.
Era isto que queríamos quando demos os passos para a criação da associação. Porque queríamos viver mais, encher as rádios com todas as vidas, da VIDA das nossas vidas.
A Rádio não existe. A Rádio somos nós!
antónio colaço
PS -Mário, deu jeito a lembrança do teu Palavras Ditas: ”As palavras somos nós”.
NOTA
O editor participa noutros espaços.(Não, não é para compensar o silêncio no que à fraca participação dos nossos amigos aqui do convento diz respeito!).Este tema está a ter alguma animação aqui!Passem por lá sempre que quiserem!E podem deixar lá as vossas opiniões.Ali, os comentários estão abertos, coisa que aqui, por enquanto, ainda não.Optamos pelo email, como repetidamente temos dito!)
Espero que os irmãos percebam que o irmão sol se faz com o que cada um traz, Senhor, mas … acho que podias dar uma ajuda para que, de uma vez por todas, pela intervenção do Espírito, os seus espíritos se abram em relatos e, ” de repente, comecemos a inter agir numa multiplicidade de línguas e linguagens” ( é uma citação de cor do que aconteceu dentro do Cenáculo! ).
Que as energias não nos faltem. Amanhã, seguramente, vão chover relatos dos animados dias dos professores, dos gestores, dos operários, dos missionários…
Vem, Santo Espírito …”Tu que iluminas a escuridão do mundo”, do nosso mundo que persistimos manter fechado.
ac
Completamente impossível editar, hoje, o que quer que seja.
E, no entanto, está lançada a campanha nacional de apoio à criação do Museu do Presépio, em Fátima, obra do nosso muito amado e estimado irmão Frei Joaquim Lopes Morgado.
Mais do que mostrar as iluminações do Natal de Lisboa, venha saber de que outra Iluminação falamos.
Convido-o a visitar este sítio, enquanto não o fazemos aqui!
ac
Obrigado, Senhor, pelo silêncio dos meus irmãos.Por este branco silêncio…
Só Vós sabeis as incontáveis vezes que me dirijo para o Coro da Capela do gmail na saudável ânsia de por lá encontrar algum irmão com histórias para contar.Desde o dia 13 de Novembro que se abateu o mais pesado silêncio.Iluminai-me, bom Deus,para que possa interpretar esta provação a que me submeteis. O regresso a uma culpabilização de que me sinto curado – a me todo o palco,honras e louvores, primeiras páginas e outros “horrores”?! – por querer ocupar todo este webniano terrado?! Mas, Senhor, desde a primeira hora que me sinto extenuado por tanto apelo à participação ter efectuado?!
Como assim, pois, explicar a nula vontade de participar?!
Só me resta exaltar-Vos mais do que exaltado ficar.
Olhai os lírios do campo, sinto-vos ecoar no mais profundo de mim…Está bem, Senhor, cumpra-se a vossa vontade.Além do mais estamos no Outono e é bom que a irmã Natureza cumpra seu destino.
ac
As irmãs romãs, ou, se quiserem, estas punica granatum ( fica bem e sempre dá um ar cultural à coisa) de há muito que as associo ao dia de reis. De facto, a sua pequena e régia coroa dá-lhe um ar de majestática graça “realmente” (desculpa Luis Gonçaleves) real.Pronto, pleonasmos e redundâncias à parte, bom é que tudo isto redunde a nosso favor!
Desgranuladas as ditas (acho que inventei qualquer coisa!) podemos comê-las polvilhadas com um pouco de açúcar amarelo, mas, hoje, para o que interessa…
…toca a aconchegá-las num pote de vidro – a vista também come, perdão, bebe! – numa boa dose de aguardente vínica ou, como é o caso das que a imagem surpreendeu, em aguardente de genuíno medronho das encostas maçanicas!
Acrescenta-se-lhe algum açucar – variando com as opções por coisas mais doces! – e deixemos num repouso por alguns meses!
Pronto, daqui a algum tempo falamos!
Adepto dos licores como motivadores para os dois dedos das tantas conversas que se desejam, aqui está como, depois do branco silêncio, superámos os maus humores com …uma invejada descida ao libertador mundo do licor.
Há receitas para a troca? Venham elas!
ac
O Rui Chamusco – confesso que tive de telefonar a alguém para confirmar o apelido – era de uma generosidade fleumática a todos os níveis!!! E ai de quem desafinasse, lá na música!!
Estou a vê-lo com o seu acordeão. Acho que, igualmente, a não acertar na bola, mas de um sorriso do tamanho do mundo.
Sim, esta coisa de, passados uns anos, passarmos ao lado dos nossos maus feitios, é um facto, o que é que havemos de fazer. As saudades são mais que muitas e valem mais do que todos os pequenos minutos que perdemos em discussões mais que avulsas.
Rui, tenho saudades tuas, e, comigo, todos os que te conheceram.Por andas , meu irmão!Para o ano queremos-te em Assis e…com o teu acordeão!!!!
Ou, versão Perdidos&Achados, alguém tem notícias do Rui?
ac
Frei Manuel Luís, que é feito de ti, me diz?!
Publicado Novembro 19, 2008 Uncategorized Leave a Comment
O Manuel Luís, quem não conheceu essa alma a transbordar generosidade, esse Cavaleiro da Imaculada (muta escadinha me fizeste subir, irmão!!!) que nos enviava, diligentes carteiros da mensagem mariana, calcorreando os bairros mais pobres das redondezas, Ameal, S.Mamede, Paranhos…
O Manuel Luís com o futebol mais “light” nos pés que eu conheci, sempre diligente a levantar o adversário alvo de alguma sua inocente falta de pontaria mas, creio, sempre certinho lá na defesa e que, de vez em quando, levava tudo à frente!
Mas, hoje, Manel, eu sabia que um dia seria feita justiça, venho aqui agradecer-te o empenho que puseste na criação do mais famoso conjunto do Ameal e arredores, Os POPBRES, mas, sobretudo, daquela bateria tocada pelo Agostinho Vaz !!! O dinheirão que o Manuel não “surripou” à metalúrgica do seu querido Pai!Acho que não estou a errar! Foi toda ela construída peça a peça. Creio que com dupla função: para nós mas, também, para o grupo de jovens que o Manuel tão entusiasticamente animava no Ameal, e cujo nome ignoro, alguém me lembre. A malta nova tinha uma confiança sem limites no Frei Manuel Luís. Por mim, creio, acho que o Manuel sempre contou comigo para a concretização de todas as suas mais brilhantes iniciativas, daí, que, também sempre contasse com ele para meter alguns pauzinhos na nossa santa engrenagem.
E esta é a foto mais recente que descobri do Pe Manuel Luís. Mas, confesso, não sei onde anda.
Manel, se fosse hoje, sei que contarias com a Net para evangelizar. Por isso, por onde andas, Manel?Precisamos da tua bondade, serenidade.
Escreve-nos, Manel!
ac
Nada melhor para encerrar mais um produtivo dia – sim, o que é que cada um de nós acrescentou à vida que nos cabe viver? – do que um momento musical patrocinado pelo Pavarotti cá da casa: Artur Beleza!
Ele toma o tom, aquece a voz e…
aí vai um Avé Maria, qualquer um que seja, Mozart, Schubert, Frank.
Não o conheci de muito perto mas ainda recordo a expectativa com que, no Ameal, o editor já frade professo, se aguardava, nalguma festa a que vinha – creio que estava por Gondomar – o momento em que Frei Beleza cantaria algum dos seus temas.( A propósito, evocaremos aqui, também , um destes dias, o Frei Avelino e o seu famoso Sole Mio.Por onde andais, irmão?!).
Palmas para ti, Artur.Um destes dias ainda te vamos ouvir no You Tube.Tem calma, meu!
ac
São Dezoito Horas e quarenta e três minutos
Publicado Novembro 20, 2008 Uncategorized Leave a CommentTive o privilégio de lá viver alguns anos. A roupa ainda lá é passada. Mas, hoje, uma recomendação: a Botica do Café é, sem sombra de dúvidas, não só a Catedral da Empada como o mais pequenino e aconchegado sítio para comer com qualidade desde a panóplia de empadas, aos mais genuínos e tradicionais bolos e fritos do Natal, bem como uma variada e bem temperada ementa regional. Na arrumação e limpeza nenhum pormenor ali foi descurado.Fica na esquina entre a R.Sampaio Bruno e o início da R Almeida e Sousa, bem perto da casa de Bento de Jesus Caraça.Só a pressa e o tempo gasto a pedir a necessária autorização impossibilitam que a estaladiça imagem da “empada alentejana” que acabei de saborear (de pequen’almoçar!) aqui esteja para regalo dos leitores.
Por falar em estaladiça empada e … em dia, não só das educativas réplicas (tsunâmicas?!) como, da simulação outra de um 1755 distante, veja o que googlei para si:
” A expressão “rés-vés Campo de Ourique” remonta a 1755 quando o terramoto assolou Lisboa tendo destruído a cidade até à zona de Campo de Ourique, que ficou intacta. A partir daí o ditado generalizou-se”.
E pronto, independentemente do desfecho dos diversos simulacros & embates… que vivam os combates na Botica. Ali, pratica-se a avaliação na hora, menos “burocrática” mas mais deliciosamente gastronómica.
antónio colaço
Casas da Ribeira, freguesia de Cardigos, concelho de Mação.
À PROCURA DA PALAVRA
P. Vítor Gonçalves
CRISTO REI Ano A
“Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes
a um dos meus irmãos mais pequeninos,
a Mim o fizestes”.
Mt 25, 40
Os pequeninos
Penso muitas vezes que, se precisássemos de uma palavra que sintetizasse o que é ser cristão e como podemos viver o seguimento de Jesus, poderíamos sempre apresentar esta espantosa parábola. Quantas vezes não desejamos “ver Deus face a face”, saber o que Ele gostaria que fizéssemos, abraçar um entendimento mais profundo sobre o sentido da vida? Quantas perguntas trazemos no peito para Lhe colocar, especialmente pelos muitos sofrimentos que a vida traz consigo, e quantas zangas pela escuridão que se abate sobre nós e d’Ele parece vir apenas um silêncio? Pode o nosso sofrimento atenuar-se quando nos debruçamos sobre o sofrimento de outros?
Jesus liberta-nos da tentação “religiosa” de ficarmos agarrados às “coisas sagradas”. Sagrado é o ser humano e tudo o que a ele diz respeito. Sagrado é o amor e a vida, a justiça e a procura da verdade, a alegria e o trabalho, o perdão e a possibilidade de renovação. Não é sagrado o “bric-a-brac” de “espiritualidades” egocêntricas que não abrem caminhos a um amor autêntico e geram dependências ou servilismos. Então, o caminho para Deus é cada homem e mulher concretos, com rosto e história, com altos e baixos, que precisam e que generosamente se dão. Perante a história de cada um, como Jesus, somos capazes de O reconhecer em cada “pequenino”? Sentimo-nos também “pequeninos”, a precisar de algo ou de alguém, ou a auto-suficiência já se tornou uma segunda veste com que tapamos as nossas debilidades? Quem nos meteu na cabeça que o ideal humano é “não precisar de ninguém”? Pode haver amor sem um mistério de dependência?
A festa da realeza de Cristo com que culminamos o ano litúrgico revela-nos um Rei que é o centro do universo mas que se volta para o milagre que é cada pessoa. Um Rei que não busca honrarias nem festas mas que vê o gesto mais discreto feito a quem é necessitado. Um Senhor que não deixa manuais de utilização da fé mas que nos confia a ousadia e criatividade do Espírito Santo. É com Cristo que aprendemos a “viver ao contrário”: grande é quem sabe ser pequeno, forte é quem assume as fragilidades e medos, feliz é quem ama sem medida, vencedor é quem não desiste apesar das derrotas, vê Deus quem cuida do abandonado sem desejo de retorno. Não se trata da lenta aprendizagem em “ser pequeninos” que a vida do reino nos pede? Onde é que Te vemos, Senhor?
NOTA
O Pe Vítor é um jovem Padre, natural do pequeno lugarejo que o Google nos revela.Fez anos um destes dias pelo que aqui lhe deixo os parabéns.É, neste momento, o Pároco da Igreja/freguesia do Sagrado Coração de Jesus, ali para as bandas do Marquês.Gostaria de poder acrescentar algo mais a esta sua vibrante reflexão sobre o Evangelho do próximo domingo, mas, para já, respeito a leitura que cada um faz para si. Era bom que avançássemos com a tal partilha mas…
ac
-Não fujas, Agostinho Vaz, estamos a ver-te cá de cima, homem!!! Rende-te ao irmão sol!!! Pensavas que escapavas?! Hein?!
-Mas… onde é que esais que não vos vejo, Senhor?!
- Qual Senhor, qual carapuça, meu?! Somos nós, a redacção em peso do irmão sol!!!
-Oi, Joaquim Afonso, então aí na sorna, a passar o fim-de-semana na terra hein?! Vá lá escrever uma crónicazita aqui para o irmão sol, como fazias para a revistinha IDEAL,meu!!
-Senhor, quem sois, onde estais que não vos vejo?!
-Outro! Mas qual Senhor, qual o quê, não invoques o Santo nome de Deus em vão, vai mas é escrever a croniqueta e, se quiseres, e puderes envia uma foto desse telemóvel que a todos nos pode ajudar…
-Mas, quem é que assim me fala, pedindo-me colaboração, a mim, que passo a vida a queixar-me de que nunca ninguém me pede nada…
-Arméniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiioô, oi,meu, que é feito de ti, aí pelo Colégio de Gondomar, hein?! O quê, já não estás aí?
Senhor piloto do nosso helicóptero, vamos encaminhar-nos para Abiúl. Este nosso amigo está lá a passar o fim de semana, se pensa que nos escapa!
Para Abiúl e em força!!!
-Ei, Firmino, Leonel Ribeiro Santos, Arménio, olhem quem está a chegar? O Agostinho Mendes!Uau, Bingo!!!
-Mas quem sois, Senhor, onde estais?! O que é que quereis de nós? Que regressemos ao Convento, mas agora é tarde, isso já foi há tanto temp….
-Mas regressar o quê?! Deixem-nos pousar, gente! Só temos saudades de vocês e queremos vir trocar aqui dois dedos de conversa!!
ac
Meu caro Colaço e companheiros:
Aqui está uma actualização do Girassol de S. Francisco.

Como podem ver ele continua em franco crescimento.
Tal como a sua missão cresceu a partir da pequena igreja de S. Damião, também este girassol cresceu de um pequeno vaso e floresceu.
Um abraço e até à proxima actualização.
Zacarias Rito (1966)
NOTA DA REDACÇÃO
Companheiros - gosto disto, Zacarias – “apetecia-me algo”:não, mais doce do que um mísero ferrero, o que me apetecia mesmo, era, receber mais testemunhos/imagens deste tipo. É que, pelos visto, os girassóis nascem quando um homem quiser.Girassóis em Dezembro?!
E o nosso irmão Lobo, sim aquele enorme cão, Zacarias! Mas que composição. Até parece que estou a ver o nosso jovem de Assis estendendo a mão para o facínora convertido!!!(Sem desprimor para o teu belo animalzinho!!!Aqui em casa somos mais pelos gatos, pronto!)
Olha só, eu acho que isto é um pequeno milagre do nosso querido Francisco como quem diz, não desistam de continuar a utilizar a net para dar conta destas pequenas notícias que tornam GRANDES os nossos dias.Vês, meu caro Frei Morgado, é disto que aqui por casa a gente gosta! A gente g@asta! Vá lá, o raid googleniano de ontem está a surtir efeito! E num passe de mágica acho,mesmo, que já vem mais correio a caminho!!!
MARCO DO CORREIO COM OS IRMÃOS SERITO E VAZITO!!!
Publicado Novembro 23, 2008 Uncategorized Leave a CommentBoa noite gente trabalhadora!!! (desculpem se me enganei…)
(NR-Nem tu sabes a que horas isto foi editado, meu!!!)
Acabo de chegar de Guimarães, a cidade berço, depois de uma audição do Guimarães Jazz. Bendigo a Deus por me ter regalado com uma sessão de jazz, música intemporal que me enche a alma e abre o coração. Sim, sou um apreciador deste género e de blues, assim como de música sacra e da nossa música tradicional.
Seguindo a sugestão do Colaço, ainda puxei do telemóvel para bater um flash, mas… azar do diabo: estava sem bateria!


A minha ausência, temporária, no blog deve-se a uma gripe irritante que teimava em não passar. Mas agora recomposto prometo voltar ao nosso convento virtual, enriquecido com novos contributos de elevada qualidade, bem gerido pelo nosso querido irmão Colaço de Cardigos, Mação, Alcains, bom cidadão do mundo,mais conhecido entre nós pelo Frei Farófias.
Depois desta caminhada à luz do “irmão sol” continuo ansioso pelo aparecimento de companheiros, professores e irmãos auxiliares que para mim constituíram referências éticas e morais, tanto no Seminário Menor, no Noviciado, como no Seminário Maior.
Fico feliz pela participação, desde a criação do blog, do Frei Lopes Morgado, o saudoso e competente professor de francês e música. Não será por acaso que, ainda hoje, “parlo” razoavelmente “avec” e apesar de músico falhado ainda não esqueci alguns fundamentos que, o então, Frei Agostinho de Vilar nos ensinou.
Sobre a marca indelével que nos foi dada pela formação religiosa, moral, cultural e humana no seminário, irei referir, gradualmente, ao longo das minhas intervenções.
Isto começa a resultar rapaziada!!! Hoje tive o prazer de receber o contacto do Armando Pinto, da Longra – Felgueiras, domínio do mosteiro de Pombeiro. Uma das questões que me preocupa tem a ver com a informação que o Armando Pinto me deu sobre o primo, o Rosário de Felgueiras. Este ex-atleta e brioso ala direita da minha equipa (eu era o capitão), debate-se com problemas de saúde originados por um acidente vascular cerebral. Ao que informou o Armando Pinto, o Rosário está perfeitamente lúcido, somente não consegue comunicar verbalmente.
Pedimos encarecidamente ao Armando, que apresente ao primo as nossas cordiais saudações e um abraço fraterno dos companheiros que, com ele, partilharam o mesmo tecto, as brincadeiras e traquinices de então. Acreditemos que o Rosário vai recuperar a sua voz.
Não quero sobrecarregar os meus irmãos com algumas sombras, geradoras de preocupações. No entanto, devo dizer que no encontro de 2006, em Gondomar, reparei que outro brioso atleta da minha equipa (filial do Vitória de Guimarães), o Delfim de Castelo de Paiva, se encontrava doente. Como não o vi neste Encontro, pergunto: – alguém sabe algo sobre o Delfim?
Agora o que me surpreende é a ausência, do espectro cibernético, do pessoal do meu ano! Onde param o Agostinho Mendes, O Carlos Rito, o Joaquim Afonso, o Francisco Martins, o João Teixeira e outros?
O povo do meu ano é generoso, solidário e muito sociável. Vamos lá rapaziada a encher-nos de brios, acompanhando o nosso artista reitor, Frei Colaço!! Basta de penumbra; um pouco de luz do “irmão sol” tonificará o espírito de grupo que sempre nos caracterizou.
Vamos todos ao baú empoeirado e projectemos luz sobre fragmentos da vida que partilhámos durante anos.
Não vos maço mais, pois a minha esposa e filhos, já me chamaram para jantar.
Boa noute do A. Henriques Vaz
P.S. Aqui vai uma lembrança para o Sério
NR-Uma delícia!Isto merece comentário mais logo!
NR -A riqueza da reflexão do Pe Anselmo desta semana é de uma profundidade que faz com que deixemos para amanhã o WEBangelho de Frei Bento Doningos. É daqueles textos para ler e reler, passar a palavra aos familiares e amigos, numa reconfortante tarefa de LIMPAR o que em nós são ainda ideias adquiridas e que nos condicionaram durante muito tempo o acreditar num Deus de que, afinal, nos sentimos cada vez mais próximos. Quer dizer, de um Deus que, afinal, está bem dentro de nós, à espera que o descubramos e nessa descoberta a REVELAÇÃO de que a FELICIDADE é algo que, desde sempre, esteve ao nosso alcance fruir, desde já, AQUI E AGORA. É com contributos destes que as coisas se tornarão mais fáceis a todos os níveis. Ou seja, a PAZ – as nossas pequenas guerras, que depois derivam nas que conhecemos – está ao nosso alcance.Só quem persiste em não abrir os olhos é que sofre por não querer descobrir a razão do seu sofrimento.E quem é que não deseja ser feliz? Afinal, é de uma ESCOLHA que se trata. Toma lá esta ajuda. O Pe Anselmo sente-se muito feliz por se saber lido e ouvido pelos leitores do irmão sol!
Um bom domingo e, se quiseres “perder” cinco minutos para nos enviares/partilhares a tua leitura …ac
INFAUSTA DOUTRINA DO PECADO ORIGINAL
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
A impressão geral que me ficava da religião nos tempos da catequese não era luminosa. Pelo contrário, tudo aquilo transmitia um mundo bastante tenebroso, a ideia de um Deus castigador e de nós sujeitos a um destino de submissão trágica. Os primeiros pais tinham pecado, Deus andava irado com a gente e Jesus sofria na cruz para ver se nos libertava. A alegria era um roubo e a palavra Evangelho, que quer dizer “notícia boa”, não pousava sobre nós nem nos aquecia.
O que infectava o cristianismo era a doutrina infausta do pecado original. Escreveu o célebre historiador católico Jean Delumeau: “Não é exagerado afirmar que o debate sobre o pecado original, com os seus subprodutos – problemas da graça, do servo ou livre arbítrio, da predestinação -, se converteu (no período central do nosso estudo, isto é, do século XV ao século XVII) numa das principais preocupações da civilização ocidental, acabando por afectar toda a gente, desde os teólogos aos mais modestos aldeões. Chegou a afectar inclusivamente os índios americanos, que eram baptizados à pressa para que, ao morrerem, não se encontrassem com os seus antepassados no inferno. É muito difícil, hoje, compreender o lugar tão importante que o pecado original ocupou nos espíritos e em todos os níveis sociais. É um facto que o pecado original e as suas consequências ocuparam nos inícios da modernidade europeia o centro da cena mundial, sem dúvida muito atribulado.”
No entanto, a doutrina do pecado original, no sentido estrito de um pecado transmitido e herdado, não se encontra na Bíblia. Jesus nunca se referiu a um pecado original.
Na sua base, encontra-se fundamentalmente Santo Agostinho, a partir de um passo célebre da Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo 5, versículo 12. Mas ele seguiu a tradução latina: Adão, “no qual” todos pecaram, quando o original grego diz: “porque” todos pecaram. Ora, uma coisa é dizer que todos são pecadores e outra afirmar que todos pecaram em Adão, como a árvore fica infectada na raiz, de tal modo que todos nascem em pecado do qual só o baptismo os pode libertar. Santo Agostinho deixava cair no inferno, mesmo que menos terrível, as crianças sem baptismo. Durante séculos, houve mães tragicamente abaladas, porque os filhos morreram sem baptismo.
A Santo Agostinho serviu esta doutrina sobretudo para, convertido do maniqueísmo ao cristianismo, “explicar” o mal no mundo, que não podia vir do Deus criador bom.
De facto, baseou-se numa exegese errada. E quem não sabe hoje que o que diz respeito a Adão e Eva e à queda é da ordem do mito? Adão e Eva não são personagens históricas. Depois, se eles ainda não sabiam, como diz o texto do Génesis, do bem e do mal, como podiam pecar? O que o texto diz é outra coisa, e fundamental: o que caracteriza o Homem frente ao animal é a liberdade. O Homem já não é um animal como os outros: tem auto-consciência, sabe de si como único – a nudez metafísica – e que é mortal.
Mas os estragos desta doutrina infausta foram e são incalculáveis, sobretudo a partir do acrescento de Santo Anselmo e a sua doutrina da retribuição: os primeiros pais cometeram uma ofensa contra Deus infinito e, assim, era necessária uma reparação infinita para uma dívida infinita que só o Deus-homem Jesus podia pagar na cruz.
Ficou então a ideia de um Deus por vezes monstruoso, que precisou da morte do Filho para reconciliar-se com a Humanidade. Mas como era isso compatível com o Deus amor? Porque o pecado se transmitia pelo acto sexual, a sexualidade, o corpo e a mulher ficaram envenenados, numa situação dramática: era preciso continuar a gerar filhos – no limite, a actividade sexual só se legitimava para a procriação -, mas eles eram gerados em pecado e a mulher trazia o pecado dentro dela.
Porque é que o primeiro acto humano da História havia de ser o pecado? Hoje, com a teoria da evolução, a contradição torna-se maior. E, afinal, o que São Paulo diz no passo célebre da Carta aos Romanos é uma mensagem de esperança: todos os seres humanos pecam, o pecado do Homem é grande, mas o amor de Deus é maior. Infinito.
Mação, Largo do Cineteatro.
São de grande coragem as imagens que as árvores, por estes dias outonais, nos dão. Uma a uma, sem uis nem ais, as amarelecidas folhas despedem-se dos robustos ramos das Mães-árvores que, durante alguns meses, delas se serviram para receber do sol o seu clorofilizado alimento.
Um festival de cor mesmo na adivinhada dor ou, talvez não, porque, em breve, serão húmus, serão chão e, lá mais para a frente, Primavera e seiva até mais não.
Obrigado, bom Deus, por esta lição. Sempre que algo nos falta, distraídos, julgamos-Te ausente, ignorando que só Tu és a eterna Primavera, sempre Presente.
ac
Está lindo o Arquivo Histórico de Abrantes
Publicado Novembro 24, 2008 Uncategorized Leave a CommentEstá lindo o teu Arquivo Histórico, meu querido Amigo Eduardo Campos!
Estive lá, há poucas horas, já a madrugada ia alta.
Aí, onde estás, assististe, de certezinha, à conversa que tive, há dias, com o teu João, que já não via há tantos anos, talvez desde que partiste, e a quem disse:
-Sabes quem é que está a fazer o Arquivo Histórico do teu Pai, meu?!É um outro João, o Arquitecto João Colaço, meu filho, tás a ver?!
Eduardo, ontem, foi uma noite muito especial como também a estas horas já sabes. Um frio enregelado descia pelo cabeço, envolvendo a área de implantação do teu Arquivo Histórico, ali para as bandas da Chainça, mas, mesmo assim, não perdi a rara oportunidade, nesta ensaiada espécie de regresso a Abrantes, de poder vislumbrar, pela primeira vez, a nocturna aura do Arquivo que o meu querido filho para ti concebeu. Digo bem, a-u-r-a ! De facto, dentro de breves dias, não te vão faltar ocasiões para inspirares e assistires aos teus seguidores na afirmação da moderna historiografia abrantina de que foste um dos mais dinâmicos paladinos. E deixa-me que te diga – sim, tu já sabes, mesmo antes que o afirme, que sou suspeito - que o projecto do meu João, arquitecto, o seu primeiro grande projecto – um desafio enorme para quem estava a sair da faculdade - expressa com a sua “pala” longitudinal, todo um conceito que te assenta que nem uma luva: acolhedor! Sim, aquela vai ser a grande casa que vai acolher toda a documentação, todos os rastos do que fomos.
Ou seja, acolhedor no seu aspecto, dedicado ao estudo do passado, estou certo, Eduardo, que dali sairá muito estudo suado que levará as novas gerações a não se quedaram pelo estudo do que aconteceu mas, sobretudo, estudarem, altamente documentados, o fazer acontecer a que estão, desde agora, obrigados.
É um privilégio poder, por via do esforço do arquitecto João Colaço, retribuir, assim, também, os mil e um apontamentos com que te chaguei para tornar mais apetecíveis os dias da rádio que, um dia, me levaste a conhecer no cabeço das Arreciadas e ambos, também, e de que maneira, ajudámos a crescer.
A esta boda vou, meu caro Eduardo, mesmo que não convidado. Era o que faltava!
ac
NOTA
Nada no gmail!Logo….não baixamos os braços!
Ora aqui está outro exemplo que demonstra o tipo de coisas de que podemos falar materializando aquela máxima do irmão sol de que, não queremos falar, só, do que connosco aconteceu e, sim, também do que connosco pode e deve voltar a acontecer! Quem diz connosco, diz, com os nossos.Aqueles a quem gerámos, fruto da opção que tomámos.O que não nos torna a-franciscanos e, sim, franciscanos de corpo inteiro.
É o caso.Hoje, falo do primeiro grande projecto do meu filho João Colaço, arquitecto.
E tu, de que queres tu falar sobre os teus filhos?!
ac
DEUS NÃO ME CHAMOU SÓ PARA ELE.Frei LMorgado dixit
Publicado Novembro 25, 2008 Uncategorized Leave a Comment
Olhando para o seu “currículo”, não é fácil dizer se é um religioso activo ou contemplativo…
Frei Lopes Morgado - Ainda bem. São Francisco, no princípio da sua conversão, também duvidou se devia dedicar-se a uma coisa ou a outra. E as pessoas a quem consultou foram unânimes em aconselhar que devia dedicar-se às duas, pois Deus não o tinha chamado só para ele. Se quiser saber, o meu grande ideal e aquilo que me fez avançar no meio das hesitações na vocação, foi a vontade que sempre tive de ser missionário, de evangelizar, de pregar. Certamente, pelos bons testemunhos dos missionários que passavam pelo Seminário e nos falavam do seu trabalho. Afinal, como eu costumo dizer, puseram-me a roer papéis…
NOTA
Esta é uma entrevista a que pode ter inteiro acesso aqui e concedida à Revista STELLA. Tropeçámos nela por via de um blogue. É este lado da rede que nos fascina se o utilizarmos no sentido do nosso crescimento mais do que apoucamento (sim,sei do que falo!).
Além do mais esta ideia de Frei Morgado articula-se com uma outra, que já aí vem, de Frei Bento Domingues .”O que nos salva ou nos perde é a atenção ou a indiferença perante os necessitados”.
Boa leitura.
PALAVRA DE DEUS?
Frei Bento Domingues, O.P.
O que nos salva ou nos perde é a atenção ou a indiferença perante os necessitados
1
Em tempos de grande crise económica gerada por métodos de corrupção e de especulação financeira, os temas de vigilância, de rigor nos grandes projectos, de apertada regulamentação da banca, de cuidada avaliação profissional acompanham os telejornais com cenários de catástrofe global.
Quem procurar alívio e consolação nas igrejas arrisca-se a uma grande decepção. Se não quiser ser vigilante e viver embalado em palavras de “paz e segurança” – como se dizia no domingo passado -, encontra-se com o inesperado. Sentir-se-á mesmo revoltado com o que vai ouvir da chamada “Palavra do Senhor” ou “Palavra da salvação”.
2.
Na liturgia outonal, os cristãos são confrontados com as perturbadoras narrativas do capítulo 25 do Evangelho de S. Mateus.
Na primeira – a do contraste entre “as virgens loucas e as prudentes” – espelha-se um mundo egoísta e sem compaixão. Na segunda – a dos “talentos” – glorifica-se a arte de tornar os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Vem a terceira – a da avaliação final da história humana -, na qual seria de esperar uma boa saída para um mundo tão cruel. De facto, a justiça parece perfeita. Aos bons o Filho do Homem dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo.” Para os maus, a sentença é outra: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o demónio e os seus anjos.” O conjunto deste celebrado capítulo, construído numa sequência de três narrativas, acaba assim: os maus irão para suplício eterno e os justos para a vida eterna.
A sentença do chamado “juízo final” é baseada no comportamento histórico dos bons e dos maus. E parece sublime. O encontro com Cristo ou a sua rejeição, isto é, o encontro com a salvação ou a perdição, não depende de nenhuma prática religiosa codificada com prémio ou castigo previamente fixado. O juiz deste processo andava clandestino na vida das pessoas: tive fome e deste-me de comer; tive sede e deste-me de beber; era peregrino e me recolheste; não tinha roupa e me vestiste; estive doente e vieste visitar-me; estava na prisão e foste ver-me.
Os bons, os justos, ficam espantados: Senhor, quando é que te vimos com fome, com sede, peregrino, sem roupa, doente ou na prisão? A resposta é inesperada: “Quantas vezes o fizeste a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeste.” Em relação aos maus, basta mudar o sinal de positivo para negativo: “Em verdade vos digo: quantas vezes o deixaste de o fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a mim deixaste de fazer.”
3
Temos, aqui, a clandestinidade de Deus e de Cristo no seu máximo ocultamento. Nem quem fez o bem, nem quem fez o mal sabe que estava a servir ou a ofender a Deus. Também não pensa em prémio ou castigo. O que nos salva ou nos perde é a atenção ou a indiferença perante os necessitados.
A qualidade moral desta narrativa é simplesmente admirável. A qualidade religiosa não é confessional. A atenção e a ligação extremas – características da religiosidade – realizam-se no cuidado concreto com quem precisa, só porque precisa. Neste dom, existe um secreto movimento e encontro com o Infinito. É, pelo menos, a interpretação do Senhor desta história. No entanto, o juiz do bem e do mal, por mais justo que se mostre, não se parece muito nem com Jesus Cristo, nem com o seu Deus de pura misericórdia. Um inferno eterno é uma maldade que nem um autor tão ortodoxo e tão louvado por Bento XVI, como H. U. von Balthasar – apresentado, aqui, no domingo passado – conseguiu suportar. Como alguém me observou, o final desta narrativa está em contradição com o mandamento do próprio Jesus, apresentado neste mesmo Evangelho de S. Mateus: “Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.’ Eu, porém, digo-vos: ‘Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.’ Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no céu, pois Ele faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores. Porque, se amais os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem já isso os publicanos? E, se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.”
Será que S. Mateus tinha pouca memória e, passados vinte capítulos, já não se lembrava da originalidade radical do caminho cristão que tinha proposto?
A este respeito – e sobretudo depois do recente Sínodo dos Bispos sobre a glorificação da “Palavra de Deus” – importa perguntar para não cair em fundamentalismos: que entendemos por esta metáfora? Como diz Schillebeeckx, a auto-revelação de Deus é dada em experiências humanas interpretadas. Nunca temos acesso à “Palavra de Deus” de modo imediato. Estritamente falando, a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas um conjunto de testemunhos de fé de crentes que se situam numa tradição particular da experiência religiosa. É por isso que, no uso litúrgico, utilizo o menos possível a conclusão solene, “palavra do Senhor”, precisamente porque Deus nunca fala assim. São crentes que falam. Voltarei a este tema.
NOTA
Esta reflexão de Frei Bento Domingues, no Público do passado Domingo ( alertando para o facto de os sublinhados, aqui no irmão sol serem da nossa responsabilidade) convoca-me para a urgência de o ter aqui, entre nós, ajudando-nos a reflectir em que medida é que a net, este nosso WEBANGELHO, pode ajudar a questionar o tradicional Evangelho no sentido de, cada vez mais estarmos atentos a todas as nuances e perspectivas históricas com que a “Boa Nova” é abordada por quem sabe, estuda e pesquisa.
Sim, quero acreditar que Deus, pela acção do Espírito, jamais decidiu fechar-se em copas e nunca mais nos ligar “peva”!
Sim, escolho este português chão, porque acredito que, deste ponto de vista, muitas das nossas comunidades, sobretudo do interior, ainda vivem dominadas pela ideia do pecado (como bem referiu o Pe Anselmo, ali mais abaixo!) e da inquestionabilidade da actualidade da sua mensagem. Ou seja, dava muito jeito que o Espírito voltasse a descer sobre nós, agora ao ritmo do sec XXI, qualquer coisa como, Deus revela-se aos homens uma vez por século, ou, Deus revela-se uma vez por ano para actualização da sua mensagem, ou, ainda, e melhor, Deus não quer que percamos tempo a interpretar e actualizar o que disse há milhares de anos, simplesmente porque Deus É, e ponto final, não há cá internet que resista.Isto é verdade para o mais humilde pastor da Serra da Estrela, sem nenhum “Magalhães” à mão, como para o mais actualizado e refinado webmaster da capital. Permanece, pois, esta fome: qual a melhor interpretação do que Deus disse para que melhor O possamos amar ou, do Deus que anda connosco imune ao tempo porque Ele mesmo É o único Tempo, imune a “interpretações” e, sim, desejoso de intercomunicações várias.
É por isso que digo a Deus, a cada momento que passa, obrigado por estares sempre comigo, mesmo que não esteja Contigo sempre. Quer dizer…
ac
Olá!
Saudades nossas?!
Vem por aí qualquer coisa a caminho.
Até lá, recomendamos uma Leitura actualizada de um take da Lusa, de agora! Dá para acertar o passo com a História, ou, interrogarmos, da História os seus tantos e mais recentes passos:
Capitalismo vive crise complexa
que parece ser crise civilizacional
Coimbra, Portugal 27/11/2008 13:43 (LUSA)
Temas: Economia (geral), Direitos humanos, Sociedade
Coimbra, 27 Nov (Lusa) – O sociólogo Boaventura de Sousa Santos considerou hoje, em Coimbra, que o capitalismo atravesssa “uma crise muito significativa e complexa”, que “parece ser uma crise civilizacional”.
“Já não é apenas uma crise económica, mas parece ser uma crise civilizacional”, considerou o director do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (UC), na conferência inaugural do colóquio internacional “Desafios aos direitos humanos e à justiça global: a luta pela igualdade e pelo reconhecimento da diferença”.
Na sua palestra, intitulada “Direitos Humanos ante os Desafios da Desigualdade Social e da Diversidade Cultural”, o sociólogo disse que, apesar de complexa e significativa, “não parece que esta seja a crise final do capitalismo”.
“Não se vislumbra o fim do capitalismo mas também não se imagina que não tenha fim, porque tudo o que existe na História tem fim”, referiu, adiantando que “não sendo uma crise final, também não se imaginam soluções”.
De acordo com o catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, esta crise assume “quatro tempos diferentes, contraditórios”: o tempo financeiro, económico, energético e ambiental-climático.
“O mais significativo nesta crise é que ela não foi produzida pelas forças progressistas que se afirmaram ao longo dos últimos 30 anos como forças de esquerda, ela resulta do suicídio do neoliberalismo”, sustentou.
Na sua intervenção, Boaventura de Sousa Santos defendeu “uma construção contra-hegemónica dos direitos humanos”, baseada em três orientações, nomeadamente em “descolonizar o poder e o saber, democratizar a democracia e produzir para viver e para deixar viver”.
“A maioria dos cidadãos do mundo são objectos de direitos humanos, não sujeitos de direitos humanos. É necessário criar uma imagem reinventada, reenergizada dos direitos humanos para abrir e dignificar as emergências dos direitos humanos como uma linguagem forte de emancipação”, defendeu.
Ao intervir na sessão de abertura do colóquio, Pedro Duarte Silva, chefe de gabinete do secretário de Estado Adjunto do ministro da Justiça, considerou que os direitos humanos constituem “o Alfa e o Ómega de um Estado de Direito”.
“O Alfa, porque os direitos humanos são o princípio fundacional de um Estado de Direito, cuja estruturação e procedimentos neles assenta e com eles concorda. O Ómega, porque os direitos humanos são o horizonte escatológico de um Estado de Direito, que jamais poderá eximir-se a incessantemente os garantir e procurar promover”, considerou o chefe de gabinete, que representou o secretário de Estado José Conde Rodrigues.
Especialistas portugueses e estrangeiros participam no colóquio que termina sexta-feira no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, organizado pelo CES e inserido nas comemorações dos 30 anos desta instituição de investigação.
MCS.
S.Bento, há minutos
Estamos, praticamente, há uma semana sem correio.
É chegada a altura de agradecer a todos os que, de alma e coração, quiseram “inscrever os seus nomes” nestes quase dois meses de tu-cá-tu-lá com o passado mas, sobretudo, com o PRESENTE das nossas vidas.
Este projecto só teria interesse se TODOS, ou, pelo menos, à medida que o tempo ia decorrendo, no passa-palavra sobre a sua existência, mais e mais irmãos fossem chegando.Primeiro, para os de fora do Convento/Mãe, a Ordem, ou seja, nós, os ex-alunos, mas, também, de lá bem dentro.
Por razões que já não adianta, o irmão sol ficará a brilhar nos arquivos da wordpress, tudo fazendo para ser digno deste silêncio.
Obrigado, bom Deus, pela intensidade destes dias. Sabemos que continuarás a acompanhar-nos por aqui.
E ao terceiro dia….
ac
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NATAL NO KAZAHSTAN.(JOÃO,NÃO SEI SE “KAH ESTAN”…
Publicado Dezembro 2, 2008 Uncategorized Leave a CommentOlá, irmãos amigos em geral. Olá Antonio Colaço.
Eu sei que estavas a pensar que todo o mundo se tinha esquecido do “Irmão Sol“. Não é verdade. Às vezes o tempo é curto. Outras vezes, é deixar que sejam os outros a fazer. É um imenso mundo de desculpas. Mea culpa…Mea culpa…Mea maxima culpa. (Frei Morgado, está correcto o Latim?).
Provavelmenre estarás a esta hora sentado no sofá, (em Mação. Não Maçã como eu escrevi antes), a digerir o teu almoço. (São 14:07 hrs em Portugal Continental. + 6 hrs no Kazakhstan). Nesta hora estarás a pensar que ninguém te vai incomodar neste fim de semana. Contudo houve um castiço, que resolveu mandar mais uma pedrada.
Onde estiver um Português estará a Bandeira. Onde estiver um Português, estarão as luzes de Natal. Onde estiver um Canadiano ou Americano será celebrado o dia de “Acção de Graças”. (Thanks Giving Day).
Hoje, foi aqui celebrado o “American Thanks Giving”. No Canadá é celebrado um mês e tal antes.
Rezar, cada um o fez em particular. ( O ano passado coube-me a mim fazer a prece antes de começar a refeição). Este ano escapei. O tradicional perú constou da ementa, e claro o tintinho da Califórnia para molhar.
Prometo voltar. O Irmão Sol, não mais se apagará.
Um abraço do tamanho do mundo para todos vós.
João Casais
PS. Anexadas encontras várias fotos para usares com bem entenderes. Obrigado. Não desanimes. Atrás da tempestade, vem a bonança..
Um abraço
NOTA
Meu caro João, obrigado, desde logo, pela tua carta. Como vês, o nosso convento está gélido. Não está cá ninguém. Eu vim só mudar a lamp@rina , algumas flores e assegurar que o pó não tome conta das cadeiras da capela. Na cozinha, como também podes ver, habita um qwerteniano silêncio e as saudades dos dias iniciais com seus pequenos banquetes editoriais, sim, que, sendo menores, não deixamos de ter boquinhas para alimentar ( deve ser giro o “tintinho da Califórnia”, man, tás a ver como isto podia ser enriquecedor nós aqui a disputar os tintos do Douro e Alentejo e tu entras a matar com um “tjintjinhou” californianao!) e olha é o que vês, ainda estão além as travessas onde o Sério nos serviu aquele delicioso empadão de Ginjo, ali mais adiante, a fabulosa panela com que o Vaz nos serviu uma sopa de pedra de tão saborosas fotografias, e, ainda a escorrer, a travessa de barro com que o Frei Morgado nos ensinou a orar em Assis, a admirar as figurinhas dos seus mil presépios de encantar, enfim…
É uma pena, sabes, mas a lamparina eu não vou deixar que se apague.
Já agora, se quiseres, dou-te uma notícia: fiz renascer este espaço, um projecto que já passou de revista de offset, a mail ao domicílio, coluna de jornal, blog, exposições…já lá vão quase 30 anos, a completar em Abril de 2009, e que acode pelo nome que lá encontrarás . Se quiseres, aparece e terei muito gosto em receber-te por lá, pelo menos sem esta forma algo complexada que deixei desenvolver em mim, nos últimos tempos, de que os meus irmãos achavam que o irmão sol se resumia à exaltação da minha vida, sei lá!
É melhor assim, virei aqui, como qualquer um de nós,e não deixarei que a lamparinazinha se apague, podes crer.
Boa noite.
ac
Olá amigo Colaço.
Foi com imensa alegria que vi nascer o “ Irmão Sol “. Mas com uma bem maior tristeza que o vejo caminhar para o fim.
Foi um projecto que abraçaste com carinho, na esperança de ser o nosso lugar de reunião. Essa foi também a minha grande esperança. Com o passar do tempo, e pouco a pouco, eu acabasse por encontrar, reconhecer e reviver um saudoso passado bem distante. Isto claro sem pôr de parte o nosso presente.
Da minha parte quero agradecer-te por tudo o que fizeste, para tornar possível este projecto. (Acredito que ainda não está morto. Apenas adormecido). Tens razão para o desânimo. Foste incansável a puxar, dar pistas etc. Acredito, que pelo menos tens a alegria do dever cumprido.
Para os crentes, a Esperança é a última a desaparecer.
Talvez os irmãos se cansem de não verem nada de novo na casa, e acordem para a realidade, e se apercebam que está na hora deles.
Sinceramente, não queria ver desaparecer este espaço de convívio, mas…
Um abraço, deste lado do mundo.
João Casais
NOTA
Mais palavras para quê, João?! Que estas palavras venham de tão looooooooooooonge, só aumenta a nossa/minha responsabilidade de percebermos como a net pode ser, de facto, um meio de nos aproximar mais uns aos outros. Claro, que o pessoal está por cá, anda por aí, sobe a linha do Norte, desce a A1 e até tropeça num qualquer moderno shopping do Belmiro, para não dizer que “se telefona”…
João, tu, estando tão longe de nós, afinal, fazes-nos sentir mais próximos uns dos outros.
Já volto mais tarde que o azeite está a acabar-se e só dura até mais logo.
Muito obrigado pelo teu testemunho.
ac
Este casal de pescadores africanos esteve quase a ser o último post do irmão sol antes desta pausa tipo “Ambrósio, apetecia-me algo… sei lá, um post, uma imagem, um texto….”
O Espírito está connosco, por muito que demoremos a descobri-Lo, e, sem qualquer visão mecanicista do Transcendente, actua, não tenho a mínima dúvida por muito que, apóstolo Pedro de mim, tantas vezes por três vezes o negue!
Eis, senão, quando, postado em minha tão desesperada quanto silenciosa cela webniana, o nosso João Kazakistan (acho que está mal escrito mas , por agora, vai assim, João) aparece, qual Cristo disfarçado, e nos impele a lançar de novo as redes à rede!
O milagre da pescaria aí está de novo!
João Teixeira, que não estás tão distante como o João Casais, vê se te lembras quem é que me ofereceu estes pescadores africanos…
Pois bem, aqui ficam como sinal do assentimento à mensagem de Jesus..”lança as redes e verás…”
É o que faço, já de seguida pois continua a vir peixe de alta qualidade!
Reparem só no post que vai seguir-se!!!
AH, já agora, uma NOTA, que me foi chutada pelo Frei Hermano – por andas , meu?!Também julgavas que tinhamos abandonado este nosso conventinho.. – a consulta do irmão sol torna-se mais fácil, quer dizer, demora menos a descarregar as imagens, se forem ali acima ao calendário e clicarem NO DIA QUE PRETENDEM, QUER DIZER, CONSULTEM DIA POR DIA, não sei se me fiz entender!
Colaço, junto envio mais uma participação. Dos primeiros momentos no Seminário.
Anexo foto dos seminaristas no ano lectivo de 1960-61.
Uma observação: naquela foto de ginástica no campo da bola (de 12 de Novembro) bem se nota como o jingo sobressai!…
Ainda tenho uma vaga ideia de subirmos ao Dormitório para vestir o fato preto – sem casaco nem gravata – para tirarmos uma fotografia no campo. em ginástica.
Um abraço.
Sério
Gondomar – Os alunos de 1960 . O Sério, ao centro, entre as duas veneráveis barbas.
Não foi fácil. Numa das primeiras manhãs, meti a cabeça debaixo duma das torneiras daquele quarto de banho e ensaboei a cabeça.
O colega do lado pediu-me o sabão. Prazenteiro, passei-lho. Enxaguada a cabeça pedi-lho: o sabão tinha “escorregado” para as mãos de outro e de outro. E como encontrá-lo? Foi o pânico. E ainda por cima o todo-poderoso Padre vigilante a dizer que havia muito sabão como o meu para me servir… Mas aquele era o MEU!!! Foi a minha mãe que mo deu!!
Espreitei através do tremelicar das lágrimas e não descobria no rosto dos colegas qualquer vislumbre de sacanice ou satisfação ou troça por qualquer roubo efectuado… Mesmo assim, não deixei de passar uma revista rápida depois de aliviado o lavatório. Era agulha em palheiro: nenhum dos pedaços de sabão estava inteirinho como o meu…
Sério, o segundo a contar da direita. Sem o sabão!
É com dificuldade que tento reconhecer nos colegas aquelas projecções da figura de meus irmãos…
Lembro o Cadima (nome da terra, não?), espadaúdo, não muito alto mas atlético. Jogava o espeto como poucos. A força que aplicava no pau deitava abaixo meio mundo e ficava espetado, direitinho. E atirava o pau derrubado para tão longe, que, ainda o adversário não tinha chegado a ele, já tinha cumprido as espetadelas exigidas. E a velocidade que imprimia à bola? E a corrida com a bandeira roubada na mão?…
Por andas, Cadima? Aceita um abraço, velho de quarenta e tantos anos, mas fresco neste reduto/seminário que é o “Irmão Sol”.
Pergunto-me ainda o que é que via no Aníbal (Gonçalves) para nutrir por ele aquela amizade fraterna que me saía tão natural. Generosidade dele, sem dúvida. Mas fico com uma vaga ideia de que o Aníbal era uma das “vítimas” da minha “irmanização”…
Nunca mais esqueci a aventura em que se transformou “um dia de campo” do Amial. Confessei-lhe o alarme que representara para mim o internamento recente de um cunhado meu num Hospital em Coimbra e a vontade de ir lá visitá-lo (maluqueiras duma cabeça que julgava Coimbra ali mesmo, logo a seguir a Gaia, palmo mais palmo menos…) Não sei como é que ele me viu. “Aparou-me” a ideia e não deixou que me atirasse sozinho àquela aventura.
A partir de Santo Ovídio, Coimbra ficou a nossos pés com duas boleias. O Aníbal sabia onde era o Hospital. O meu cunhado preocupou-se com a viagem de regresso. Não te incomodes! Foram duas para cá, são duas ou três para lá!!
É o foram! Nem o santo hábito nos valeu! As boleias eram curtas e o Porto parecia cada vez mais longe! Onze transportes, fora algum pedaço a pé… Lembras-te daquele carrito e da impressão que nos deixou aquele senhor que fazia tudo com as mãos: condução, embraiagem, mudanças, travagens? Paralítico, mas era dirigente duma das modalidades da Sanjoanense (hóquei, se não me engano).
O Autocarro7, algures no Porto, com o Serio dentro. Quer dizer…
Era noite e más horas quando apanhámos o 7 na Praça da Liberdade. A nossa falta foi notória nas Horas do Ofício e na hora de jantar. Não me lembro se até falhámos as Completas…
Depois foi o ralhete público, em Capítulo. Tu a apanhares o sermão todo e eu, causador daquele embaraço todo, calado que nem mula. Tu estoicamente a aparares o recado todo e eu apenas de raspão…
(A imagem de boa pessoa que me pretendo quer à viva força ver nos fundilhos da memória uma tímida menção de pedido da palavra, negada porque o sermão “não admitia interrupções”…)
Num dia a seguir ainda me dirigi ao quarto do Director (Pe. Vítor?) tentando chamar a mim a responsabilidade. Sem me eximir à repreensão, o Director justificou a sua atitude: o Aníbal era mais velho, tinha de ser responsabilizado…
Não sei se te pedi desculpas…
Foi com uma alegria tão grande que te encontrei aqui há uns tempos atrás! Fiquei sem jeito para te dizer fosse o que fosse. Há mais de trinta que não nos víamos.
Nos Encontros, o Artur ia dando notícias. Mas o encontro contigo há tempos soube-me pela vida.
(Continua)
NOTA
Com o adiantado da hora, o editor voltará amanhã para dar só um cheirinho de cor a este mais que colorido texto. Ou, por outras palavras, caríssimo Sério, um texto de mil cores feito, cores que nos entram pelas entranhas. Aquele sabão roubado, a procura dos irmãos nos novos irmãos, a escapadela.Uff!Sinto um orgulho do caraças em estar aqui a publicar-te!( Sim, aqui ouso puxar dos galões, sou o teu “editor”!!! ).Tenho a pele como a das galinhas!Espero que todos percebam o alcance, a riqueza da viagem que nos proporcionas.
Não posso demorar-me mais.
Como vês, vim aqui deixar só um pouco mais de azeite na lamparina para que os irmãos que por aqui passem, nas próximas horas, tudo vejam do Todo para que nos encaminhas! Obrigado, bom Deus, por esta …pescaria!
ac

Amigo Colaço:
Desta vez não tenho “matéria” para enviar, só queria dizer que todos os dias acompanho este nosso blog. Por isso este espaço tem de continuar, não pode ser de outra forma.
Vou estar uns dias de férias, logo que possa vou ver se consigo dizer alguma coisa de jeito.
Contudo, tenho de acrescentar que estou muito admirado por a malta que organiza e costuma ir aos Encontros ainda não ter dito nada… Assim até fazem desanimar os que nunca foram…
Força e continua.
Armando Pinto
Longra (Felgueiras
Uma vez mais a Palavra.
Está tudo dito. Amanhã retomaremos com o Pe Anselmo. Sim, no nosso conventinho, para além desta C@pela, temos outros lugares onde interiorizá-la, sem que seja preciso aqui vir a todas as horas: sim, essa outra capela está dentro de cada um de nós.Deus gosta que O encontremos lá,afinal, foi lá que nos encontrou, como obra sua.
ac
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Nem só de pão vive o homem
07/12/2008 Frei Bento Domingues O.P.
Encontrar-se com o nosso património artístico, expressão da fé cristã, é fácil e barato. Basta acolher a graça do Presépio1. Nem só de pão vive o homem, mas sem pão é difícil. O Diabo sabia disso quando pôs Jesus à prova no deserto. Hoje, diante dos efeitos económicos da especulação financeira, a nível global e local, a oração pelo “pão nosso de cada dia” – que não dispensa o trabalho – continua a fazer todo o sentido.
Quanto à crise, consultei o site da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE). Estava com pouca luz. O filósofo André Comte-Sponville – um ateu meio cristão – realça o primado evangélico do amor, alma de uma ética superior, mas não perde o sentido do realismo mais chão: “A ética vale mais do que a moral. A moral vale mais do que o direito. Mas a moral é mais necessária do que o amor, o direito é mais realista do que a moral. Se não formos capazes de viver à altura do Novo Testamento, respeitemos, ao menos, o Antigo.”
São afirmações lapidares e insuficientes. Encontrei alguns fervorosos católicos lamentando que o Papa – embora com alguns recados à banca – não tenha excomungado os maiores responsáveis por uma crise que continua mais misteriosa do que a Santíssima Trindade.
A receita das excomunhões não me entusiasma e as determinações papais só contam para quem as deseja acolher. Por outro lado, os textos do Novo Testamento colocaram na boca de Jesus de Nazaré e de sua Mãe textos assustadores sobre os ricos. Na escola de S. Paulo, sustentava-se que “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (1 Tm 6, 10). Os cristãos que alinham com sistemas de exploração e com práticas de corrupção sabem muito bem o que fazem e sabem que estão, pelo efeito da sua actuação perversa, a excomungar-se da comunidade humana.
2.Estamos no Advento, mas a necessidade de vigilância não é exclusiva desta quadra litúrgica. Hoje, mesmo fora dos espaços eclesiais, é frequente ouvir: não se pode permitir aos mercados que façam o que lhes apetece sem qualquer controlo. Não basta, no entanto, aproveitar a crise para ter mais cuidado com a gestão da vida económica. Quem ficar por aí vai sonhar com o fim deste pesadelo para voltar a pautar a vida pessoal, profissional e social pela mesma escala de preocupações. Ora, o que está em causa é o sentido que cada um dá à sua vida, a responsabilidade que assume em relação ao bem comum e o espírito de compaixão pelos que vivem sós e abandonados: justiça e gratuidade.
A alteração de critérios deve começar já pela preparação deste Natal. É evidente que ainda há muito sentimento humano para que os sem-abrigo e os velhos e novos pobres não sejam totalmente esquecidos. Os meios de comunicação podem fazer imenso para avivar o sentido da solidariedade e nem são precisas “300 ideias” para os atender. Mas, se ficarmos por aí, é porque pensamos que as pessoas “só vivem de pão”. Além da satisfação das necessidades materiais básicas – e estamos muito longe de estas serem atendidas, apesar de todos os programas de combate à pobreza – as pessoas vivem, sobretudo, de afectos e beleza. Quando os presentes de Natal não são investimentos, valem na medida em que forem concretizações de presença pessoal, de reconhecimento, isto é, de que os outros contam para nós.
É normal que o marketing se esforce por encontrar modelos de gastos de Natal para tempos de crise, porque presentes de luxo para gente de luxo são negócios, válidos apenas como negócios, mais ou menos honestos, investimentos talvez mais seguros do que a oscilação dos jogos da Bolsa. A ética desses investimentos e jogos é anti-solidária: a riqueza de uns implica a pobreza de outros.
3.Na perspectiva de revisão de vida, neste tempo de Advento, talvez possamos mudar de registo sem muitos gastos. É um momento privilegiado para descobrir a aliança entre a pobreza voluntária e a beleza. A pobreza, quando imposta, é feia e destruidora. Quando voluntária, pode ser azeda por moralismo, como a de João Baptista, ou bela como a de Jesus e Francisco de Assis. Os Evangelhos encheram de música o curral do nascimento do filho de Maria e o Poverello foi o grande poeta do presépio e da natureza. Fra Angelico só gastou alguma tinta para encher de beleza o Convento de S. Marcos de Florença.
Somos europeus. G. Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, numa conferência na Universidade de Salamanca – no começo do próximo ano estará em Portugal -, insistiu na redescoberta da nossa herança cultural multifacetada. Na apologia da vertente cristã, lembrou algumas afirmações de grandes figuras da cultura europeia: para Goethe, a língua materna da Europa é o cristianismo; segundo I. Kant, a fonte da qual brotou a nossa civilização é o Evangelho; T. S. Eliot foi mais explícito: “Um cidadão europeu pode não pensar que o cristianismo seja verdadeiro e, contudo, o que diz e faz brota da cultura cristã da qual é herdeiro. Sem o cristianismo não teria havido nem sequer um Voltaire ou um Nietzsche. Se o cristianismo desaparece, desaparece também o nosso rosto.”
Encontrar-se, hoje, com o nosso património artístico, expressão da fé cristã, é fácil e barato. Para refazer a nossa alma na beleza e na pobreza, basta acolher a graça do Presépio.

O Arménio é o 2º a contar da direita.
Olá Colaço!
Gosto imenso do “Irmão Sol“. Por isso,não vamos deixá-lo morrer, porque, morrendo ele, estamos também nós a morrer um pouco…
O nosso “convento” é com certeza, a melhor aposta que os A.Alunos Capuchinhos podem encontrar à sua disposição, para reverem os amigos e matar saudades.
O Natal está próximo e nunca como nesta quadra estamos tão perto de Francisco de Assis, cujo nome e obra está ligada aos presépios vivos.
Das berças, como tu chamas à terra que nos viu nascer, recebemos o condão da entrega e da amizade construida nas raízes que nos transformam em seres cada vez mais cientes da nossa verdadeira condição humana.
Li as páginas que editas e fiquei com a ideia que todos os companheiros que têm acesso a este meio estão mais próximos, através da informação e da palavra que vai circulando, sem cessar. Dou-te os meus parabéns.
Ao mesmo tempo, peço-te que não desanimes.O projecto é ambicioso e, como tal, tem as suas dificuldades, que, por outro lado,solidificam e fundamentam os alicerces em terra firme.
Irei participar, não com essa energia e essa torrente emocional que te é característica, mas à minha maneira…
Seria muito bom que considerássemos a proposta que o nosso amigo Vaz idealizou!
Agora, para iniciar o meu contacto com o irmão Sol, aqui vai uma pequenita lembrança natalícia.

Um exemplar de Julia Ramalho do Museu de Frei Morgado, Fátima.
– Aquela noite, parecia a mais longa. Eu e os meus irmãos,quase não dormíamos a pensar na vinda do Menino Jesus (hoje, infelizmente, substituido nesta sociedade de consumo pelo Pai Natal). O sapatito lá ficava debaixo da chaminé,à espera…à espera!..
Manhã cedo, assim que a luz do dia brilhava, saltávamos da cama,corríamos desenfreadamente para ver o que o Menino tinha trazido!
Achava que era pouco, porque a chaminé era muito estreita e aquilo que poderia passar por ela, reduzia-se a uns poucos rebuçados e a algumas bolachas Maria, que os “enviados”, versus Pai Natal, conseguiam comprar na loja do Ti Manel Pereira.
Mais tarde, no Seminário, a história repetia-se: Em Gondomar, o Natal era festejado dias antes de partirmos para Férias. Lembro-me perfeitamente de, na véspera da partida, deixar o sapatito à porta do Director ( Pe Vitor) e na manhã seguinte, encontrá-lo recheado de rebuçados.Ali, o Menino Jesus, vinha mais cedo, para que todos nós fôssemos para casa, com a certeza, que, na verdade, Ele veio alimentar a fantasia e o encanto que aquela quadra natalícia despertava, na “pequenada” de outrora…..
Um abraço.
Arménio Rosa Madeiros.

Ministro Geral visita Timor-Leste
Chegou hoje a foto que reporta a visita do Ministro Geral aos nossos missionários e postulantes em Timor-Leste.
Com os cumprimentos do SCAM
Fr.Acácio Sanches
NOTA
Alô Frei Manuel Rito, sabemos que somos lidos aí, pois venha daí,também, reportagem mais desenvolvida.ac
Enviado pelo Frei António Pojeira, apenas hoje – oh, António, e eu que me preparava para dizer que bem podias dar uma ajudinha maior, pois, afinal, és, também, um dos principais progenitores do irmão sol!!! – damos à luz este texto comemorando, assim, os dois mil anos de Paulo.Desculpa lá, oh grande Paulo, que bem sabes o quanto te estimamos.
Aqui te juramos fidelidade e empenho na proclamação da Palavra. Estás desde já comprometido a ser, também, um dos nossos inspiradores, para além de Francisco.E nem a propósito, tu que tanto escreveste, para o teu tempo – sim, um verdadeiro “bloguista dos anos 30″!!!-, inspira os nossos amigos a que te sigam o exemplo e, pelo menos, escrevam um decimozito do que escreveste!
ac

Bento XVI apresenta Paulo de Tarso
Na audiência geral desta quarta-feiraZENIT.org).- Publicamos a intervenção de Bento XVI durante a audiência geral desta quarta-feira, na qual apresentou a figura de Paulo de Tarso.
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 25 de outubro de 2006 (
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Concluímos nossas reflexões sobre os doze apóstolos, chamados diretamente por Jesus durante sua vida terrena. Hoje começamos a aproximar-nos das figuras de outros personagens importantes da Igreja primitiva. Também eles gastaram sua vida pelo Senhor, pelo Evangelho e pela Igreja. Trata-se de homens e mulheres que, como escreve Lucas nos Atos dos Apóstolos, «entregaram sua vida à causa de nosso Senhor Jesus Cristo» (15, 26).
O primeiro destes, chamado pelo próprio Senhor, pelo Ressuscitado, a ser também ele autêntico apóstolo, é sem dúvida Paulo de Tarso. Brilha como uma estrela de primeira grandeza na história da Igreja, e não só na das origens. São João Crisóstomo o exalta como personagem superior inclusive a muitos anjos e arcanjos (cf. «Panegírico» 7, 3). Dante Alighieri, na Divina Comédia, inspirando-se na narração de Lucas nos Atos dos Apóstolos (cf. 9, 15), o define simplesmente como «vaso de eleição» (Inferno 2, 28), que significa: instrumento escolhido por Deus. Outros o chamaram de o «décimo terceiro apóstolo» — e realmente ele insiste muito no fato de ser um autêntico apóstolo, tendo sido chamado pelo Ressuscitado, ou inclusive «o primeiro depois do Único». Certamente, depois de Jesus, ele é o personagem das origens do qual mais estamos informados. De fato, não só contamos com a narração que Lucas faz dele nos Atos dos Apóstolos, mas também de um grupo de cartas que provém diretamente de sua mão e que, sem intermediários, nos revelam sua personalidade e pensamento. Lucas nos informa que seu nome original era Saulo (cf. Atos 7, 58; 8, 1 etc), em hebreu Saul (cf Atos 9, 14.17; 22, 7.13; 26, 14), como o rei Saul (cf. Atos 13, 21), e era um judeu da diáspora, dado que a cidade de Tarso se situa entre a Anatólia e a Síria. Muito cedo havia ido a Jerusalém para estudar a fundo a Lei mosaica aos pés do grande rabino Gamaliel (cf. Atos 22, 3). Havia aprendido também um trabalho manual e rude, a fabricação de tendas (cf. Atos 18, 3), que mais tarde lhe permitiria sustentar-se pessoalmente sem ser um peso para as Igrejas (cf. Atos 20, 34; 1 Coríntios 4, 12; 2 Coríntios 12, 13-14).

Basílica de S.Paulo, em Tarso
Para ele, foi decisivo conhecer a comunidade dos que se professavam discípulos de Jesus. Por eles, teve notícia de uma nova fé, um novo «caminho», como se dizia, que não punha no centro a Lei de Deus, mas a pessoa de Jesus, crucificado e ressuscitado, a quem era atribuída a remissão dos pecados. Como judeu zeloso, considerava esta mensagem inaceitável, escandalosa, e sentiu o dever de perseguir os seguidores de Cristo, inclusive fora de Jerusalém. Precisamente no caminho para Damasco, a inícios dos anos trinta, Saulo, segundo suas palavras, foi «alcançado por Cristo Jesus» (Filipenses 3, 12). Enquanto Lucas conta o fato com abundância de detalhes — a maneira em que a luz do Ressuscitado o alcançou, mudando fundamentalmente toda sua vida –, em suas cartas ele vai diretamente ao essencial e fala não só de uma visão (cf. 1 Coríntios 9, 1), mas de uma iluminação (cf. 2 Coríntios 4, 6) e sobretudo de uma revelação e uma vocação no encontro com o Ressuscitado (cf. Gálatas 1, 15-16). De fato, se definirá explicitamente como «apóstolo por vocação» (cf. Romanos 1, 1; 1 Coríntios 1,1) ou «apóstolo por vontade de Deus» (2 Coríntios 1, 1; Efésios 1,1; Colossenses 1, 1), como querendo sublinhar que sua conversão não era o resultado de bonitos pensamentos, de reflexões, mas o fruto de uma intervenção divina, de uma graça divina imprevisível. A partir de então, tudo o que antes constituía para ele um valor se converteu, paradoxalmente, segundo suas palavras, em perda e lixo (cf. Filipenses 3, 7-10). E desde aquele momento, pôs todas suas energias ao serviço exclusivo de Jesus Cristo e de seu Evangelho. Sua existência se converterá na de um apóstolo que quer «fazer-se tudo a todos» (1 Coríntios 9, 22) sem reservas.
Daqui se deriva uma lição muito importante para nós: o que conta é colocar Jesus Cristo no centro da própria vida, de maneira que nossa identidade se caracterize essencialmente pelo encontro, a comunhão com Cristo e sua Palavra. Sob sua luz, qualquer outro valor deve ser recuperado e purificado de possíveis escórias. Outra lição fundamental deixada por Paulo é o horizonte espiritual que caracteriza o seu apostolado. Sentindo agudamente o problema da possibilidade para os gentis, ou seja, os pagãos, de alcançar Deus, que em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado oferece a salvação a todos os homens sem exceção, se dedicou a dar a conhecer este Evangelho, literalmente «boa notícia», ou seja, o anúncio de graça destinado a reconciliar ao homem com Deus, consigo mesmo e com os outros. Desde o primeiro momento, havia compreendido que esta é uma realidade que não afetava só os judeus, a um certo grupo de homens, mas que tinha um valor universal e afetava todos.
A Igreja de Antioquia da Síria foi o ponto de suas viagens, onde o Evangelho foi anunciado pela primeira vez aos gregos e onde foi acunhado também o nome de «cristãos» (cf. Atos 11, 20.26), ou seja, crentes em Cristo. Desde lá tomou rumo em um primeiro momento para Chipre e depois em diferentes ocasiões para regiões da Ásia Menor (Prisídia, Licaônia, Galácia), e depois às da Europa (Macedônia, Grécia). Mais reveladoras foram as cidades de Éfeso, Filipos, Tessalônica, Corinto, sem esquecer tampouco Berea, Atenas e Mileto.
No apostolado de Paulo não faltaram dificuldades, que ele enfrentou com valentia por amor a Cristo. Ele mesmo recorda que teve que suportar «trabalhos…, cárceres…, açoites, perigos de morte, muitas vezes… Três vezes fui açoitado com varas; uma vez apedrejado; três vezes naufraguei… Viagens freqüentes, perigos de rios, perigos de salteadores, perigos dos de minha raça, perigos dos gentios, perigos em cidade, perigos em despovoado, perigos pelo mar, perigos entre falsos irmãos, trabalho e fadiga, noites sem dormir, muitas vezes fome e sede, muitos dias sem comer, frio e nudez. E além de outras coisas, minha responsabilidade diária: a preocupação por todas as Igrejas» (2 Coríntios 11, 23-28). Em sua passagem da Carta aos Romanos (cf. 15, 24.28) se reflete seu propósito de chegar até Espanha, até o confim do Ocidente, para anunciar o Evangelho por toda parte até os confins da terra então conhecida. Como não admirar um homem assim? Como não dar graças ao Senhor por ter-nos dado um apóstolo deste nível? Está claro que não teria podido enfrentar situações tão difíceis, e às vezes tão desesperadas, se não tivesse uma razão de valor absoluto ante a que não podia ter limites. Para Paulo, esta razão, sabemos, é Jesus Cristo, de quem escreve: «O amor de Cristo nos chama… morreu por todos, para que os que vivem já não vivam para si, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles» (2 Coríntios 5, 14-15), por nós, por todos.
De fato, o apóstolo oferecerá seu testemunho supremo com o sangue, sob o imperador Nero aqui, em Roma, onde conservamos e veneramos seus restos mortais. Clemente Romano, meu predecessor nesta sede apostólica nos últimos anos do século I, escreveu: «Por zelos e discórdia, Paulo se viu obrigado e mostrar-nos como se consegue o prêmio da paciência… Depois de ter pregado a justiça a todos no mundo, e depois de ter chegado até os últimos confins do Ocidente, suportou o martírio ante os governantes; deste modo se foi deste mundo e alcançou o lugar santo, convertido no maior modelo de perseverança» (1 Coríntios 5). Que o Senhor nos ajude a viver a exortação que nos deixou o apóstolo em suas cartas: «Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo» (1 Coríntios 11, 1).
[Traduzido por Zenit. © Copyright 2006 - Libreria Editrice Vaticana]
FÁTIMA 24/26 ABRIL 2009.O NOSSO CONGRESSO?
Publicado Dezembro 10, 2008 Uncategorized Leave a Comment
Tivemos conhecimento, primeiro, pelo Frei Pojeira e, depois, pelo Arménio, da nossa Associação – na sequência de contactos feitos pela organização – do 1º Congresso dos Antigos Alunos, uma iniciativa que nasce sob os auspícios de Fátima.
Finalmente, pusemo-nos ao caminho, Google com ele, e aqui está o máximo de informação que conseguimos sobre esta meritória iniciativa.
Só que….
Todos sabemos a distância que vai entre os grandes ajuntamentos, o frenesi e a animação que contemplam, as proclamadas boas intenções de continuar todos os dias a manter o fervor e a intensidade daqueles dias, só que…
Nada nos move contra o facto de, pela primeira vez, várias associações de antigos estudantes dos seminários rumarem até Fátima em busca de dois dias de intensa e animada reflexão, mesmo que sob o excessivo lema de um “CONGRESSO”, a não ser que haja questões verdadeiramente candentes a abordar, tipo, constituição de listas para concorrer à Administração do Santuário de Fátima, às eleições para o Parlamento Europeu, ou, quem sabe, mesmo, constituição de um Partido para concorrrer às Legislativas 2009 e, já agora, por que não, às autárquicas do mesmo ano. Quer dizer…
Numa busca rápida que, a pretexto deste congresso, efectuámos no Google, tropeçámos numa série de blogs ou páginas de idênticas associações de ex alunos, mas foi aqui, nos nossos amigos Carmelitas que, muito ao de leve, nos demorámos o suficiente para ver que, também por lá, o mesmo défice de participação é notado e comentado. Quer dizer … nada me custa, como editor do irmão sol lançar todos os apelos do tipo “TODOS AO CONGRESSO E EM FORÇA PARA FÁTIMA,JÁ!” Até gosto imenso de conhecer gente nova, trocar ideias, experiências, etc. Só que…
De que nos adianta ir para Fátima congressar, se aqui, neste pequenino convento, passamos a vida a…dispersar. Ou seja, não saímos de Gondomar, os que lá estivemos, jurando fidelidade a este ideal de CONVIVER TODOS OS DIAS, aproveitando, da net, as suas energias?
Pronto, aqui ficam estas pequenas provocações, tipo, advogado do diabo, para ajudar a uma reflexão que ajude a fazer deste Congresso um momento maior e de mais intensa iluminação nas nossas vidas de antigos alunos que, no entanto, querem continuar a aprender, com ou sem congresso.
Ah! O Arménio terá sido contactado e enviou os nossos contactos para a organização. Para que nada falte aos senhores congressistas, aqui vai toda a informação e, bem assim, os links, para continuarem atentos!
TOMEM LÁ CONGRESSO!
antónio colaço


| I Congresso Nacional de Antigos Alunos dos Seminários será em Fátima |
| Já se encontra disponível, no site oficial do Santuário de Fátima na Internet, em www.fatima.pt, o programa do I Congresso Nacional de Antigos Alunos dos Seminários, uma iniciativa do Santuário de Fátima a realizar em Abril de 2009, numa organização do Santuário, das associações de antigos alunos dos seminários, da Confederação Portuguesa dos Antigos Alunos do Ensino Católico, com a colaboração de todos os Seminários Portugueses. Pensado no âmbito das celebrações do primeiro Centenário do Nascimento do Beato Francisco Marto, este congresso nacional, intitulado “Seminários: da memória à profecia”, decorrerá nos dias 24 a 26 de Abril de 2009, no Salão do Bom Pastor, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.
Nas palavras da Comissão Organizadora, o Congresso visa “reflectir sobre a influência exercida por esta Instituição na vida pessoal e familiar, profissional e social de quantos por lá passaram”.
Neste sentido, para além das vertentes cultural e de convívio e dos momentos de oração que o congresso visa proporcionar aos participantes, propõem-se à reflexão várias temáticas, algumas relacionadas com o desenvolvimento e o papel dos seminários e outras sobre as opções de vida e sobre a vocação. Haverá ainda lugar para a análise ao papel dos seminários na formação de cidadãos e, no último dia, o único conferencista deste Congresso que não frequentou o seminário, Bagão Felix, apresentará a conferência “Valores cristãos para a sociedade e para o mundo”.
No dia 26 de Abril, pelas 12h30, a Eucaristia de encerramento do Congresso, na Igreja da Santíssima Trindade, será presidida pelo Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga. Texto aqui
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Seminários: da memória à profecia
Iº Congresso Nacional de Antigos Alunos
24 a 26 de Abril de 2009
Salão do Bom Pastor – Centro Pastoral Paulo VI
Dia 24 Abril
Manhã
09h00 – Acolhimento
10h30 – Sessão de Abertura
11h00 – Intervalo
Moderador: Altino Cardoso
11h30 – Conferência: Os Seminários: passado, presente e futuro | João Duque
12h20 – Debate
13h00 – Almoço
Tarde
Moderador: Armindo Carolino
14h30 – Painel I: O lugar dos Seminários na vida e missão da Igreja
14h40 – D. Manuel Clemente, Bispo do Porto
15h00 – P. Vicente Nieto, Reitor do Seminário Maior de Évora
15h20 – P. Carreira das Neves, Professor Catedrático
15h40 – Debate
16h00 – Intervalo
Moderador: Manuel Gama
16h30 – Painel II: Memórias de uma experiência incontornável
16h40 – Apresentação do Inquérito | João António
17h20 – Comentário de antigo aluno religioso | Fr. Bernardo Domingues
17h30 – Comentário de antigo aluno diocesano | António Agostinho
17h40 – Debate
18h00 – Encerramento dos trabalhos
18h30 – Eucaristia | D. António Francisco (Capela da Morte de Jesus – ISST)
21h30 – Rosário | D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva (Capelinha das Aparições)
Dia 25 Abril
Manhã
09h30 – Momento de Oração | D. Augusto César
Moderador: Virgilio Orlando do Vale
09h40 – Conferência: A vocação, expressão única e íntima da ternura divina | Mons. Luciano Guerra
10h30 – Debate
10h50 – Intervalo
Moderador: António Pinheiro
11h20 – Painel III: Percursos de discernimento vocacional
11h30 – No Seminário Menor | António Teixeira
11h50 – No Noviciado | António Correia
12h10 – No Seminário Maior | Manuel Domingos
12h30 – Debate
13h00 – Almoço
Tarde
Moderador: Ilídio Vasconcelos
14h30 – Painel IV: O Seminário e as opções de vida
14h40 – Apresentação multimédia: entrevistas | António Gonçalves
15h00 – Influência na definição de estilos de vida | Pedro Vieira
15h20 – Participação activa e co-responsável na Igreja | P. José Maia
15h40 – Debate
16h00 – Intervalo
Moderador: Guilherme Collares Pereira
16h30 – Painel V: O Seminário e a formação de cidadãos
16h40 – Apresentação multimédia: entrevistas | António Gonçalves
17h00 – Aquisição de competências profissionais | Paulo Rocha
17h20 – Presença qualificada nas estruturas sociais | Joaquim Geraldes Pinto
17h40 – Debate
18h00 – Encerramento dos trabalhos
18h30 – Eucaristia | D. António Marto (Capela da Morte de Jesus – ISST)
21h30 – Sarau | Anfiteatro do Centro Pastoral Paulo VI
Dia 26 Abril
Manhã
09h30 – Momento de Oração | D. João Alves
Moderador: Amílcar Mesquita
09h40 – Conferência: Valores cristãos para uma sociedade de e com futuro | A. Bagão Félix
10h30 – Debate
11h00 – Intervalo
11h30 – Encerramento
12h30 – Eucaristia | D. Jorge Ortiga (Igreja da Santíssima Trindade)
14h00 – Almoço de confraternização | Salão Paroquial de Fátima
Comissão Organizadora:
- Santuário de Fátima
- Associações de Antigos Alunos dos Seminários de Braga-Viana do Castelo, Leiria-Fátima e Vila Real
- Associações de Antigos Alunos dos Seminários dos Espiritanos, Franciscanos, Maristas e Salesianos
- Confederação Portuguesa dos Antigos Alunos do Ensino Católico (COPAAEC)
- Com a colaboração de todos os Seminários portugueses
Contactos do Secretariado:
Santuário de Fátima | Congresso “Seminários: da memória à profecia” | Apartado 31 | 2496-908 Fátima
Telef: 249 539 600 | Fax: 249 539 605 | E.mail: 90anos@fatima.pt | www.fatima.pt

Depois das últimas notícias que aqui publicamos o noSso sítio (site) ficou inundado com tanta visita. Mais, fomos completamente ultrapassados pela dinâmica que se criou ao ponto de, sem sabermos como e porquê, ter decorrido, algures, um expontâneo Encontro da nossa Associação com o único objectivo de eleger os “delegados” ao Congresso!!!
Esta “fome” de “participação” na primeira e magna reunião dos ex-alunos dos seminários está, de facto, a despertar uma atenção a tal ponto que ninguém fazia prever a enchente que registou o pavilhão onde a mesma se registou. Disso dá prova a imagem que publicamos.
As imagens que conseguimos foram enviadas por um repórter do “irmão sol” que conseguimos infiltrar, à ultima hora, para perceber o que é que realmente estava em jogo e que despertou, assim, tamanha atenção.

Tanto quanto é possível observar, o Frei Pojeira está a ensaiar o Hino do Congresso, mesmo ainda antes de se ter procedido à eleição – que de todo desconhecíamos – dos “delegados”!

Enquanto isso, foi possível observar a forma como alguns ex-seminaristas procuravam obter o apoio de alguns dos frades capuchinhos.Na foto, Frei Acílio Mendes, já completamente recuperado da sua recente intervenção (motivo porque ainda não pode participar no irmão sol!) é assediado por dois conhecidos ex que disputam o seu apoio, nem mais nem menos que Carlos Rito e Agostinho Vaz!!!

Zacarias e António Joaquim, completamente apanhados de surpresa, comentam, “mas tu sabias de alguma coisa desta “eleição” de delegados ao Congresso?!” Tu não me digas que isto foi obra do pessoal do irmão sol?!Mas esses “gajos” não é mais para publicar coisas do passado, crescimento de girassóis, e coisas assim,meu?!”

Frei Lopes Morgado, de dedo em riste, diz a Frei Pojeira que isto vai ser um grande acontecimento em Fátima e que só é pena não ter já lugar agora, em Dezembro, pois assim sempre era uma ocasião para contribuírem para a criação do Museu do Presépio já que ninguém respondeu aos apelos daqueles idealistas lá do “irmão sol“!
-Irmão quê…?!, pergunta Pojeira.

Nesta imagem é possível descortinar a jovem mãe de um ex-seminarista fazendo, também ela, propaganda para que seja eleita delegada.
-Mas, irmã, isto é só pra ex-seminaristas de barba rija!
-Ah! Ele é isso, e nós mães dos ex-seminaristas não deveríamos, também, estar representadas? Que mania de continuarem a afastar as mães de tudo isto. Cristo, na cruz, não recomendou ao discípulo “eis aí a tua Mãe”?! Sim, nós, de uma vez por todas, queremos contar, tal como Ele sempre contou connosco!Vou ao Congresso e vou mesmo, sim, senhor!!!
- …?

-O quê, mas o Congresso é só para ex-seminaristas?!Mas no Programa parece-me que aquilo é um Congresso para ex-alunos mas feito só por senhores padres?Assim sendo, eu também quero ir, diz Frei José Lopes!

- Oh, João Pazito, meu, desculpa lá mas tu é que não vais representar o nosso ano!
-O quê, Frei Adelino, mas tu não és ex, meu,ou será que vais ser ex?!Era o que faltava!Já são tão poucos não permito que abandones a nossa querida Ordem…
-Tu estás a passar-te ou quê?! Eu quero lá ir por direito próprio, para dar testemunho que valeu a pena ficar.Eu quero ser a consciência crítica dos que não cederam às facilidades e cá continuam..
-O quê? Tu queres vir fazer ressuscitar ressentimentos antigos?
-Não é isso, pá!É para ver se consigo algumas vocações tardias de alguns que já estão a começar a reformar-se e não sabem o que fazer aos seus tempos livres! Vêm comigo para as missões e acabam com todas as suas depressões!

O nosso repórter conseguiu, ainda, apanhar o João Casais a despedir-se da família para apanhar o seu falcon privativo e, assim, ainda chegar a tempo ao Congresso e representar a Diáspora!

-OH, meus amigos, vamos lá a cabar com esta cena toda.Não perceberam que tudo isto não passou de uma cena imaginada pelo nosso editor do irmão sol, e que conta com o meu total apoio desde a primeira hora?!
Sim, o editor do irmão sol teve a minha benção para recorrer a este estratagema, mais um, pobre coitado, para ver se os irmãos começam a pensar mais do que participarem em congressos, deixarem de andar, de uma vez por todas, totalmente dispersos e tornarem-se, uns para os outros, nos verdadeiros eleitos, nos verdadeiros amigos do peito.
Paz e Bem e … toca a escreverem!
(Não rima lá muito bem mas fica assim bem!)
ac

Olá amigo Colaço.
Como é bom de manhã, antes de começar o dia de trabalho, fazer uma visita ao Irmão Sol, e encontrar algo de novo.
Esta notícia de última hora deixou-me deveras intrigado: Como foi possivel, terem-se esquecido de enviar a respectiva convocatória para a minha pessoa? Eu sei que ninguém tem culpa de eu estar no fim do mundo. Se uma carta de Bragança a Barcelos leva uma semana; de Lisboa ou do Porto ao Kazakhstan, sei lá quando chegaria. Mas não há desculpas Irmãos… Estamos todos à distância de um click.
Não seria possível, (eu tão longe), saber o que se vai passando, se não houvesse Net. Aqui mais uma prova de que este Conventinho, é o lugar certo e apropriado, para nos manter próximos uns dos outros.
Força Colaço. Continua a puxar. (Tony,you make my day…).
Um abraço e até breve.
J. Casais
NOTA
Como viste, o irmão sol, a abarrotar de euros, ainda conseguiu mandar um Falcon até ai, ao aeroporto da terra Kazakhistanesa(?), para registar o momento em que te despedias da família a caminho do …Khongresso! Boa viagem e boas teses para defender.
ac

Chove intensamente. Lisboa distante. A rede, por aqui, tremente!
Passem por aqui,e divirtam-se. Estão lá o Pe Anselmo, hoje no DN, e outras reportagens!O mesmo espírito!
Bom fim-de-semana
ac

O FÓRUM CATÓLICO-MUÇULMANO
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
(In Diário de Notícias, 13Dez.2008)
Após a tragédia da Índia, em Bombaim, ganha urgência maior o princípio de Hans Küng: não haverá paz entre as nações, sem paz entre as religiões; não haverá paz entre as religiões, sem diálogo entre elas e sem um novo ethos – uma nova atitude ética – global.
Lembro, pois, pela sua importância, o encontro inédito e histórico entre 29 muçulmanos, representando várias correntes do islão, e igual número de católicos, que teve lugar no Vaticano entre 4 e 6 de Novembro passado.
Quem não se lembra do célebre discurso de Bento XVI em Ratisbona, em Setembro de 2006, e da indignação por ele causada no mundo islâmico por alegadamente associar islão e violência? Foi assim que, em Outubro de 2007, um ano depois, 138 académicos, clérigos e intelectuais islâmicos do mundo inteiro, numa Carta a Bento XVI, com o título Uma Palavra Comum entre Nós e Vós, declararam que, apesar das suas diferenças, o islão e o cristianismo – as duas maiores religiões: juntas, representam mais de 55% da população mundial -, partilham a mesma Origem Divina, a mesma herança abraâmica e os mesmos mandamentos essenciais: o amor a Deus e o amor ao próximo. Também afirmavam que, se não houver paz entre os cristãos e os muçulmanos, não haverá paz no mundo.
A esta mensagem respondeu o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal T. Bertone, em Novembro de 2007: “Sem ignorar nem diminuir as nossas diferenças, podemos e portanto deveremos olhar para o que nos une.”
Os contactos entre as autoridades católicas e muçulmanas conduziram, em Março deste ano, à instituição do Fórum Católico-Muçulmano e à organização do referido encontro no Vaticano.
No fim do Seminário, houve uma Declaração comum, em 15 pontos.
Logo no primeiro, mostra-se como a concepção de um Deus, fonte de amor, é partilhada pelas duas religiões.
Afirma-se depois que “a vida humana é o dom mais precioso de Deus a cada pessoa. Portanto, deveria ser conservado e honrado em todas as suas etapas”.
A pessoa requer “o respeito pela sua dignidade original e a sua vocação humana”. Defende-se, por isso, uma legislação civil que assegure “a igualdade de direitos e a plena cidadania” de todos, e há o compromisso conjunto de “assegurar que a dignidade humana e o respeito se estendam a uma igualdade de base entre homens e mulheres”.
O respeito da pessoa e suas opções em assuntos de consciência e religião “inclui o direito de indivíduos e comunidades praticarem a sua religião em privado e em público”. Também “as minorias religiosas têm direito a ser respeitadas nas suas convicções e práticas religiosas”.
“Nenhuma religião nem os seus seguidores deveriam ser excluídos da sociedade.” A criação de Deus na sua pluralidade de culturas, civilizações, línguas e povos é “uma fonte de riqueza e portanto não deveria nunca converter-se em causa de tensão e conflito”.
É necessário promover uma informação exacta sobre as religiões e proporcionar uma “sã educação em valores humanos, cívicos, religiosos e morais aos seus respectivos membros”.
Católicos e muçulmanos estão chamados a ser “instrumentos de amor e harmonia entre crentes e para a humanidade em geral, renunciando a qualquer tipo de opressão, violência agressiva e terrorismo, sobretudo quando se cometem em nome da religião”.
Sem justiça para todos, não haverá paz. Por isso, a Declaração apela aos crentes para que trabalhem em ordem a criar “um sistema financeiro ético no qual os mecanismos reguladores tenham em conta a situação dos pobres e deserdados, tanto indivíduos como nações endividadas”.
No termo do Seminário, Bento XVI recebeu os participantes, apelando veementemente a que as religiões se tornem artífices da paz e a liberdade religiosa seja respeitada “por todos e em todos os lados”. Certamente, pensava também nas minorias cristãs perseguidas em países de maioria muçulmana.
A Declaração conclui com o compromisso de realização de um segundo Seminário do Fórum dentro de dois anos “num país de maioria muçulmana”. Oxalá!

Peregrinações e janelas
14/12/2008 Frei Bento Domingues, O.P.
(In, Publico,14.12.08)
No exercício do direito à indignação, num Estado democrático, não vale tudo
1.Havia rumores de que a Plataforma dos Professores estaria a preparar uma peregrinação a Fátima contra a ministra da Educação. Naquele espaço, há mais do que lugar para todos os professores, familiares e apoiantes. Estranhei que se falasse de uma “peregrinação contra”. Em geral, as peregrinações são feitas para agradecer ou pedir alguma graça ou, ainda, como método de transformação espiritual.
As aparições de Fátima não fazem parte do credo católico. A hierarquia da Igreja não pode impor a ninguém a sua aceitação. Acolher ou não esse fenómeno religioso que, desde 1917, vem marcando o catolicismo português depende da atitude de cada um. Há muitos anos que os frequentadores do Santuário se contam aos milhões. Além disso, a rede viária e os equipamentos hoteleiros servem, hoje, para muitos eventos que nada têm a ver com a religião. Ninguém poderia levar a mal que a plataforma sindical dos professores se reunisse em Fátima.
Curiosa é, porém, a notícia do DN (06.12.2008) com um título nitidamente confessional: Professores vão a Fátima pedir a bênção da Igreja. O conteúdo é inquietante: “Na guerra da educação, os sindicatos não descartam qualquer carta do baralho da influência social e espiritual. A Plataforma dos Professores reúne-se com o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, em Fátima, para lhe pedir a bênção para os protestos contra Maria de Lurdes Rodrigues. Os portugueses estão fartos de agitação, mas são muito católicos…”
Em alguns círculos, a chacota das extrapolações não se fez esperar: os professores, ao pedir a bênção da Conferência Episcopal para os protestos contra a ministra da Educação, ofereceriam, em troca, o propósito de colocar uma imagem de Nossa Senhora de Fátima em cada uma das salas de aula de todas as escolas do país… Combateriam, assim, o laicismo no ensino e acabariam por favorecer esse comércio que também está a sofrer com a crise.
No momento em que escrevo, não posso saber ainda se a audiência se realizará nem qual será o seu resultado. Seja como for, o recurso à intervenção da hierarquia católica num processo político reveste aspectos melindrosos. Não acredito que a Conferência Episcopal se vá deixar envolver num protesto de consequências incontroláveis. Os alunos, ao verificarem que os professores não estão dispostos a ser avaliados – a não ser como eles quiserem -, podem começar também a não aceitar exames, a faltar quando lhes apetecer, a impedir os professores de entrar na sala de aulas, a não ser para os humilhar com slogans usados pelos professores nas manifestações.
Haverá professores interessados em tais cenários? Mandaram-me um artigo de Moisés Espírito Santo, sociólogo e professor do ensino superior, que resvala no seu próprio delírio: “Eu só acreditaria que esta escola valha a pena – já que (como vemos) quanto mais palavreado eduquês, quanto mais avaliações, quanto mais Magalhães… menos saberes e menos formação profissional – se os jovens saíssem de lá a portar-se como gente grande para lutar, a saber organizar-se e a protestar sem medos. Com ovos, com tomates e, quando tiver de ser (longe vá o agoiro!), à pedrada” (Jornal de Leiria: 27.11.2008).
Haverá muitos portugueses a desejar que a tarefa das escolas seja a de preparar terroristas? No exercício do direito à indignação, num Estado democrático, não vale tudo. Ficou célebre a expressão “juventude rasca”, de Vicente Jorge Silva, primeiro director do PÚBLICO, quando os estudantes viraram as costas à ministra da Educação, Manuela Ferreira Leite, e deitaram as calças abaixo. Parece-me, no entanto, uma extrapolação indevida afirmar que os professores de agora são todos a reprodução, em adulto, dessas atitudes.
2.As peregrinações não vão dar todas a Fátima. O turismo religioso voltou-se, apesar da crise, para itinerários de há dois mil anos, sobretudo para os de Paulo de Tarso, a grande figura cristã deste e do próximo ano. As Edições Paulinas lançaram um conjunto de obras deliciosas para conhecer os enigmas das suas arriscadas viagens e das suas Cartas apaixonadas (1).
Cristo não deixou nada escrito, mas esse vulcão humano e divino provocou, muito cedo – desde há dois mil anos até hoje – ondas e ondas de inspirada literatura. Além daquilo que se pode saber de Jesus, através da investigação histórica – mas sem passar ao lado dela -, o que sobretudo interessa é responder à pergunta: como viver, nas encruzilhadas do nosso tempo, do seu próprio Espírito? O dominicano Albert Nolan responde de uma forma radical, sábia e comovente (2).
Anselmo Borges, um encantado com a metáfora da janela, já tinha aberto uma para o (In)Visível. Surge, nas vésperas deste Natal, com outra aberta sobre a paisagem do (In)Finito (3). É um regalo para a razão e para a imaginação.
(1) Peter Walker, Nas Pegadas de São Paulo. Um guia ilustrado das viagens de São Paulo, Lisboa, Paulinas, 2008; Jerome Murphy-O’Connor, Paulo. Um homem inquieto, um apóstolo insuperável, Lisboa, Paulinas, 2008; Jesus e Paulo. Vidas paralelas, Lisboa, Paulinas, 2008.
(2) Albert Nolan, Jesus hoje. Uma espiritualidade de liberdade radical, Lisboa, Paulinas, 2008
(3) Anselmo Borges, Janela do (In)Finito, Porto, Campo das Letras, 2008

Este sou eu, no Natal de 1956, e esta foi a minha primeira guitarra… de madeira. Ao lado, uns bons anos depois,início dos anos 7o, no Convento do Ameal, Porto, a guitarra eléctrica, dos POPBRES, como já aqui falámos!
Ao que venho, desta vez?!
Pedir-te cinco linhas -CINCO LINHAS – sobre o TEU NATAL!
Escreve-nos cinco linhas (ou cinco mil) envia uma foto ( ou mil fotos), fala-nos dos Natais da tua infância ou da tua ânsia por um novo Natal, entre passado e presente ajuda-nos a ter uma palavra sobre os dias futuros que queremos.

Do Natal que nos consome, ao verdadeiro Natal que deveríamos consumir. Assim como assim, aqui fica o Vasco da Gama. A melhor decoração deste ano, para o editor.

Como são os doces do teu Natal? Para abrir o apetite aqui tens umas filhós beiroas.

E à noite, na tua terra, ainda se faz a fogueira, como aqui, em Mação?!
Era bom que contribuísses JÁ!
No Natal, lá na aldeia, a “corrente” e o “sinal” são fracos, daí a dificuldade de editar ao fim-de-semana.
Bora lá, meu. O Menino Jesus agradece! Deixo-te o meu presépio deste ano, feito neste fim de semana!
Como bom franciscano não me digas que, desta vez, ficas aí quieto! Pega no teu telemóvel, tira uma fotografia ao teu presépio e envia-nos. O S.Francisco agradecerá esse teu gesto.


antónio colaço
NOTA
Volto a repetir, não faltará energia para editar o irmão sol mas, fruto da pouca colaboração, o editor retomou a publicação de um outro blog mais antigo, a ânimo e onde podes encontrar outras notícias.Ali respondo por mim, sem o constrangimento de estar a ocupar um espaço, como este, que tanto desejava fosse muito mais partilhado!
ac

O nosso querido Frei Acílio Mendes deverá estar a ser operado à sua visão, por estas horas, sensivelmente, hora de almoço, de Quinta.
Em convalescença de anterior intervenção só nos resta desejar que tudo corra pelo melhor. O Acílio faz-nos falta. Não tenho a menor dúvida de que se estivesse a 100% já há muito nos teria brindado com os seus mail’s. S. Francisco lá na glória… olha pelos filhos teus, é assim, não é?!
A redacção do irmão sol, em peso, deseja-te uma rápida recuperação!
antónio colaço

Matagosa.Norte do Concelho de Abrantes, debruçada sobre Albufeira do Castelo do Bode, rio Zêzere.Nalguns locais as vistas sobre o Zêzere como que nos reportam ao Gerês.ac
Caro António Colaço
Tenho 38 anos. Sou da Matagoza, Carvalhal. Nasci e vivi em Abrantes até há 6 meses. Estou neste momento a viver em São Paulo, Brasil e quero cumprimentá-lo fortemente por este blog.
Um tipo olha para uma série de blogs da área «jugular», «5dias», «arrastão» & companhia, que vivem a maior parte do tempo de beliscar a religião e a Igreja Católica em temas secundários e fica triste ao pensar que muita gente até com aspecto inteligente e articulado ocupa grande parte da sua disponibilidade não a afirmar alguma coisa mas a negar e perseguir de forma quase doentia quem pelo menos mostra estar à procura de algo melhor.
Chegamos a esta casa e verificamos que nem tudo está perdido. Há afinal na blogosfera pessoas que se interessam e destacam as coisas que realmente têm interesse e olham para o seu espaço e o seu tempo procurando relevar a sua beleza e nele enquadram a sua Fé. E conseguem-no.
Confesso-lhe que quase me custa mais perder as crónicas semanais de Frei Bento Domingues e do Padre Anselmo Borges do que a missa de Domingo. Fiquei contente por encontrar gente que reconhece que por ali passa algo muito importante.
Muitos parabéns e boa continuação.
E também gosto muito de Cardigos.
Nuno Gaspar
NOTA
Uma surpresa total. O irmão sol, com um público alvo específico, os antigos alunos capuchinhos, acaba de ultrapassar as fronteiras, que nunca colocámos, é certo, mas que a net, pela sua própria natureza, se encarrega de esbater.
Não conheço este nosso amigo leitor, embora me fale de lugares que me são muito queridos. Só resta agradecer e que se sinta bem na nossa companhia. Já agora, e sem querer fazer concorrência ao irmão sol, deixo-lhe a recomendação deste outro sítio por onde andamos e onde nos demoramos mais a falar de Abrantes, Cardigos e assim! Escreva sempre. Um Feliz Natal para si e todos os seus! Ah! Vou reencaminhá-lo para o Pe Anselmo e Frei Bento Domingues! Até porque tenho umas…. continhas a ajustar com eles!Aqui que ninguém nos ouve, estou à espera de cinco linhas deles sobre a importância da Net na divulgação da Palavra! O meu amigo acaba de a demonstrar!Outro abraço.
Já agora, e para os nossos amigos cá da casa, quer dizer, para os antigos alunos, mais palavras para quê no que diz respeito a pedir a vossa colaboração. Vejam o exemplo que vem do Brasil!
ac


Vista geral do presépio habitual de minha casa…
O (meu) Natal Tradicional Personalizado
No fecho do ciclo anual, quando mais um ano caminha para o fim do calendário, chega a quadra natalícia que aconchega os ânimos, amenizando o natural tempo soturno de Inverno. Uma época própria das características de Dezembro, mês que (nos adágios populares desta área geográfica) prognostica o tempo que se segue, como estabelece a sabedoria popular na contagem dos “temperilhos e remedilhos” e diversos mais ditados da tradição oral da região interior do distrito do Porto, por terras do concelho de Felgueiras mais propriamente.
Onde, note-se, no imaginário servido às crianças, o saco do chamado Pai Natal ainda é vermelho – porque as pessoas não têm culpa de quem se comprometeu com o tal saco azul… mas isso é outra história, e infeliz.
Ora, descrevia, Dezembro é especial, pois é o mês de Natal, feliz festa que enche corações e mexe com sensibilidades, desde o significado especial da espiritualidade subjacente, contando a mensagem que dá ser a todo o carácter festivo da época, até às manifestações derivadas, quando se fazem votos de futuro ansiado e se contabilizam balanços de tempos passados, qual lágrima da saudade, projectando o porvir no relance da candura das crianças e desejos de paz nas consciências.
Na actualidade, porém, o consumismo tem ganho meças ao sentido mais espiritual e afectivo da festividade anual de tão forte sortilégio, no apego de tal encantamento, como se nota no caso dos símbolos profanos deterem primazia, notoriamente em ter sido uma bebida americana a impor a figura do estilizado Pai Natal com roupas da própria cor mercantilista, como da árvore iluminada, numa grande parte das casas e estabelecimentos, ter suplantado a antiga recreação do Presépio, ou seja, por exteriorizações que alteraram a fisionomia tradicional, neste canto à beira-mar plantado e, também, extensivamente por estas paragens do Douro Litoral…
O Natal, apesar de tudo, mantém ainda muitas das antigas tradições locais, como é a Ceia da Consoada, reunindo-se as famílias em torno da mesa patriarcal para comer o bacalhau com batatas, ficando a mesa posta noite dentro para união mental com ente-queridos já desaparecidos,

Presépio da igreja paroquial,da minha freguesia, de S. Tiago de Rande
enquanto se vai à Missa do Galo (nas freguesias onde isso ainda existe) com cerimónia de Beija-Menino, entre típicas comemorações possíveis, mercê dos laços da tradição.
Em casa do signatário mantêm-se algumas tradições, na linha da habituação advinda da casa dos pais… Não faltando as rabanadas e os formigos (mexidos), mais o pão-de-ló de Margaride, para além de diversa doçaria mais genérica, por assim dizer.

Pormenor do meu presépio.
Continuando o próprio a fazer o presépio, cuja cabana foi construída há muitos anos, sob a atenção dos filhos ainda pequenos, ao tempo. E que, acompanhando o crescimento do casal de filhos, ano a ano foi sempre feito, ficando implantado na sala comum, durante o período em apreço, para depois testemunhar a distribuição dos presentes natalícios, na sempre esperada noite de reunião familiar. Agora, com os herdeiros já adultos, eles sentem a mesma presença… ainda mais preenchida, para os progenitores, na companhia também de nora e genro… Então a filha (que é quem vive mais longe), antes de vir a casa por esta altura, nunca se esquece de perguntar, ao telefone, se o presépio já está feito… E, quando chega do sul do país, na ocasião, a primeira vista de olhos que dá à casa é a procurar vislumbrar o presépio doméstico.
Por fim, como há efectivo bem-estar, nesse ambiente rodeado dos adereços apropriados, quando toda a gente se junta, na mesa: pais, irmãos, tios, primos e sobrinhos – só faltando haver netos, por ora. Mas vêm sobrinhos-netos receber também presentes…
Na ligação ao mundo local, pessoalmente, há ainda enquadramento a tal quadra mágica no sentimento popular, porque neste torrão, de transição ao Entre Douro e Minho, o tempo de Natal possui uma essência especial. Nomeadamente, no quadro ambiental do afecto humano, com a junção familiar do ritual da consoada, na evidência dos costumes muito entranhados na alma das pessoas mais ou menos tradicionalistas da região. Apegos provindos de sabores bem guardados desde a infância e como tal fazendo emergir o subconsciente da criança que sempre houve em quase toda a gente, como que transpondo a realidade nos sonhos das fantasias natalícias.
Ao Natal estão indelevelmente associados produtos e hábitos. Cuja amplitude nunca será totalmente possível de compreensão, através de qualquer descrição contada ou escrita, apenas podendo ser entendida quando sentida. Basta aludir as cenas que transportam ao encher do peito, como o referido presépio, nas casas de família onde ainda persiste, o quadro terno de felicidade conjunta à mesa de Natal na ceia, as prendas ansiadas pelos mais pequenos, tão ao gosto dos adultos, e depois o almoço familiar no dia propriamente, o dia seguinte, na companhia continuada da doçaria tradicional de rabanadas, formigos, aletria, leite-creme, barriga-de-freira, quase tudo com sabor a canela do Oriente onde surgiu a Estrela anunciadora do nascimento de Deus-Menino.
Na roda do ano, como se diz vulgarmente, o Natal é com efeito uma festa-mor, a época que mais fala e toca à crença e sentimento do povo, entre crentes ou não, conservadores ou desapegados, enfim dizendo sempre alguma coisa a toda a gente. Inserida no tempo das Festas Felizes, passando depois pela noite de S. Silvestre da passagem de ano, e, com o início de novo ano, de seguida vêm os cantares de Janeiras e Reis…
Armando Pinto
(Vila da Longra – Rande – Felgueiras

Presépio da autoria de Paula Guedes, Vila da Feira.Museu do Presépio, Capuchinhos, Fátima.
Aqui vai um dos últimos Presépios, adquirido na Feira de Santo Tirso a 29 de Novembro passado. Em forma de taça, dispondo os personagens em círculo, a meio corpo, dá-nos as várias cenas do Nascimento de Jesus incluindo a Epifania. Nesta imagem, a Sagrada Família com os animais que se costuma colocar no Presépio - a vaca e o burro.
Ando agora nesta fase, de fotografar e nomear cada peça.
Melhor “enquadramento” para REviver o meu Natal de criança, não há. Mas ajuda-me, também, a aprofundar o meu Natal de crescido, hoje.
O meu Abraço, com votos antecipados de um resto de Bom Advento para um Santo Natal. Bem o mereces, depois de teres feito renascer tanta memória e tanta gente ao longo destes meses.
Um dia destes mando-te O NATAL DE S. FRANCISCO.
Ele te acompanhe – acompanha, com certeza. “Só pode!”
frei Morgado
NOTA
Bom amigo, muito obrigado mas o meu papel é o mais fácil de todos. Assim o pessoal queira e, olha, vê, como o irmão sol cresce!
ac
NATAL
O Colaço pediu-me 5 linhas sobre o Natal. Mas não me disse o comprimento delas. Achei que o melhor modo era enviar-lhe estas linhas do meu primeiro livro de poesia e desafiar os amigos desta Página a descobrirem, dentro de si mesmos, o que é para eles o Natal. Ou gostariam que fosse. Ah, e já vão 5 linhas.

Natal: palavra feita, ou a fazer?
Deus nascido, ou a nascer?
Flor, espinho ou fruto?
Humano produto de humana condição,
ou certeza de um Deus que é nosso irmão?
Ah, não me pergunteis o que é Natal.
Bem o sentis e sabeis
nesse clarão de alma diferente,
nessa vontade de ser cordeiro,
de se fazer irmão de toda a gente,
de dar presentes sem ter dinheiro
e de se dar em todos os presentes
LOPES MORGADO
in AGORA QUE NASCI – poema do natal intemporal
Multinova (1976) 44.
NOTA
É evidente que as cinco linhas não passa de uma figura de retórica para que o redactor não continue a fazer a má figura de solicitar, a toda a hora, a vossa colaboração. Lá se diz, cinco linhas ou … cinco mil!
ac

Louvado sejas, oh Meu Senhor, por este esplêndido Irmão Sol! Aquece com a Tua Luz as nossas enregeladas mãos e qwertados, assim, possamos mandar as cinco linhas* que alegrarão os nossos irmãos!
(Esta rima é um bocadinho forçada, Senhor, mas quando faltam o engenho e a arte para mais, Tu, Lá, ou Aqui ,onde Te encontras, dá uma ajudinha, envia Teus Sinais!)
antónio colaço
*Quer dizer, se não escreverem hoje, a lareira do irmão sol vai ficar pobre, um sapatinho triste, sem textos, sem imagens …. e os vossos rostos, desanimados, bem loooooooonge destes aqui, tão encantados!!!


BOAS FESTAS
Tal como há dois mil anos, a enregelada noite de Dezembro deve ter metido medo àqueles que procuravam nas redondezas da grande cidade um lugar onde o Deus Menino pudesse nascer.
Ele que tinha criado Dia e Noite, e tinha visto que tudo estava bem, esqueceu-se desse pequeno pormenor, um lugar para nascer e, de preferência, com a luz do dia.
É certo que criou as estrelas e os olhos para que pudéssemos adivinhá-las e, assim, reconfortados e um pouco mais seguros, poder segui-las.
Na noite que persiste em pairar no nosso Portugal, há uma luzinha que se acende no Largo das Cortes
tranquilizando-nos de que, afinal, há um caminho.
Acredito que em 2009 vamos poder encarar as noites
com muito mais tranquilidade.
As estrelas só precisam da nossa cumplicidade.
![]()
NOTA
Até este momento, 19.15 de Sexta, o nosso correio não registou mais colaborações, tal como solicitado. As condições de edição lá na aldeia não são as melhores. A ver vamos. Não deixem de nos enviar o que desejarem.Talvez que em 2009 possamos contar com mais empenho. A todos, na mesma, Feliz e Santo Natal.ac
Do Diário de Notícias de hoje.

‘PROVAVELMENTE DEUS NÃO EXISTE’
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
É possível que já em Janeiro, nas ruas de Londres, as pessoas se deparem com cartazes no exterior dos autocarros com estes dizeres: “There’s probably no God. Now stop worring and enjoy your life” (Provavelmente Deus não existe. Então, deixe de preocupar-se e desfrute a vida).
Trata-se de uma campanha publicitária a favor do ateísmo, promovida pela Associação Humanista Britânica e apoiada pelo célebre biólogo darwinista R. Dawkins, professor da Universidade de Oxford, ateu militante e, segundo muitos, fundamentalista.
A campanha foi um êxito, pois rapidamente conseguiu fundos – dezenas de milhares de euros – mais que suficientes para pô-la em marcha. Segundo a jornalista Ariane Sherine, que a tinha sugerido em Junho, “fazer uma campanha em autocarros com uma mensagem tranquilizadora sobre o ateísmo seria uma boa forma de contrabalançar as mensagens de certas organizações religiosas que ameaçam os não cristãos com o inferno”.
Para Dawkins, “a religião está acostumada a ter tudo grátis – benefícios fiscais, respeito imerecido e o direito a não ser ofendida, o direito a lavar o cérebro das crianças”. Assim, “esta campanha de slogans alternativos nos autocarros de Londres obrigará as pessoas a pensar. Ora, pensar é uma maldição para a religião”.
Logo que apareceu o anúncio da campanha, fui confrontado por um jornalista da TSF: se a achava provocatória. Respondi que até a achava interessante. De facto, era isso mesmo: obrigaria as pessoas a pensar nas questões essenciais, e Deus é uma dessas questões decisivas.
Constatei, mais tarde, que essa foi também a posição de líderes religiosos britânicos, que responderam favoravelmente à iniciativa. Aliás, qualquer um tem o direito de promover as suas ideias através de meios apropriados. A Igreja Metodista agradeceu inclusivamente a Dawkins pelo facto de encorajar um “contínuo interesse por Deus”. A rev. Jenny Ellis disse: “Esta campanha será uma boa coisa, se levar as pessoas a comprometer-se com as questões mais profundas da vida.” E acrescentou: “O cristianismo é para pessoas que não têm medo de pensar sobre a vida e o sentido.”
É significativo aquele “provavelmente”. Dawkins não sabe que Deus não existe e, por isso, escreve: “Provavelmente.” A existência de Deus não é objecto de saber de ciência, à maneira das matemáticas ou das ciências verificáveis experimentalmente. Nisso, Kant viu bem: ninguém pode gloriar-se de saber que Deus existe e que haverá uma vida futura; se alguém o souber, “esse é o homem que há muito procuro, porque todo o saber é comunicável e eu poderia participar nele”.
Afinal, também há razões para não crer, mas, quando se pensa na contingência do mundo, no dinamismo da esperança em conexão com a moral e na exigência de sentido último, não se pode negar que é razoável acreditar no Deus pessoal, criador e salvador, que dá sentido final a todas as coisas. Numa e noutra posição – crente e não crente -, entra sempre também algo de opcional.
Mas, nos cartazes, o mais impressionante é a segunda parte: “Deixe de preocupar-se e desfrute a vida.” É claro que o que está subjacente a esta conclusão é a ideia de um Deus invejoso da vida e da alegria dos homens e das mulheres.
Se a primeira parte obriga os crentes a pensar, retirando da fé tudo o que de ridículo – pense-se em todas as superstições – lhe tem andado colado, a segunda tem de levá-los a “evangelizar” Deus. É preciso, de facto, reconhecer que houve e há muitos a quem “Deus” tolheu a vida, de tal modo que teria sido preferível nunca terem ouvido falar no seu nome – pense-se no horror do inferno, nas guerras e ódios em seu nome, no envenenamento da sexualidade, na estreiteza e humilhação a que ficaram sujeitos.
Agora que está aí o Natal, é ocasião para meditar no Deus que manifesta a sua benevolência e magnanimidade criadoras no rosto de uma criança. Jesus não veio senão revelar que Deus é amor, favorável a todos os homens e mulheres e querendo a sua realização plena. Perante um “deus” que os humilhasse e escravizasse, só haveria uma atitude digna: ser ateu.
NOTA
Para o nosso leitor Nuno Gaspar, algures, no Brasil, para quem já custa mais perder a leitura deste WEBANGELHO do que “perder a missa” a dedicação deste Webangelho.O Pe Anselmo ficou muito sensibilizado com a sua história. Não é a missa que está em causa, seguramente. Talvez, isso sim, algumas missas que são o contrário de tudo o que Jesus Cristo pediu que fizessem ” em sua memória”.Ler a Palavra de Anselmo, atrevo-me a dizer, anda tão perto de quase ter o Cristo aqui à mão, quer dizer, sentir a serenidade da sua mão, a indicar-nos o Caminho, a sua “memória” viva. SEMPRE PRESENTE. Deus, PRESENTE, afinal.
antónio colaço

Um instante, nada mais. O que têm em comum, a estas horas da tarde, 15 horas, estes dois aviões que decidiram cruzar-se, mesmo no centro da minha rua, ela mesma no centro geográfico de Portugal?
ac.

Olá amigo Colaço.
Presente à chamada… Caros amigos.
Não vão ser muitas mais, do que as 5 linhas pedidas. Ou até serão. Estou nos preparativos para a minha viagem de regresso a Portugal. E não vai poder ser aquilo que eu tencionava. Compensarei pelo Ano Novo,se me fôr possível.
Estava na minha mente, enviar algo relacionado com o Natal de 2008, mas seria depois de eu chegar a Portugal. Compreendo que a Internet não é igual em todo o lado, e que o Editor sente isso.
Na falta do melhor, tirei aqui uma fotografia que vai fresquinha, com neve e tudo, para servir de cartão de Boas Festas.
Amanhã dia 21, se Deus quizer, começarei a minha viagem de regresso. Não vão ser muito confortáveis as primeiras 4 horas de carro através do deserto, até chegar ao primeiro aeroporto na cidade de Kyzilorda, mas paciência… Já estou habituado. Aí um Folker 50, num vôo doméstico de 2 horas e 20 minutos, me levará até Almaty, capital financeira do Cazaquistão. (Today, not Kazakhstan…). O dia 22 será para descansar no Hotel, e no 23 pelas 3 horas da madrugada será a partida para mais 7 horas de avião, de Almaty até Frankfurt na Alemanha. E finalmente, de Frankfurt ao Porto mais 2 horas e 15 minutos, onde espero chegar por volta das 11 horas e 10 minutos da manhã. O almoço já vai ser em família.
Natal: (Depois contar-vos-ei mais em pormenor), Também vai ser de corrida, e a ceia de Natal não até nem vai ser em minha casa. Com a minha mulher e o filho mais novo, vamos a casa de uns cunhados em Soutelo-Vilaverde. Ceia tradicional onde não faltará (penso eu), o fiel amigo bacalhau cozido c/ penca da Póvoa.
Regressaremos a Cristelo – Barcelos, já na madrugada. Na minha aldeia ainda se mantém o Santo Costume de dar a Imagem do Menino Jesus a beijar no fim das Missas.
Quem foi que disse que as minhas viagens nesta época festiva tinham acabado? No dia 26, às 5horas da manhã, outra vez no Porto, com a minha mulher, para uma viagem até Toronto no Canadá, via Frankfurt. A maior parte da nossa famíla vive em Toronto: quatro filhos, quatro noras, uma filha, um genro, cinco netos e quatro netas.
O jantar da passagem de ano, vai ser no “Restaurante Casa Abril em Portugal”. (A minha filha já me disse que os bilhetes estavam pagos. Que não iria haver lugar para desculpas.Ela sabe que eu não gosto muito de noitadas).
Regressaremos a Portugal por volta de 10 de Janeiro. Depois eu conto alguma coisa sobre Toronto.
Natal… Menino Jesus,ficaste para o fim. Estou certo que me perdoarás. Só queria pedir-te: Que na Noite de Consoada estivesses com as Crianças que até o Pão lhes vai faltar, quando nós estragamos… Com as Crianças que não vão ter brinquedos, quando nós abusamos a comprar para os nossas. Com as crianças que não têm a quem chamar pai ou mãe. E já agora com aqueles que nesse dia se esquecem de uma prendinha para ti. Não és tu por ventura o “Aniversariante”? Happy Birthday- Feliz Aniversário. Que tenhas muitas prendas. Daquelas que gostas. (não daquelas que nós compramos nos shoping centers.
Com.votos de:
Boas Festas
Um abraço do tamanho do mundo
J. Casais
NOTA
As incontáveis cenas para conseguir editar, alta madrugada, esta verdadeira saga do nosso J.Casais!Mas valeu a pena, quer dizer, se na hora do clic derradeiro a rede não cair pela undécima vez!
Muito obrigado, João, uma vez mais, e Feliz Natal para todosos teus!
ac

Deus com todos
21/12/2008 Frei Bento Domingues, O.P.
A linguagem mítica não é uma mentira porque não pretende ser a substituição de uma explicação biológica1. Talvez não seja para homenagear Jesus Cristo e as Igrejas cristãs que a publicidade da Vodafone classifica o Natal como a maior festa do mundo. Direi, no entanto, por todas as razões e mais uma, se o não é, devia ser. Já se tentou, em nome do rigor histórico, eliminar, da cultura do Ocidente, a memória desse estranho judeu, de há dois mil anos, que continua a ser invocado por muitos milhões de pessoas como permanente fonte de vida. Sucessivas gerações de historiadores, com perspectivas muito diversas, têm tornado impossível esse negativismo. Não se espera, no entanto, que a investigação histórica venha algum dia a explicar esse enigma testemunhado nos textos do Novo Testamento, canónicos ou apócrifos. Qualquer trabalho histórico é sempre parcial e não pode evitar as marcas da subjectividade. Não se prevê uma “narrativa canónica” da história do mundo em que Jesus viveu e onde a sua memória se perpetuou. Cada historiador terá sempre de escolher um ângulo de visão e de apresentação do seu trabalho. A noção de verdade histórica está sempre exposta a diferentes configurações. Por outros motivos, o mesmo acontece com as convicções da fé em Cristo. Como Jesus não cabe em nenhum dos títulos que lhe foram atribuídos, haverá sempre quem diga: não, não é bem assim, estão a esquecer o essencial.
2. Vou saltar, de propósito, para a narrativa de um sonho acerca da origem de Jesus Cristo, cujo género literário não pode ser controlado pela investigação histórica: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: “José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados”. Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco. Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e recebeu sua esposa. E, sem que antes a tivesse conhecido, ela deu à luz um filho, ao qual ele pôs o nome de Jesus (Mt 1, 18-25).
Quem olhar para este texto como se fosse um tratado de biologia ou de sexualidade sobrenatural, tem de o achar ridículo e de o entregar ao mundo das anedotas. Ridículo, porém, é esse olhar naturalista. Para uma perspectiva geral de interpretação de textos bíblicos, Orígenes (185-253 d.C.) – apontado como o professor e escritor mais erudito da Igreja Antiga, nascido de uma família cristã do Egipto – já tocou no essencial: “Os simples que interpretam a Bíblia, meramente à letra, formam frequentemente de Deus um conceito muito pior do que se Ele fosse um homem brutal e injusto. (…) A causa de falsas opiniões e de afirmações ímpias ou simplistas parece ser o facto de que a Escritura foi entendida não segundo o seu sentido espiritual, mas à letra”.
Não é neste espaço que posso apresentar a natureza dos impropriamente chamados “Evangelhos da Infância” de Jesus, nos quais figura a narrativa transcrita. Dir-se-á que é um mito. Embora a palavra “mito” possa ter significações que não se aplicam aqui, quem ler o texto nessa direcção está num caminho possível. Neste caso, a linguagem mítica não é uma mentira porque não pretende ser a substituição de uma explicação biológica da concepção e do nascimento de Jesus. Esta linguagem é a expressão simbólica, poética, de uma intuição teológica magnífica, inscrita na significação do nome dado à criança, Jesus (Deus salva), explicitando-o com outro: Emanuel (Deus connosco).
Lembro, aqui, uma passagem da belíssima “políptica de maria klophas dita mãe dos homens”, de Mário Cesariny: O jogral do céu / riscou uma estrela no manto judeu // e o milagre veio / sem perdão nenhum sem forma sem meio // sobre a palha loura / caiu o menino de nossa senhora menino perfeito / com fomes e prantos com raivas e peito (1).
As orações do Missal Romano terminam todas assim: “Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo”. No passado dia 18, a antífona da comunhão, era esta: “O seu nome será Emanuel, Deus-connosco”, com a indicação de Mateus 1, 23. Mas a oração que se seguiu esqueceu-se e Jesus Cristo deixou de ser Deus-connosco. Que Ele seja Deus com Deus, óptimo, mas o Natal é para fazer a festa de que, afinal, Ele é Deus-connosco. Todos os trabalhos da vida adulta de Jesus tiveram como objectivo mostrar que Deus está sempre por perto, sobretudo daqueles que, por razões de saúde, de higiene, de profissão, de moral, de religião, de nação, eram classificados como pecadores, abandonados de Deus e sem direito ao convívio social e religioso. O Natal é a festa da transformação da esperança individual ou étnica, na esperança universal: reunir todos os filhos de Deus dispersos, os filhos de todos os povos. Santo Natal! (1) Manual de Prestidigitação, Lisboa, Assírio & Alvim, 2004, p.30-31

Vê só o que o meu dono me arranjou! Não precisas de bilhete! Dá um pulinho ao “drive-in” aqui do lado!
Aqui!
Boa noite mas… hoje já não dá para mais!
AH! ÙLTIMA HORA:O Frei Acílio está a recuperar bem.Daremos mais notícias.
ac

Mação, a Serra do Bando, ao fundo.
O Sol continua esplendoroso.Obrigado.
As Matinas de hoje, são feitas pelo Nuno Gaspar, obrigado outra vez.
____________________________________________
Caro António Colaço
Três vivas ao Irmão Sol pela lembrança do Webangelho e por transmitir aos mestres a nossa grande admiração.
Estes homens nem por um momento poderão ficar a pensar que estão a pregar no deserto.
Devemos-lhes forte gratidão, também pelas não raras lágrimas de encanto vertidas ao ler os seus textos mas sobretudo pela convicção profunda que em nós provocam de que a herança de Fé que recebemos dos nossos pais, em tão frágil e modesto embrulho, permanece, apesar de algum ruído fora e dentro da Igreja, o Mistério mais fundo e belo a que aspiramos pertencer.
Um abraço
Nuno Gaspar

É a grande notícia deste Natal, para além da Boa Nova do Emanuel – Deus Menino Connosco – o Frei Acílio já nos dirige Palavras! Não perdemos mais tempo.Publicamos, na íntegra, os últimos dias de Acílio. A melhor preparação para o Natal!
Acílio, a seguir, queremos umas palavrinhas para nós! Feliz Natal para ti, família e toda a comunidade capuchinha.
ac
________________________
(VI)VER DE NOVO
Bom Dia,
Com Paz e Alegria!
Em 2007 vivi a solenidade do Natal em terras do Sol Nascente, Timor-Leste. Na tarde do dia 24 de Dezembro, uma avaria na estação eléctrica do distrito de Manatuto, prixou-nos da luz. Contextualizando a situação o Pároco de Vemasse assim iniciou a homilia da Missa da Meia-Noite, em paráfrase ao texto de Isaías: «O povo que andava na luz, viu umas grandes trevas».
Mais umas horas e eis-nos a cantar ao Deus-Menino que, nascendo à meia-noite, vem como Luz do mundo.
Sei que estes dias não são dias de palavras. Somos convidados a concentrar-nos no Mistério d’Aquele que é a Palavra e que veio habitar no meio de nós. Entretanto, deixo esta «comunicação de vida», rabiscada ao longo destes últoms meses, num desejo de ir passando das trevas à Luz.
No dia 17 de Dezembro, às 17 horas, passados quase três meses após a primeira operação para extracção do cristalino da vista esquerda, sou submetido a nova e muito delicada intervenção cirúrgica na Clínica Oftalmológica Ribeiro-Barraquer, no Porto. Objectivo: a introdução e fixação de uma lente (cristalino artificial) no seu nicho intra-ocular. Apesar da anestesia e anestesia reforçada, as dores eram de arrasar. Lembro-me de ter voado espiritualmente até Timor-Leste, oferecendo tudo pela nossa mais recente aventura missionária. O amor suaviza a dor e transforma o sofrimento em força redentora, ou energia positiva, como preferem outros.
Algo de anormal se passava no bloco operatório. É muito raro, mas não impossível: o inesperado aconteceu em plena operação: o «descolamento monstruoso da coróide» (o dobro dos grandes descolamentos), com hemorragia e hematoma. Poderia ter sido a «morte» do olho esquerdo. Graças à pronta intervenção (poucos são os segundos disponíveis) do Dr. Paulo Ribeiro, em laboriosa parceria com a Dra. Teresa, sua esposa, foi evitada a catástrofe.
Era o dia 17 de Dezembro. Início da Novena do Menino Jesus, com destaque para as famosas Antífonas do Ó. Envolve-nos, nestes dias, uma especial presença de Nossa Senhora do Ó. Por coincidência, o rombo diagnosticado pela Dra. Sandra Moniz na vista esquerda aconteceu no dia 15 de Setembro, na Madeira, após a realização da XXI Semana Bíblica Diocesana. Celebrava-se, nesse dia, a festa de Nossa Senhora das Dores.
No tempo de São Paulo – há cerca de dois mil anos – ninguém sonhava em transplante de órgãos nem em implantação de cristalinos. Mas havia – tal como hoje – gente generosa e disposta ao impossível. Debatendo-se o Apóstolo com algum problema grave na vista, dá este testemunho a favor dos cristãos da Galácia: «Se tivesse sido possível, teríeis arrancado os vossos olhos para mos dar» (Gl 4,15). Dou graças ao Senhor porque, nestes tempos, irmãos e amigos têm sido olhos dos meus olhos, passos dos meus passos.
No primeiro escrito do Novo Testamento, o Apóstolo Paulo traça-nos um audacioso projecto de vida, que a Liturgia transcreve para os últimos dias de Advento, tempo da Esperança e da Certeza do Deus-Connosco: «Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus» (1 Ts 5,16). (Vai partitura em anexo).
O contraste é por demais evidente. Após a operação, seguiram-se dias de «angústia expectante», pois no período pós-operatório é ainda grande o risco de acontecer o mais temível: o descolamento e destruição da retina, com a «morte» do olho. Uma apertada vigilância, com idas diárias à Clínica, foi acompanhando a evolução do olho na sua complexa e muito delicada estrutura.
Vou tentando seguir o exigente programa apontado por São Paulo, muito semelhante ao clássico «sermão de perfeita alegria» de Francisco de Assis. Depois do Inverno vem a Primavera! Passo a passo. Lentamente.
Mas voltemos atrás nesta «comunicação de vida». No final do Apocalipse, São João descreve-nos o fascínio da Nova Jerusalém, deitando mão às mais variadas comparações. Destaco: «Tinha o resplendor da glória de Deus: brilhava como pedra preciosa, como pedra de jaspe cristalino» (Ap 21,11).
«Pedra de jaspe CRISTALINO». Em toda a Bíblia, é a única vez em que nos deparamos com tal vocábulo. CRISTALINO. Neste caso, um adjectivo. A palavra mágica que me acompanhou ao longo de 84 dias, mais noites que dias. Vivi todo este tempo sem o cristalino da vista esquerda. Aqui, como substantivo e muito substancial.
Tendo em conta que, desde Dezembro de 2001, a vista direita ficou reduzida a uns escassos 15% de visão, devido a uma trombose que afectou o nervo óptico, a nova situação equivalia a não ver, a viver nas «trevas», a fazer a experiência existencial do «Ensaio sobre a cegueira», evocando o nosso Nobel da Literatura. Uma situação de «violência», mas vivida na mais genuína solidariedade. Jamais esquecerei a estranha sensação experimentada no passado dia 25 de Setembro, ao ser-me retirado o penso que protegia a vista esquerda, após a operação – delicada e de alto risco – efectuada de urgência no dia anterior, pela mão certeira do Dr. Paulo Ribeiro, na Clínica Oftalmológica Ribeiro – Barraquer, no Porto. Uma Clínica que me acompanha desde o dia 18 de Fevereiro de 1959. Há operações a cataratas, a descolamento da retina, a glaucoma, a implantações de córnea… Agora fiquei a saber que há também intervenções cirúrgicas para extrair o cristalino. Neste caso, por ele se encontrar quase, quase a desprender-se, preso por um fio…Isto digo eu, «escrituristicamente falando» (como ouvimos na publicidade), pois ignoro os termos técnicos. Sei que «não sou o único a olhar o céu» cem o cristalino, mas como até hoje, não encontrei outros casos similares, nem sequer dá para uma «Associação do Cristalino»…
Um pouco à semelhança do cego de Betsaida, segundo a narrativa evangélica, passei a ver os «homens como árvores» (Mc 8,24) e as mulheres como flores…
Abortada a viagem para o Brasil, rumo ao ano sabático, marcada para o dia 27 de Setembro, e embora esteja destinado, neste triénio à Fraternidade de Fátima, pela proximidade da Clínica, fui acolhido na Fraternidade dos Capuchinhos do Porto, sob a atenta guia do Guardião e Mestre, frei Guedes.. Mesmo sem ficar hospedado na Enfermaria Provincial, encontrei em cada Irmão um solícito e cuidadoso «enfermeiro», com destaque para o frei Avelino que, além das centenas e centenas de variadas gotas a diferentes horas do dia, sempre me acompanhou nas inúmeras deslocações à Clínica. Nem todos os Irmãos são sacerdotes, mas todos se apresentam como «diáconos», vivendo a alegria de servir. É uma bênção integrar a Fraternidade do Porto. Cultiva-se a amizade, intensifica-se o estudo e a convivialidade, fomenta-se a alegria e o serviço fraterno, expande-se a simplicidade, pratica-se o diálogo inter-cultural (irmãos de Angola, Cabo Verde e Portugal), ensaia-se o «entrosamento» de gerações – extenso é o arco etário, desde os 22 anos do frei Valter aos 90 de frei Lourenço. Impensável a «interrupção da democracia» por um dia, muito menos por seis meses…É maravilhoso aperceber-se da «sinfonia do amor» na vida fraterna, num crescendo progressivo, sob a batuta do Espírito, o Divino Artista da Comunhão!
Concelebrar diariamente a Eucaristia é de uma riqueza incalculável. Quanto aprendi com cada Irmão que presidiu à celebração do «Mistério admirável da nossa Fé»! Com eles e através deles – cada um com sua marca peculiar – o Senhor deu-me a saborear uma vivência eucarística envolta na profundidade do Mistério pascal, na serenidade da contemplação, no compromisso eclesial e social.
Para mim, celebrar ou concelebrar nesta Igreja da Imaculada é sempre uma alegria muito íntima e a oportunidade de renovar o dom do Sacerdócio: foi nesta igreja e neste altar que, em Maio de 1968, e pelas mãos de D. Francisco da Mata Mourisca, que o Espírito do Senhor me revestiu do ministério sacerdotal.
Em muitos dias do Tempo Comum foi proclamado um dos Prefácios que me tem acompanhado mais de perto: «É verdadeiramente nossa salvação louvar e dar graças ao Senhor em todos os momentos da nossa vida, na saúde e na doença, no sofrimento e na alegria…» Louvado sejas, ó meu Senhor, por estes Irmãos sacerdotes!
Dou graças ao Senhor pela presença solícita e constante dos Irmãos Capuchinhos, dos familiares, de tantos amigos de perto e de longe. Solicitude solidária e oração confiante. Pude agora aperceber-me do incalculável valor de coisas muito simples, como o corrimão da mais pequena escada, ou as marcações dos degraus (que os pés também «vêem»). Mais valioso ainda do que qualquer corrimão é o braço acolhedor do irmão.
Não escondo que os primeiros momentos deste brusco desabar de projectos foram de ansiedade e de trevas. Não é fácil atingir a «perfeita» alegria, tal como o Jogral de Assis a descreve. Li algures que Nossa Senhora de Fátima aconselhou a Irmã Lúcia a adquirir uma máquina de escrever electrónica. A «vidente» poderia, assim, ampliar as letras e continuar a difundir a Mensagem de Fátima. Bendito choque tecnológico que nos possibilita ampliar as letras quase ao tamanho das tristes Torres Gémeas! Bendita lupa que me tem acompanhado nestas lides de alguma reduzida leitura e de escrita! Há outra Luz que não se extingue: «Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.» (Jo 8,12)
Claro. Desde o dia 25 de Setembro, ponto final na sedutora Internet. Amigos houve que julgaram descobrir-me on-line. Pura miragem. Uma que outra vez, e recorrendo à ajuda de «frei Leão» (o dedicado secretário de Francisco de Assis nos seus dias de cegueira), procurei dar seguimento a algum assunto mais premente, provocando deste modo certos equívocos.
É verdade que «só se vê bem com o coração». Mas também é verdade que «os olhos são as janelas da alma». Não consegui resistir à tentação de musicar de novo o clássico «De profundis», o Salmo 140: «Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor…» Mas, alto aí! Apesar de viver no Porto, não me deixei contagiar pelo pesadelo que, durante algumas semanas, afectou o FC do Porto! O Salmo 140, porque é bíblico, arranca de um angustioso «abismo profundo», para desembocar num outro «abismo», ainda maior e mais profundo: o da misericórdia infinita do Deus do Amor.
Os olhos do coração descobrem riquezas impensáveis. Há filões de outras realidades para os que, na luz do Evangelho, vão purificando o seu olhar. Até o próprio Deus se deixa ver: «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» – proclamou Jesus no Sermão da Montanha (Mt 5,8).
Francisco de Assis, nos últimos tempos da sua vida, roído de sofrimentos e quase cego, ousou compor o mais belo Cântico ao Irmão Sol. (Durante esta época – com sérias dificuldades de enfrentar o Sol – fui informado do nascimento do «Irmão Sol», um blogue dos Antigos Alunos Capuchinhos, uma admirável iniciativa do António Colaço).
Com a inevitável dificuldade na celebração da Liturgia das Horas, procurei certificar-me no capítulo terceiro da Segunda Regra de São Francisco dos correspondentes Pai-Nossos, destinados aos Irmãos não clérigos. Intrigou-me a desproporção entre os 5 Pai-Nossos de Laudes e os 12 de Vésperas… Se, nestes meses, tivesse participado no projectado Curso de Franciscanismo em Marau, nos Capuchinhos do Rio Grande do Sul (Brasil), talvez o frei Sérgio me resolvesse estas questões de critérios estatísticos.
Sabe bem agora ter decorado (= enviar para o coração) alguns salmos, cânticos e hinos da Bíblia! Sempre me impressionou a cena daqueles 25 jovens jesuítas de Nagazáki (Japão) a sofrerem o martírio e a rezarem Salmos de louvor. «É que – regista o cronista da época – no catecismo costumavam ensinar alguns salmos às crianças». Era a «nova evangelização» do século XVI. Estou certo de que, nos dez anos de catequese da infância e adolescência, serão memorizados alguns Hinos e Salmos, assim como outros textos bíblicos. «A Palavra de Deus abre os olhos ao Povo».
Das orações que, desde miúdo, me ensinaram a memorizar, sobressai a Consagração a Nossa Senhora: «Ó Senhora minha, ó minha Mãe…» Foi preciso arrancarem-me o cristalino da vista esquerda para tomar consciência de que, nesta belíssima oração, o primeiro que consagramos a Nossa Senhora são «os meus olhos…» Não resisti à tentação de musicar esta tradicional Consagração a Nossa Senhora. O inciso «os meus olhos» sobe à nota mais alta da melodia. Nem podia ser de outro modo, dadas as circunstâncias da composição. (Vai partitura em anexo).
Nas primeiras semanas desta nova experiência, dei comigo a inventar mais uma versão do Rosário: o «Rosário da visão». Nele, o Pai Nosso é substituído pelo «Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque revelaste estas coisas aos pequeninos…» (Lc 10,21), e a Ave, Maria pela prece do cego de Jericó: «Senhor, fazei que eu veja» (Lc 18,41). Posteriormente pareceu-me uma súplica algo redutora e egoísta. E até ousei introduzir uma pequena mas substancial alteração no texto evangélico: «Jesus Cristo, Luz do mundo, fazei que eu Vos veja!» (Vai partitura em anexo).
Limitado o dom da visão, outros sentidos são privilegiados. Nestes dias desfrutei, como jamais tivera tal oportunidade, da escuta serena e gratuita de alguns trechos da imortal música clássica. Quem poderá medir o prazer interior que se experimenta ao saborear as 9 Sinfonias de Beethoven, dirigidas por Karajan?! Ou a Paixão segundo São Mateus e São João, os Corais e Concertos de Brandenburg, a Missa em si menor de Bach? Ou o Messias de Händel? Ou as Quatro Estações de Vivaldi? Ou ainda a Flauta Mágica ou a assim denominada «Pequena Serenata em Sol Maior» de Mozart? Verdadeiros vislumbres da Harmonia, da Beleza e da Felicidade a que todos estamos chamados. Num êxodo da grande tribulação ao Coração da Trindade Santíssima. Porque Deus é Música! Terá razão um autor do séc. XVII, ao escrever: «No céu todos fazem música; o que fará lá aquele que aqui não quer saber de música?» Se, ainda na terra, jamais nos cansaremos de ouvir a Missa em Si menor, de Bach, qual não será, no Céu, o assombro dos eleitos, ao entoarem o Cântico Novo do Apocalipse?!
Mas há ainda uma outra música. Este convento do Porto dispõe de uma invejável quinta, património da Fraternidade dos Capuchinhos, mas uma mais-valia para a Cidade Invicta. E também um paraíso para a grande variedade de irmãos pássaros que aqui desfrutam a Paz e o Bem de um nicho ecológico e torrão franciscano. São intransponíveis para a pauta musical os seus cânticos matinais ou vespertinos. Deliciam-se os ouvidos do nosso coração com os seus louvores ao Altíssimo e Bom Senhor.
Mas, nem só de Música se vive! Do quotidiano de um fradinho fazem parte as lides domésticas. Ao franciscano São Boaventura foi-lhe comunicada a sua nomeação para Cardeal quando se encontrava na cozinha do convento a lavar pratos, tachos e panelas. Durante algumas semanas consegui um importante «emprego»: pôr a mesa e tocar a sineta para alguns actos comunitários. Sempre eram 16 ou 17 pratos rasos, outros tantos pratos fundos, o mesmo número de facas, colheres, garfos e copos, sem esquecer os três cestos com pão, os galheteiros, as três jarras de água, o vinho maduro e o verde, alguns sumos… E também o caderno «Alimentar o espírito» para a Oração sálmica antes das refeições. Mais atribulado foi o toque da sineta. Logo no primeiro Domingo, ao improvisar um sinal mais sonoro e festivo (Domingo é Domingo!), o pobre do badalo não resistiu a tal investida de estrondosa música «heavy metal» e saiu disparado pelo corredor fora…
Conclusão? Se nem um só cabelo da minha cabeça vai caindo sem o consentimento do Pai do Céu (cf. Mt 10,30), com quanta mais solicitude paterna Ele terá acompanhado a queda de um cristalino?! Tudo é graça de Deus! Tudo é dom do Senhor!
Permanecem algumas questões por resolver, à guisa de «alegações finais». Por exemplo:
· Dá impressão de que a Justiça em Portugal, quando se trata de punir algum «peixe graúdo» (género Casa Pia, BPN, Felgueiras…) está privada, não de um, mas de ambos os cristalinos…
· Continuo sem enxergar as notas de 500 euros. Mas esta parece ser uma dificuldade congénita…E nada que se compare à fraude de 50 mil milhões de dólares, do espertalhão americano. Uma questão de «minúcias» financeiras.
· Envolta num ambiente natalício, no sábado passado, a Académica, embora podendo amealhar três pontos, achou por bem oferecer um ponto ao Sporting, como prenda de Natal. Gestos da «Briosa» que dignificam o Desporto!
· Sei agora o quanto custa não ver as letras dos livros e revistas, ou as imagens da televisão. Mas reconheço que deve ser bem mais doloroso não «ver» um salário mínimo (mesmo que sejam os anunciados 450 euros para 2009) que cubra todos os dias, até ao último dia de cada mês.
Maravilha das maravilhas é «ver» com os olhos do coração o Altíssimo e Bom Senhor feito menino no presépio de Belém, ou transformado em pão e vinho no altar da Eucaristia.
Quem chegou até este ponto, bem merece as maiores bênçãos do Deus-Menino e um Novo Ano cheio de Paz e de Bem.
Em louvor de Cristo e de seus servos Francisco e Clara de Assis. Ámen.
Assino estas linhas no dia 22 de Dezembro. Um dia memorável para a Música eterna. Há 200 anos eram estreadas, em Viena (Áustria) a 5ª e a 6ª Sinfonias de Beethoven. É verdade que ainda vivo mais a dramaticidade da Quinta Sinfonia do que a festiva dança dos pastores da Sexta Sinfonia. Talvez por isso, o Dr. Paulo Ribeiro não me permita dizer que a situação actual «é já» uma prenda de Natal. Obrigando-me a um gerúndio, o máximo a que ele me autoriza é dizer que «vai sendo» uma prenda de Natal. Seja Deus louvado!
O abraço fraterno, amigo e muito agradecido,
Porto, 22 de Dezembro de 2008
frei Acílio


Deus te acrescente que vais servir para muita gente.

As mãos e os rolos assinalados que das fofas massas maravilhas despegaram…

Estamos fritos, estamos friiiiiiitos!

Deste lado do Natal, por nós, belhozes e filhozes, mais este raminho de azevinho, estamos prontos.

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Caro António,
Espero que no próximo ano possamos colaborar. Um abraço de Boas-Festas
Frei Bento
E depois de Frei Bento Domingues,
Meu bom e muito estimado Amigo: A partir da Alemanha estou a enviar-lhe os meus votos sinceros de santo Natal. Um abraco muito amigo Pe Anselmo Borges São para estes dois amigos, e todos os outros que têm ajudado o irmão sol, para além de um outro projecto editorial, os Votos Especiais de que o Natal possa, todos os dias, ser o Lugar que cada um de nós dedica “ao seu mais próximo”, acolhendo-o e … animando-o!
antónio colaço
NOTA
Até este momento, hora de edição, manhã do dia 24 de Dezembro, não nos tinha chegado qualquer correio, razão porque nada editamos!Chegou, apenas, e por mail pessoal próprio, correio da Associação.Iremos dar-lhe destaque depois das Festas.Assim como assim, todos os que têm mail já receberam. Para além de desejar Boas Festas a todos, a Associação alerta para as iniciativas do próximo ano, nomeadamente a viagem a Assis.Voltaremos ao assunto!
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Presépio da Igreja Matriz, ontem, Mação.
Meu querido Menino Jesus, estava muito longe de vir importunar-te este ano. Não que não goste de falar contigo, por estas alturas, e, tal como os outros, aproveitar a maré para te fazer alguns pedidos. Mas, como adulto e entradote que já sou, não quero fazer-te perder tempo tão precioso para atenderes os muitos meninos, que, como eu, há muitos anos, te importunam com os seus pedidos mais incríveis. Longe vão, portanto, os tempos em que te pedia uma viola,

Missa do Galo,ontem, no Largo da Matriz, Mação.

Gavião, 1957.
uns bonbons, um carrinho de lata e tantas outras coisas que, felizmente, sempre me deste na humilde e singela lareira da casa lá do altoalentejano Gavião. Não, não quero roubar o Teu precioso tempo, por muito que agora já saiba que o tempo para Ti não existe porque Tu és o próprio Tempo. E, se formos bem a ver, nem sequer me dirijo a Ti, porque agora já sei que Tu foste a manifestação de Deus connosco, o Emanuel prometido e a que Deus recorreu para nos fazer perceber como gostava de nós. É certo que também não te venho pedir que me ilumines um pouco mais para perceber melhor como tudo se passa no Mistério da Santíssima Trindade ou, tentando forçar a barra, queime etapas para, de uma vez por todas, entrar na Plenitude dos Céus, na Eterna contemplação de Deus, sem ter de andar a recorrer àqueles amigos que, por aqui vou dando conta, nomeadamente, aos padres Amândio, Anselmo, Frei Bento Domingues, Vitor Gonçalves, tantos, sei lá, que todos os domingos se esforçam para nos explicar o alcance da novidade que há na Palavra que há tantos anos proclamaste, Palavra, essa, que, mais não queria do que nos fazer aproximar de Deus Teu e nosso Pai.
Mas era mesmo isso que, às portas da terceira idade – meu Deus, como o tempo passa – me apetecia pedir-Te mesmo.
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Sem querer, portanto, fazer-Te perder tempo, venho pura e simplesmente pedir-te que me ajudes a ser menino, outra vez. Sim, quando for grande, perdão, quando for menino, outra vez, quero que me faças continuar a viver em Mação, sim, e que me faças olhar sempre para todas as pessoas de boa-fé. Que eu nunca me julgue superior a quem quer que seja e que acredite sempre na bondade das pessoas e, muito menos, que seja distinguido, entre todos os outros, com a possibilidade de ter um jornal ao meu dispor para denunciar por simples ironia ou estafadas figuras metafóricas, todo os meninos que, meninos como eu, vão querer atirar areia para os olhos dos outros meninos.
Menino Jesus, este ano, só por este ano, atende ao meu pedido, faz-me regressar ao tempo em que volte a acreditar que os meninos que vão crescer, como eu, vão preocupar-se sempre e só com o bem-estar dos outros meninos e não apenas com o seu próprio bem estar, tentando enganá-los, com as mais criativas e sub-reptícias manobras do contrário. Faz com que, de uma vez por todas, quando eu voltar a ser pequenino, passe a vida só a escrever-te cartinhas a celebrar aquela máxima que nos ensinaste “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
A todos os que se preocupam em nascer em cada dia para uma nova maneira de estar na vida mais conforme à humildade de Belém, um Santo e Feliz Natal e um óptimo 2009
(Crónica publicada no mensário Voz de Mação, Dez 08)
antónio colaço


Acender da fogueira no Largo da Matriz, Mação.

Fogueira da Matriz, Mação, ontem.

A A23 é, para os que por aqui habitamos, um privilégio.Mas tem cada vez mais sortilégios. De Abrantes a Tomar, sabe como, aqui! (Quer dizer, também podemos falar da auto-estrada da tua terra… se nos contares!É disto que o meu povo gosta, perdão, como vêem é disto que se fazem os dias no irmão sol!)
antonio colaço

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
Há 60 anos, exactamente no dia 10 de Dezembro de 1948, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou em Paris a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Havia precedentes. Por exemplo, a famosa Charta Magna libertatum – a Magna Carta -, de 1215. Mas ela começa assim: “Estas são as demandas que os barões solicitam e o senhor rei concede”, acabando, portanto, por abranger apenas os “homens livres”.
A Declaração de Direitos (Bill of Rights) do Bom Povo de Virgínia, de 1776, já reconhecia os direitos dos indivíduos enquanto pessoas, mas não se estendia a todos, pois não incluía os negros, considerados “uma espécie inferior”.
Em 1789, a Assembleia Nacional Francesa promulgou a célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mas este Homem era ainda só o varão branco e proprietário.
Na Declaração Universal dos Direitos do Homem, proclama-se, pela primeira vez, que toda a pessoa humana, independentemente do sexo, condição social, raça, religião, nacionalidade, é detentora de direitos fundamentais, que devem ser respeitados por todos, pois são universais e valem em todo o tempo e lugar.
Mas não houve consenso. Oito países abstiveram-se de votar a favor. A Arábia Saudita e o Iémen puseram em causa “a igualdade entre homens e mulheres”. A África do Sul do apartheid contestou o “direito à igualdade sem distinção de nascimento ou de raça”. A Polónia, a Checoslováquia, a Jugoslávia e a União Soviética, comunistas, contestaram que alguém pudesse invocar os seus direitos e liberdades “sem distinção de opinião política”.
Entretanto, em 1966, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou o “Pacto Internacional de Direitos Económicos, Sociais e Culturais” e o “Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos”, que, para entrarem em vigor, precisariam de ser ratificados pelo menos por 35 países membros, o que só aconteceu dez anos mais tarde.
Embora a sua violação continue uma constante, como permanentemente informa e denuncia a Amnistia Internacional, há uma consciência universal crescente dessas duas gerações de direitos – civis e políticos, e económicos e sociais -, a que veio juntar-se uma terceira geração, cujos titulares não são os indivíduos, mas os povos, como o direito ao desenvolvimento, o direito à autodeterminação, a um meio ambiente sadio, à paz.
Continua o debate sobre a sua universalidade, que J.-Fr. Paillard sintetizou nesta pergunta: “Um instrumento ideológico ao serviço do Ocidente”, para impor ao resto do mundo a sua visão do bem e do mal? M. Gauchet, por exemplo, disse: “Do ponto de vista de um dirigente chinês, indiano ou árabe, os direitos do Homem são antes de mais os direitos do homem branco a exportar o modelo de civilização que os tornou inteligíveis.”
No entanto, ainda recentemente – Junho de 1993 -, na Conferência das Nações Unidas sobre os Direitos do Homem, os Estados reafirmaram: “Todos os direitos do Homem são universais, indissociáveis, interdependentes e intimamente ligados.” E, considerando a diversidade cultural em conexão com este universalismo, acrescentaram: “Se importa não perder de vista a importância dos particularismos nacionais e regionais e a diversidade histórica, cultural e religiosa, é dever dos Estados, seja qual for o sistema político, económico e cultural, promover e proteger todos os direitos do Homem e todas as liberdades fundamentais.”
No início de um novo ano, que melhores votos que os do cumprimento pleno destes direitos?
Referindo o Preâmbulo da Declaração – “Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; considerando que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar, de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem…” -, um caricaturista do El País pôs Deus a ler e a exclamar: “Que preâmbulo! Não tinha lido nada tão bom desde o Sermão da Montanha.”
In, Diário de Notícias,hoje.
MATINAS

Chove. Sabes, Senhor, a terrível angústia que sinto, se devo ou não continuar com este trabalho já nem eu sei definir os objectivos, tantos os percalços que se atravessam no caminho. Mas, o mais doloroso, sabes bem, para além da miríade de contratempos técnicos – quebras de rede,incapacidade própria de dominar impensáveis dificuldades técnicas, etc, etc e que me levam a apontar-TE o dedo, naquela versão do Deus bric-à-brac, de trazer por casa, do Deus que dá jeito para rezar nas aflições, sabendo, no entanto, que rejeito essa condicionada visão, Tu sabes,mas, dizia, o mais doloroso é ir à caixa do correio e nada ver, um sinalzinho, sequer, de que isto interesse a alguém. Umas Boas Festas, uma imagenzita do Natal das centenas de antigos alunos, ZEÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉRO! E até aquele nosso amigo que lançou o JINGO em capítulos…. como desejava, desejávamos, creio, aqui o episódio de Natal….Nada!Passo os dias a queixar-me e, entretanto, o meu precioso tempo de que dispunha a esgotar-se. Senhor, eu não sou digno de que entreis nesta morada, que tanto queria também fosse a tua, se calhar, isto NÃO PASSA DE UMA FEIRA DE VAIDADES A QUE ME DOU AO LUXO DE EXIBIR PERANTE OS MEUS IRMÃOS,ocupados, eles sim, numa digna sobrevivência, sei lá. Ilumina-me, Senhor, fazei de mim o instrumento da vossa Paz, enviai-me para outra tarefa e seguirei as vossas palavras.Que quereis que faça?
ac

Subversão da família?
28/12/2008 Frei Bento Domingues O.P.
A família tende a ser a instituição da reprodução. Jesus não vem para reproduzir o mundo, mas para o transformar
1.Os jornalistas não gozam de grande prestígio. Diz-se, com alguma ligeireza, que são superficiais, sem preocupações com o rigor. Nesta acusação, oculta-se, muitas vezes, o desejo de os encontrar a defender os nossos pontos de vista e exige-se aos meios de comunicação o que não podem dar. Notícias ou comentários de circunstância não são teses de doutoramento.
Raros são os jornalistas especializados no fenómeno religioso. Já Hegel se queixava de que o pensamento não quer arriscar-se a estudar seriamente a religião, mas aventura-se em terrenos que conhece mal. Por vezes, dois dedos de conversa com pessoas religiosas ou anti-religiosas bastam para percorrer séculos de história e abranger os mundos culturais mais diversos. Considerações e reportagens sobre as festas do Natal, da Páscoa e dos acontecimentos das Igrejas – às vezes com incursões no âmbito das religiões comparadas – não deviam ganhar em ser entregues à improvisação.
Ainda é cedo para fazer o balanço das produções em torno do Natal de 2008, mas é fácil ver a diferença entre as peças da revista Sábado e da Única (Expresso). Le Point (Hors-série) convocou um conjunto de especialistas para um dossier sobre “Jésus”. É uma obra-prima de seriedade.
2.Celebra-se, hoje, na liturgia católica, a “Sagrada Família de Jesus, Maria e José”. Parece uma festa redundante em relação ao Natal. Os textos não trazem grande novidade: inscrevem Jesus numa família judaica, de há dois mil anos, e nas suas práticas rituais obrigatórias (circuncisão do Menino e purificação da Mãe). É previsível que, nas igrejas, seja usada para multiplicar as lamentações acerca da crise actual da família, esquecendo as razões da crise essencial provocada pelo próprio Jesus. Importa destacar as razões dos conflitos declarados entre Jesus e a sua família de sangue, durante a sua intervenção pública. As narrativas evangélicas, sobretudo de Marcos e João, não podem ser mais claras, ásperas e desagradáveis, quanto ao profundo desentendimento que dividiu a família de Nazaré: “Tendo Jesus chegado a casa, de novo a multidão acorreu, de tal maneira que nem podiam comer. E quando os seus familiares ouviram isto, saíram a ter mão nele, pois diziam: ‘Está fora de si!’” (Mc 3, 20-35). Como dizia S. João, nem sequer os seus irmãos acreditavam nele (Jo 7, 5).
Os doutores da Lei iam mais longe: “Ele tem Diabo (Beelzebu)! É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios.”
Esta acusação será repetida noutras passagens do Novo Testamento. Será sempre recebida por Jesus como uma cegueira daqueles que deviam ser peritos na interpretação das Escrituras e da novidade dos sinais dos tempos.
A oposição da família é mais compreensível. A sua família de sangue, como qualquer outra, queria que um seu membro lhe desse prestígio, honra, glória e perpetuasse a sua descendência. Jesus, pelo contrário, nunca mostrou interesse nenhum em repetir esse modelo tradicional. Os seus familiares não conseguiam perceber o que é que Jesus pretendia com a sua pregação, com as suas curas, com o ataque contínuo às observâncias mais sagradas do judaísmo, baseadas na distinção entre puro e impuro na alimentação, nos comportamentos sociais e religiosos, sobretudo, em torno da absoluta sacralização do sábado. É evidente que Jesus era judeu e que actuava no interior dessa religião e dessa cultura. Tinha, no entanto, empreendido, como seu comportamento – interpretado como diabólico – uma revolução cultural e religiosa. Não o preocupava a observância ou não observância de lugares ou tempos sagrados. Sagrada era a condição humana, fosse de quem fosse.
Uma ilustração gráfica desta situação é apresentada pela continuação da narrativa de Marcos: “Nisto chegam sua mãe e seus irmãos que, ficando do lado de fora, o mandam chamar. A multidão estava sentada em volta dele, quando lhe disseram: ‘Estão lá fora a tua mãe e os teus irmãos que te procuram.’ Ele respondeu: ‘Quem são minha mãe e meus irmãos?’ E, percorrendo com o olhar os que estavam sentados à volta dele, disse: ‘Aí estão minha mãe e meus irmãos. Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.’”
nota
Mais um fabuloso webangelho a que queremos voltar mais tarde.ac

Podiam ser presépios de Gondomar, S.Romão, Ansião, Barcelos, Serafão, Sto Tirso, Cristelo, Arcozelo,Longra,Fátima, Coimbra, Pombal,Soito, Sabugal…. assim os nosos amigos quisessem ter a amabilidade de enviar uma simples fotografia de …telemóvel para o mail do irmão sol, ou, se quiserem, para um nº de telemóvel que indicaremos, via mail.
A nossa reportagem, com o alto patrocínio do Museu do Presépio, de Fátima ( obrigado, Frei Morgado pelos euros para o “gasóil”!!!) esteve, esta tarde, nos concelhos de Mação e Vila de Rei e deixa aqui algumas imagens bem sugestivas.Para já, aquele que elegemos como o mais ternurento, o mais fofinho,com um musgo de fazer inveja ao presépio cá da redacção!Está na aldeia de Chão de Lopes, freguesia de Aboboreira, concelho de Mação.
Mais, aqui.
antónio colaço
PARA VERMOS E OUVIRMOS
FREI LOPES MORGADO
FALAR E MOSTRAR

O MUSEU DO PRESÉPIO
A PARTIR DE FÁTIMA!

E ainda,no próximo domingo, dia
da Epifania,na TVI
no programa 8ª HORA,
depois da Missa Dominical!

Paróquia Italiana de S.Francisco de Assis, Toronto

Idem

Paróquia Portuguesa de Sta Maria dos Anjos, Toronto

Centro Comercial Gallary, Toronto

Kelly Casais Alves

Presépio da Igreja de Cristelo
De Cristelo a Toronto no Canadá.
Olá Colaço. Olá amigos.
Agora é que vão ser só as 5 linhas, pois não há tempo para mais.
Vou responder à chamada. Fotografei os presépios que mais me chamaram a atençâo. São muitas as fotografias, mas tenho a certeza que o Editor irá escolher as mais apropriadas.
Penso todos irão ficar deslumbrados com o Presépio de S. Francisco de Assis, da Paróquia Italiana de Toronto. Este presépio, tem todos os anos a honra de ser manchete nas estações de TelevisãoCanadianas. Deste lado do Atlântico, um abraço para todos vós, com
Votos de um Próspero 2009
J.Casais
NOTA
J.Casais, uma vez mais! Do Casaquistão a Toronto com passagem pela querida terrinha, Cristelo, que dizer mais senão um imeeeeeeeeeeeenso Muito obrigado!
Não se esqueçam, hoje, às 18.30, RTP2!
ac


Um 2009 cheio de Paz e Bem.
Foto: a redescoberta, muitos anos depois, do meu primeiro lençol bordado pela minha querida e saudosa Mãe. Um 2009 embrulhado em toda a ternura que o mundo contém.

A primeira hora de 2009!

Feliz 2009!Fora com injustiças e desigualdades sociais!
A Paz e o Bem bem dentro de cada um de nós!
antónio colaço

Amigo Colaço e Amigos do Irmão Sol:
Uma Boa Passagem de Ano e um óptimo ano de 2009 – para todos, como para mim desejo!
Assisti ontem, no programa Ecclesia, da RTP2, à reportagem com o nosso Frei Lopes Morgado. Foi um regalo para a alma ouvi-lo falar, tomar conhecimento de seus enternecedores poemas (já agora, onde se podem adquirir os seus livros?) e ainda ter podido ver as imagens dos seus presépios. Um abraço ao Frei Morgado – e domingo vamos voltar a (re)vê-lo…!
Sobre o nosso Natal, por esta minha região não há grande oportunidade já de se ver presépios, como referi anteriormente (exceptuando os casos dos presépios domésticos, cuja tradição resiste nalgumas casas), além de esporádicos exemplos de presépios ao vivo, com figurantes humanos, em horas determinadas para as naturais visitas, em realizações levadas a cabo para angariação de fundos em certas paróquias.
Gostei muito dos presépios ao ar livre, da região do amigo Colaço, e do de Toronto, conforme foi dado a conhecer pelo nosso confrade Casais.
Pela minha parte, por não ter nada mais à mão, envio duas imagens da mesa de Natal de minha casa (fotografada antes), posta para o convívio de família que foi, mais uma vez, bem feliz. Podendo, numa delas, ver-se uma nesga dos presentes, que estavam já junto ao presépio, para posterior distribuição…
Recebi mensagem natalícia, via telemóvel, do Agostinho Vaz (e julgo que ele recebeu a minha, de retribuição) – significativa dos laços que unem o espírito Capuchinho de sempre.
Continuação de Boas Festas, para todos.
Armando Pinto

PROVIDÊNCIA E ECONOMICÍDIO
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
Antes, era a Providência divina. Deus, no seu saber, bondade e poder infinitos, governa o mundo, e a Humanidade está sob a sua protecção. Mesmo quando a dor, a desgraça e a morte se abatem sobre os seres humanos, deve-se confiar, pois Deus tudo dirige segundo o seu desígnio. Aliás, Leibniz escreveu a sua Teodiceia precisamente para, como diz a própria palavra, justificar Deus perante a razão, por causa do mal do mundo. A justificação é: sendo Deus omnisciente, omnipotente e infinitamente bom, este é o melhor dos mundos possíveis.
Hegel de algum modo secularizou a teodiceia, substituindo-a pela historiodiceia: a História autojustifica-se, pois ela é a manifestação e realização do Espírito Absoluto no seu autodesenvolvimento dialéctico, a caminho da plena autoconsciência. A negatividade é momento do processo e a “astúcia da Razão” consiste em colocar mesmo o particular e negativo ao seu serviço. Se a historiodiceia toma o lugar da teodiceia, a Razão na sua astúcia substitui a Providência.
Na economia, a teodiceia e a historiodiceia são substituídas pela mercadodiceia – o mercado justifica-se a si mesmo. Entregue livremente a si próprio, o mercado fará com que, apesar de cada um procurar o seu interesse, tudo convirja para o maior bem de todos. Nele, habita a Providência, agora com o nome de “mão invisível”, como disse Adam Smith.
Mas Kant chamou a atenção para o “falhanço” da teodiceia: como pode a razão finita justificar Deus? A “astúcia da Razão” não é suficientemente forte para assumir as negatividades improdutivas. Quanto à “mão invisível”, deixou mesmo de se ver. Quem tinha dúvidas esbarrou agora com a evidência. O antigo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos Alan Greenspan recuou na fé de 40 anos: “Cometi um erro ao confiar que o mercado livre pode regular-se a si próprio sem a supervisão da Administração.”
A crise está aí, imensa, imprevisível. Começou com o sistema financeiro e está a chegar, à maneira de tsunami, à economia real, e teme-se um economicídio.
Agora que o mundo do negócio se afunda, é tempo de parar no ócio – quantos se lembram que a palavra escola vem do grego scholê, que significa ócio, não no sentido de preguiça, mas de liberdade para pensar? -, precisamente para pensar.
Quando se pensa, percebe-se que afinal não há alternativa à economia de mercado, mas ela tem de ser economia social e ecológica de mercado, acentuando os dois adjectivos: social e ecológica. Economia quer dizer etimologicamente lei da casa; ora, a casa tem de ser a casa de todos e para todos e a casa é o planeta Terra, que é obrigatório preservar.
Quando se pensa, vê-se claramente a urgência de apelar para a necessidade da regulação e da ética no universo da finança e da economia. Ética – mais uma vez, segundo o étimo grego – tem a ver com o comportamento que se deve ter para habitar a casa comum.
Quando se pensa, espera-se que a justiça funcione. De facto, houve incompetência, aventuras especulativas irresponsáveis e também se fala em corrupção e crimes vários. Sem justiça, como repor crédito e confiança no sistema? Problema maior: quantos acreditam e confiam real e verdadeiramente na justiça em Portugal?
Pensando bem, precisamos de distribuição mais justa da riqueza – não se lia há dias no DN que “os rendimentos dos presidentes executivos das 50 maiores empresas europeias equivalem a 441 salários mínimos da Zona Euro”? Não continua também entre nós a cavar-se cada vez mais fundo o abismo entre a ostentação obscena da riqueza e a iniquidade cruel da pobreza?
Quando se pensa a fundo, talvez se conclua que é tempo de pôr mais o acento na cultura do ser do que na cultura do ter. E não será urgente viver com mais moderação – de mederi, donde vem também meditação e medicina?
E torna-se absolutamente claro que está aí o tempo da solidariedade. Se não for por humanidade, ao menos por egoísmo esclarecido. De facto, a acumulação sucessiva de frustração, impotência, fome, degradação, injustiça, pode levar a confrontos sociais de consequências imprevisíveis.
( In, Diário de Notícias)
…NA TVI.
DEPOIS DA MISSA MATINAL, NO PROGRAMA 8ª HORA!
ENTRETANTO……
O irmão sol está hoje a caminho de….
AGUARDA PARA SABERES!!!!

- O quê, uma reportagem para o irmão sol?! Vieram a Fátim de propósito para me visitarem?Oh, meu Deus, ele é RTP, TVI, agora o irmão sol….façam favor de entrar!
Obrigado, Senhor, pelo privilégio de termos connosco uma gruta, um lugar onde podemos exaltar as vossas maravilhas, onde podemos conhecer melhor o sentido mais profundo e luminoso da vossa Palavra.Obrigado por este Frei Lopes Morgado!
Edição mais logo!

domingo, 4 de Janeiro de 2009
A grande crise da fé
Quando a ética, as leis, a fé e a justiça não funcionam, ainda resta o desespero e a violência
1.Simplificando muito, o capitalismo, na sua expressão pura e dura, era a única salvação, sobretudo depois da queda do Muro de Berlim. Agora, já não são, apenas, os anticapitalistas do costume a verem nele o caminho da perdição. Quem esperava ter o paraíso garantido para sempre, sentiu-se atirado para as trevas exteriores, onde só há choro e ranger de dentes, a morte de toda a esperança.
Para quem acredita que fora do capitalismo não há salvação, a tarefa mais importante consiste em restituir a fé e a esperança nesse sistema para salvar a economia de mercado. A fórmula pronta a servir, diante do fracasso da sua auto-regulação, é a ética aplicada. Como a ética não é um produto natural – para não deixar tudo à arbitrariedade subjectiva -, são precisas leis que regulem a vida numa sociedade democrática. Como as leis precisam de ser aplicadas, é necessária a supervisão para saber se estão a ser bem aplicadas ou não. Como numa sociedade laica não se confia a Deus a supervisão, é preciso fé nos seres humanos e no funcionamento das suas instituições. Como estes e estas são falíveis, é preciso o recurso à polícia, aos tribunais e às cadeias. Como a justiça não tem fórmulas automáticas de funcionamento, também é preciso fé na justiça, fé no Estado. Diz-se que, quando nada disto funcionar, ainda resta o desespero e a violência.
2.Depois de oito anos a acreditar nas trapaças de George Bush e da sua pandilha, assim como nos negócios vergonhosos da Wall Street, procura-se fazer de Barack Obama o salvador da superpotência para que ela seja a salvação do mundo. É normal que cada grupo procure atrair o Presidente para o seu campo. Foram, sem dúvida, os menos poderosos que o elegeram. Serão, no entanto, os mais poderosos que, em nome das virtualidades da economia de mercado e do seu dinamismo, desviarão a atenção de Obama dos mais pobres das Américas, da África e da Palestina. Israel já fez o suficiente para mostrar que, mesmo com o fariseu Madoff na cadeia, os EUA devem continuar com fé em Israel, mesmo depois de todos os crimes contra a humanidade.
Não duvido de que todas as tentativas serão destinadas a arranjar oxigénio para o capitalismo, mesmo através das indesejadas intervenções do Estado. É opinião corrente que o próximo ano vai ser mau para os que mais precisam e que ainda não será o último. Depois, julga-se, pela lei dos ciclos económicos, que a prosperidade regressará.
3.É normal que, agora, se volte a discutir a ética protestante e o espírito do capitalismo, caracterizados por Max Weber, ou seja, o conjunto de ideias e de práticas que favorecem, de forma ética, a procura racional do lucro económico. Outros regressarão à Idade Média, a S. Francisco de Assis, que abandonou os negócios do pai para “seguir nu o Cristo nu”, mas que originou os paradoxos franciscanos que vão da pobreza voluntária ao contributo para a sociedade de mercado (1). No campo católico, a Doutrina Social da Igreja será invocada, não como uma alternativa ao capitalismo liberal e ao colectivismo marxista, mas como uma instância moral que saiba situar o ser humano na sua vocação terrena e transcendente, reconhecendo o destino universal dos bens (2).
Neste tempo de Natal e no meio de todas estas crises de fé em tudo aquilo que se julgava o caminho e os instrumentos do bem-estar presente e futuro, não se esqueça Jesus de Nazaré, alguém que nunca viveu para ser rico. Ganhava a vida pelas suas próprias mãos, não era um austero como João Baptista, gostava da vida, mas detestava, radicalmente, a ganância, o amor ao dinheiro, à riqueza, e não suportava ver uns a banquetear-se no luxo e outros atirados para a miséria: “Guardai-vos cuidadosamente de qualquer ganância, pois, mesmo na abundância, a vida do homem não é assegurada pelos seus bens.” “Que adianta ganhar o mundo inteiro e perder-se a si próprio?” E avisava as pessoas de muita religião: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”, porque “onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. A última leva de historiadores mostra que Jesus está rodeado pelo mundo farisaico. Conhecia-o muito bem e os fariseus também o conheciam, mas consideravam Jesus um ingénuo na sua atitude perante a ganância. É, pelo menos, o que S. Lucas observa: “Os fariseus, amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e zombavam dele” (3).
Celebramos, hoje, a Epifania – impropriamente dita festa dos “Reis Magos” -, isto é, o encontro simbólico do mundo estranho ao judaísmo com Jesus Cristo. É interessante notar que Jesus não se ajoelha perante os símbolos da riqueza (ouro), do sagrado (incenso) e da imortalidade (mirra) que lhe apresentam. É a grande mensagem cristã: não vender a alma a nenhum bem deste mundo profano ou religioso.
O melhor que nos poderia acontecer em 2009 seria a perda da fé naquilo que nos perde e nunca nos poderá salvar.
(1) Giacomo Todeschini, Ricchezza francescana. Dalla povertà volontaria alla società di mercato, Bologna, Il Mulino, 2004.
(2) João Paulo II, A Solicitude Social da Igreja, n.º 41 (1987).
(3) Mt 6, 24; Lc 16, 13; Lc 12, 33-34)
(In Publico,4Jan09)
NOTA
Quem quer partilhar?Um texto fabuloso, mesmo com uma farpazita aqui para estas bandas, quer dizer..
ac

Faz de conta que hoje é Sábado. E que estamos quase a chegar a uma encharcada Fátima e que a fome aperta e quem melhor que as Irmãs Franciscanas, perdão, Dominicanas, para nos matar a fome?!

Foi o que fizemos. Uma carne de porco à alentejana e um vinhozito de Ourém, pouco generoso, adiante.

Uma passagem pelo Santuário.

Maria e um Presépio a seus pés.

Uma espreitadela ao grande órgão da Basílica… que vontade de o dedilhar.

Frei Joaquim Lopes Morgado, tentando fugir à objectiva do nosso repórter ( contratado a peso de ouro !), lá acedeu a abrir-nos a porta.Para ele todos os minutos são preciosos para atender quantos o procuram, não só para ver o Pré Museu do Presépio mas também para tratar dos presépios da alma.

É um risco oferecer presépios ao meu querido amigo Quim Morgado – deixamos o frei na gruta de Belém, por uns instantes – pois corre-se o risco de desafiar o seu lado coleccionista. No caso em apreço, mãos amigas fizeram chegar este azulado embrulho. E Joaquim, quase sem dar por isso, até porque ainda estamos no Natal, deixou saltar para a sala o pequenito Quinzinho (era assim que te tratavam, meu?!Isto não fazia parte da reportagem!!) lá das bandas das Areias de Vilar, Barcelos ( pois, esta coisa dos barros, estão a ver, não é?!) que seguramente também recebeu muitas prendas .

E o mesmo azulado papel logo ali fez de “estrelado céu” de Belém para acolher um presépinho de minúsculas figuras de chumbo feito, à semelhança dos conhecidos soldadinhoas de chumbo. Joaquim ficou radiante, era único, ao contrário do que a nossa reportagem lhe levou! Estava repetido ( umas imagens de Maria e José … alentejanos, de A.Rodrigues!!!) como nos cromos do futebol que em miúdos todos trocávamos!
























































































































































































































































































